Natura reverte prejuízo e registra lucro de R$ 186 milhões no 4T25

Mesmo com queda nas receitas, companhia melhora rentabilidade com ganhos de eficiência e redução de despesas após integração entre Natura e Avon.

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Última atualização:  16 de mar, 2026 às 23:28
Foto de loja física da Natura. Foto: Natura/Divulgação

A Natura reportou lucro líquido de R$ 186 milhões nas operações continuadas no quarto trimestre de 2025, revertendo o prejuízo de R$ 227 milhões registrado no mesmo período de 2024. O resultado foi divulgado pela companhia na noite desta segunda-feira (16).

Mesmo com a melhora no resultado final, o desempenho do trimestre foi marcado por queda nas receitas e por impactos contábeis relacionados à reestruturação do grupo.

A empresa registrou uma provisão não recorrente de R$ 434 milhões ligada a recebíveis da venda da The Body Shop. O impacto não teve efeito no caixa. Desconsiderando esse item extraordinário, o lucro das operações continuadas teria alcançado R$ 620 milhões, avanço anual de R$ 321 milhões.

Receita cai com desaceleração no Brasil e impactos cambiais

A receita líquida da Natura somou R$ 6,19 bilhões no quarto trimestre, recuo de 12,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Segundo a companhia, o desempenho foi influenciado principalmente pela desaceleração das vendas no Brasil, além de efeitos cambiais e do cenário de hiperinflação em alguns mercados da América Hispânica, especialmente na Argentina.

A empresa também apontou que a queda nas receitas está ligada ao processo de reorganização operacional e à integração das operações das marcas Natura e Avon em mercados estratégicos.

De acordo com a companhia, o trimestre foi impactado por instabilidades relacionadas à integração das marcas, além das pressões cambiais e do ambiente econômico adverso em alguns países da região.

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Rentabilidade melhora com redução de despesas

Apesar da retração das receitas, a rentabilidade da companhia apresentou avanço significativo.

O Ebitda recorrente atingiu R$ 978 milhões no trimestre, crescimento de 57,2% na comparação anual. A margem Ebitda chegou a 15,8%, expansão de aproximadamente sete pontos percentuais frente ao quarto trimestre de 2024.

Segundo a empresa, o ganho de margem foi impulsionado por iniciativas de eficiência operacional, redução de despesas e sinergias obtidas com a integração das operações de Natura e Avon.

Entre os fatores citados pela companhia estão cortes em despesas administrativas e comerciais, além de ajustes estratégicos na política de remuneração variável.

Desempenho no Brasil e resultado financeiro

No mercado brasileiro, a receita líquida caiu 4,8% no quarto trimestre, totalizando R$ 3,77 bilhões. O resultado refletiu principalmente a redução da atividade das consultoras e o desempenho mais fraco da marca Avon.

O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 128 milhões no período, deterioração em relação ao ganho de R$ 28 milhões registrado no mesmo trimestre de 2024.

A piora foi atribuída ao aumento das despesas financeiras, que somaram R$ 156 milhões, acompanhando a alta do CDI ao longo do período.

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Dívida recua e alavancagem melhora

Ao final de dezembro de 2025, a dívida líquida da Natura totalizava R$ 3,5 bilhões, queda de R$ 567 milhões em relação ao trimestre anterior.

A redução foi impulsionada principalmente pela geração de caixa sazonal típica do fim do ano.

Com isso, a alavancagem financeira caiu para 1,57 vez a relação entre dívida líquida e Ebitda. Ao excluir efeitos não recorrentes, o indicador fica em 1,31 vez, permanecendo dentro do intervalo considerado adequado pela companhia.

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Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.