Tribunal dos EUA analisa legalidade da tarifa global de 10% de Trump em meio a disputa com Estados e empresas
Um tribunal de comércio dos Estados Unidos analisa a legalidade da tarifa global de 10% imposta pelo governo de Donald Trump.
Imagem: Reuters/Dado Ruvic
A tarifa global de 10% de Trump volta ao centro de uma forte disputa judicial nos Estados Unidos, enquanto um tribunal especializado avalia se a medida adotada pelo governo de Donald Trump é legal ou se ultrapassa os limites do poder presidencial. O caso, que envolve Estados americanos e pequenas empresas, pode redefinir o alcance da autoridade da Casa Branca sobre o comércio internacional.
A análise ocorre nesta sexta-feira (10), no Tribunal de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em Nova York, e reúne argumentos contrários e favoráveis à política tarifária.
Leia também:
A chamada tarifa global de 10% de Trump é o foco de uma ação judicial que questiona sua legalidade. O tribunal está avaliando se o governo pode impor uma tarifa ampla sobre importações sem autorização do Congresso.
A medida entrou em vigor em 24 de fevereiro e foi defendida pela administração Trump como uma resposta ao déficit comercial dos Estados Unidos. Segundo o governo, a tarifa global de 10% de Trump busca corrigir desequilíbrios persistentes na balança de pagamentos do país.
O julgamento envolve um painel de três juízes que analisará se a base legal utilizada pelo governo é suficiente para sustentar a política.
Quem entrou com a ação contra a tarifa global de 10% de Trump
A contestação foi apresentada por:
- 24 Estados norte-americanos, em sua maioria governados por democratas
- Duas pequenas empresas afetadas pela medida
Os autores argumentam que a tarifa global de 10% de Trump viola limites legais e contorna decisões anteriores da Justiça americana.
O grupo pede a suspensão imediata da medida, alegando impacto econômico e extrapolação de poder presidencial.
Base legal usada pelo governo Trump
O governo de Donald Trump defende a legalidade da tarifa global de 10% de Trump com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974.
Essa legislação permite:
- tarifas de até 15%
- duração máxima de 150 dias
- aplicação em casos de déficit grave na balança de pagamentos
- proteção contra possível desvalorização do dólar
Segundo a Casa Branca, a tarifa global de 10% de Trump seria uma resposta necessária ao desequilíbrio estrutural do comércio norte-americano, marcado por importações superiores às exportações.
Argumentos contra a tarifa global de 10% de Trump
Os Estados e empresas que contestam a medida afirmam que a interpretação do governo é indevida.
Entre os principais pontos levantados estão:
- a lei de 1974 foi criada para emergências econômicas de curto prazo
- déficits comerciais recorrentes não configuram crise extraordinária
- a administração estaria expandindo poderes que não foram concedidos pelo Congresso
Eles também argumentam que a tarifa global de 10% de Trump ignora limites estabelecidos por decisões judiciais anteriores e compromete a previsibilidade do comércio internacional.
Contexto da Suprema Corte e impacto jurídico
O caso ocorre em um cenário jurídico sensível após decisões recentes da Suprema Corte dos Estados Unidos, que já havia limitado a capacidade do governo Trump de impor tarifas amplas com base em outra legislação de emergência.
Essa decisão anterior derrubou parte das tarifas implementadas no passado e reforçou o entendimento de que o presidente não possui autoridade irrestrita para agir sozinho em questões tarifárias.
Agora, a nova disputa testa uma base legal diferente, mas com o mesmo ponto central: os limites do poder executivo.
Por que a tarifa global de 10% de Trump é tão importante
A tarifa global de 10% de Trump é considerada uma das medidas mais amplas do atual mandato do presidente no campo comercial. Caso seja mantida, pode:
- consolidar o uso de tarifas como ferramenta de política externa
- aumentar tensões comerciais com parceiros internacionais
- influenciar cadeias globais de produção e preços de importação
Por outro lado, se for derrubada, pode restringir significativamente a capacidade do Executivo de agir sem aprovação do Congresso.