Setor imobiliário cresce em volume e valor impulsionado pelo Minha Casa, Minha Vida
O setor imobiliário brasileiro registrou forte expansão em 2025, com recorde de lançamentos em volume e valor até outubro, impulsionado principalmente pelo Minha Casa, Minha Vida.
Foto: Ricardo Stuckert / PR
O setor imobiliário brasileiro cresce em volume e valor em 2025, sustentado principalmente pela expansão do programa Minha Casa, Minha Vida, que voltou a ocupar papel central na dinâmica do mercado habitacional. Dados consolidados até outubro mostram que o aumento da oferta foi significativo, enquanto as vendas reagiram de forma desigual entre os segmentos, em um cenário ainda marcado por juros elevados e crédito mais caro.
Levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc), em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), indica que o mercado registrou recorde histórico de lançamentos, tanto em número de unidades quanto em valor financeiro. As informações foram divulgadas nesta semana e refletem o desempenho do setor ao longo de 2025 em todo o país.
Saiba mais:
Até outubro, o mercado imobiliário lançou 161.709 unidades residenciais, o que representa uma alta de 34,6% na comparação anual. Em termos financeiros, os novos projetos somaram R$ 59,4 bilhões em valor geral de vendas (VGV), evidenciando uma expansão relevante da oferta.
O crescimento ocorreu em um contexto de reorganização do ciclo imobiliário, no qual as incorporadoras ajustam estratégias diante de custos financeiros mais elevados. Ainda assim, o volume de novos empreendimentos indica confiança no médio prazo, especialmente no segmento de habitação popular.
Minha Casa, Minha Vida concentra a maior parte dos novos projetos
A expansão do setor imobiliário brasileiro foi amplamente ancorada no Minha Casa, Minha Vida. Do total de unidades lançadas até outubro, 138.985 fazem parte do programa habitacional, o equivalente a 85,9% de toda a oferta colocada no mercado no período.
Em valor, os lançamentos ligados ao programa somaram R$ 34,8 bilhões, reforçando o papel do subsídio público e do crédito direcionado como principais motores da atividade imobiliária em 2025. A ampliação das faixas de renda atendidas e o reforço das linhas de financiamento ajudaram a sustentar esse avanço.
Segundo representantes do setor, o programa criou um ambiente mais previsível para as incorporadoras, reduzindo riscos e estimulando novos investimentos, mesmo em um cenário macroeconômico ainda desafiador.
Médio e alto padrão crescem menos em unidades, mas avançam em valor
Fora do segmento popular, o desempenho foi mais moderado. Os lançamentos de imóveis de médio e alto padrão totalizaram 22.724 unidades, crescimento de 14,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Apesar do avanço menor em volume, o destaque ficou no valor financeiro. O VGV desses empreendimentos atingiu R$ 24,5 bilhões, alta expressiva de 42,5%, refletindo preços mais elevados, projetos com padrão construtivo superior e maior ticket médio.
Esse movimento indica que, mesmo com demanda mais restrita, o setor manteve investimentos em produtos voltados a públicos de renda mais alta, ainda que de forma mais seletiva.
Vendas crescem menos e mostram desequilíbrio entre oferta e demanda
As vendas não acompanharam o ritmo dos lançamentos. No acumulado do ano até outubro, o setor comercializou 159.357 unidades, crescimento de apenas 2,3% na comparação anual. O faturamento total chegou a R$ 53,3 bilhões, alta de 4,3%.
O desempenho mais favorável voltou a ser observado no Minha Casa, Minha Vida, que registrou aumento de 8,6% no volume de unidades vendidas e de 9,7% em valor, somando R$ 29,5 bilhões em vendas.
Nos demais segmentos, o comportamento foi mais fraco, indicando um descompasso entre a expansão da oferta e a capacidade de absorção do mercado.
Juros elevados pressionam vendas fora do segmento subsidiado
Nos imóveis de médio e alto padrão, as vendas recuaram 17,9% em volume, totalizando 28.756 unidades. Em valor, houve queda de 1,1%, para R$ 21,7 bilhões.
De acordo com a Abrainc, a combinação de taxas de juros elevadas, encarecimento do financiamento e maior cautela dos consumidores levou as incorporadoras a priorizarem a redução de estoques, após um ciclo intenso de lançamentos nos últimos anos.
Esse ajuste é visto como parte natural do ciclo imobiliário, especialmente em momentos de transição monetária.
Setor imobiliário aguarda queda de juros para nova fase de expansão
A avaliação do setor é que o mercado atravessa uma fase de acomodação. Enquanto o crédito segue pressionado fora do segmento subsidiado, as empresas adotam uma postura mais conservadora, aguardando sinais mais claros de queda dos juros para retomar investimentos em projetos de maior padrão.
No caso do Minha Casa, Minha Vida, a perspectiva permanece positiva. As medidas adotadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para fortalecer o financiamento habitacional sustentam a expectativa de que o programa continue sendo o principal vetor de crescimento do setor imobiliário brasileiro nos próximos meses.
Com a oferta em expansão, a aposta das incorporadoras é que a demanda acompanhe esse movimento gradualmente, mantendo o mercado aquecido mesmo em um cenário macroeconômico ainda restritivo.
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