SNEL11 capta R$ 620 milhões e passa a ser o maior FII de energia da B3
Fundo amplia portfólio em usinas solares e aposta em ativos operacionais
Foto: Envato Elements
A Suno Asset, gestora de recursos, concluiu em janeiro de 2026 a quarta oferta de cotas do fundo imobiliário Suno Energias Limpas (SNEL11), com captação superior a R$ 620 milhões, consolidando o veículo como o maior FII de energia listado na B3.
A operação elevou o valor de mercado do fundo para cerca de R$ 950 milhões e reforçou a estratégia de crescimento baseada em usinas solares operacionais no modelo de Geração Distribuída (GD).
O movimento ocorre em um momento de juros ainda elevados no Brasil, o que torna ativos com geração de caixa imediata mais atrativos para investidores.
Captação combina capital financeiro e troca por cotas
Um dos principais diferenciais da oferta foi o desenho da captação, que combinou recursos de investidores institucionais com aportes realizados por vendedores de ativos interessados em manter exposição ao setor após a venda das usinas.
Na prática, o antigo proprietário aliena o ativo ao fundo e recebe parte do valor em cotas do próprio SNEL11, mantendo participação econômica no negócio.
Segundo Vitor Duarte, diretor de investimentos da Suno Asset, o modelo aproveita uma regulação já existente para fundos imobiliários e se mostra especialmente eficiente em operações com múltiplas partes.
“A maior vantagem é adquirir ativos sem risco de performance ou vacância, com geração de receita desde o primeiro dia”, afirma.
Essa estrutura elimina a chamada curva J, comum em projetos greenfield, e reduz riscos operacionais.
Aquisições abaixo do preço de mercado
De acordo com a gestão, as aquisições em andamento estão sendo negociadas a valores inferiores aos praticados pelas cotas no mercado secundário, o que permite ao fundo crescer gerando valor ao cotista, sem diluição.
Após a conclusão das transações, o SNEL11 passa a deter 100% do controle das usinas, enquanto os antigos proprietários permanecem apenas com obrigações contratuais típicas de operações de M&A.
Esse ponto é considerado central na tese do fundo, que busca escala com disciplina de preços, aproveitando oportunidades em um mercado que passa por consolidação, especialmente no segmento de energia solar distribuída.
Expansão geográfica e foco em usinas prontas
Com os novos recursos, o SNEL11 pretende adquirir cerca de 110 MWp (megawatt-pico) em usinas fotovoltaicas espalhadas por oito estados e o Distrito Federal.
Entre as novas praças estratégicas estão Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e Paraná, ampliando a diversificação geográfica do portfólio.
A alocação dos recursos será direcionada majoritariamente a usinas já prontas e operacionais, com eventuais aplicações temporárias em ativos de alta liquidez enquanto as negociações são finalizadas.
Atualmente, mais de 85% dos projetos mapeados já estão em operação. Os demais contam com Renda Mínima Garantida (RMG), mecanismo que assegura previsibilidade de fluxo de caixa.
Retorno estimado e eficiência tributária
O estudo de viabilidade apresentado no prospecto da oferta indica uma Taxa Interna de Retorno (TIR) real estimada em torno de 14% ao ano, acrescida da inflação do setor energético.
Além do retorno operacional, o fundo se beneficia da estrutura tributária dos FIIs, que isenta o veículo de impostos como PIS/Cofins, IRPJ e CSLL, aumentando o retorno líquido em comparação a estruturas tradicionais, como SPEs.
Para o investidor pessoa física, os rendimentos distribuídos pelo fundo seguem, em regra, isentos de Imposto de Renda, desde que atendidos os requisitos legais, o que reforça a atratividade do produto em um cenário de busca por renda.
Estratégia anticíclica em cenário de juros altos
A gestão do SNEL11 classifica a estratégia atual como anticíclica, especialmente em um ambiente de juros elevados, que pressiona segmentos imobiliários mais dependentes de financiamento.
“Investimos em ativos prontos, com geração de caixa imediata e menor exposição ao crédito”, destaca Duarte.
Segundo ele, uma eventual queda da taxa de juros a partir de 2026 tende a beneficiar o fundo de duas formas: aumento da demanda por cotas e valorização dos ativos.
Esse cenário adiciona opcionalidade à tese, mantendo o foco em contratos resilientes e previsibilidade de receitas.
Consolidação no mercado de energia limpa
O avanço do SNEL11 ocorre em paralelo à consolidação do mercado de energia limpa no Brasil, no qual veículos mais líquidos, bem governados e com acesso a capital tendem a liderar aquisições.
Com a conclusão da oferta, o fundo reforça sua posição como consolidador natural no segmento de geração distribuída, buscando escala, diversificação e rendimentos sustentáveis.
Ao alcançar cerca de R$ 950 milhões em valor de mercado e ampliar sua base de cotistas, o SNEL11 se consolida como referência entre os FIIs de energia da B3, combinando crescimento, eficiência tributária e foco em ativos operacionais em um setor estruturalmente ligado à transição energética.
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