STF já condenou mais de 800 réus pela trama golpista do 8 de Janeiro

Três anos após os atos de 8 de janeiro de 2023, o Supremo Tribunal Federal já condenou mais de 800 pessoas pela trama golpista que tentou romper a ordem democrática no Brasil.

imagem do autor
Última atualização:  08 de jan, 2026 às 19:34
Grande multidão de manifestantes vestidos de verde e amarelo ocupando as rampas e a parte externa do Congresso Nacional em Brasília. Algumas pessoas carregam bandeiras do Brasil. Vista panorâmica dos atos ocorridos na Praça dos Três Poderes. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Três anos após os ataques às sedes dos Três Poderes, o Supremo Tribunal Federal (STF) já condenou mais de 800 pessoas pela trama golpista que tentou romper a ordem democrática no Brasil em 8 de janeiro de 2023. Os julgamentos, conduzidos pela Primeira Turma da Corte, atingiram desde participantes diretos da invasão até integrantes do núcleo político e militar que, segundo as investigações, atuaram para sustentar uma tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Levantamento do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos, mostra que os números foram consolidados até meados de dezembro de 2025 e ainda podem ser atualizados. Além das condenações, o STF enfrenta o desafio da extradição de réus que deixaram o país para evitar o cumprimento das penas.

Leia também:

Mais de 800 condenações e dezenas de foragidos

Desde o início das ações penais, o STF já proferiu mais de 800 condenações relacionadas à trama golpista, envolvendo tanto os executores dos atos quanto seus articuladores. Do total, cerca de 60 condenados estão foragidos na Argentina, após romperem tornozeleiras eletrônicas impostas pela Justiça brasileira.

Outro caso de destaque é o do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem, condenado a 16 anos de prisão. Ele deixou o Brasil e está nos Estados Unidos. O pedido de extradição já está em tramitação e, em razão da condenação, Ramagem perdeu o mandato de deputado federal.

Como a acusação foi estruturada

Após os atos de 8 de janeiro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou 1.734 ações penais ao STF. As denúncias foram organizadas em diferentes frentes, separando incitadores, executores e quatro núcleos centrais que, segundo a acusação, deram sustentação política, institucional e operacional à trama golpista.

A divisão teve como objetivo individualizar condutas e demonstrar como diferentes grupos atuaram de forma coordenada para tentar manter Jair Bolsonaro no poder, mesmo após a derrota nas eleições presidenciais de 2022.

Núcleos principais da trama golpista

Com a conclusão dos julgamentos dos quatro núcleos centrais, o STF condenou 29 réus à prisão. Apenas dois acusados foram absolvidos por falta de provas: o general do Exército Estevam Theófilo e o delegado da Polícia Federal Fernando de Sousa Oliveira.

Até o momento, somente as condenações do Núcleo 1 já estão sendo executadas. Os réus dos demais núcleos ainda recorrem das decisões.

As penas aplicadas decorrem de crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Condenação de Bolsonaro e aliados no Núcleo 1

O Núcleo 1, considerado o centro político da trama golpista, teve as condenações definidas em 11 de setembro de 2025. O grupo reúne o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados próximos do alto escalão do governo e das Forças Armadas.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão. Também receberam penas elevadas nomes como Walter Braga Netto, Almir Garnier, Anderson Torres e Augusto Heleno. O ex-ajudante de ordens Mauro Cid teve pena reduzida e cumpre regime aberto, em razão do acordo de delação premiada.

Demais núcleos e participação de militares e policiais

Os núcleos 2, 3 e 4 concentram militares da ativa e da reserva, policiais federais e ex-assessores do governo Bolsonaro. As condenações variam de 7 a 26 anos de prisão, conforme o grau de participação na trama golpista.

Segundo o STF, esses grupos atuaram no planejamento, na logística e na disseminação de desinformação, criando um ambiente favorável à ruptura institucional. O Núcleo 5, composto apenas por Paulo Figueiredo, que reside nos Estados Unidos, ainda não teve julgamento marcado.

Incitadores e executores: maioria dos condenados

A maior parte das condenações envolve incitadores e executores diretos dos atos de 8 de janeiro. Nesse grupo, o STF já condenou 810 pessoas, sendo:

  • 395 por crimes mais graves, como organização criminosa e tentativa de golpe;
  • 415 por delitos considerados menos graves, como incitação ao crime e associação criminosa.

Entre os casos emblemáticos está o da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, condenada a 14 anos de prisão por participação nos atos e por pichar a frase “Perdeu, mané” em uma estátua em frente ao STF.

Gostou deste conteúdo? Siga o Melhor Investimento nas redes sociais: 

Instagram | Facebook