Natura (NATU3) dispara com acordo de acionistas e entrada da Advent e sinaliza novo ciclo

As ações da Natura (NATU3) subiram cerca de 10% após o anúncio de um novo acordo de acionistas e a possível entrada da Advent International no capital da empresa.

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Última atualização:  31 de mar, 2026 às 10:54
Loja da marca Natura com fachada moderna e interior bem iluminado, exibindo produtos de beleza e bem-estar. Foto: Divulgação

As ações da Natura (NATU3) registraram forte alta após o anúncio de um novo acordo de acionistas e a possível entrada da Advent International no capital da companhia. O movimento foi divulgado na noite de segunda-feira (30) e rapidamente repercutiu no mercado, impulsionando os papéis da empresa na bolsa brasileira.

Por volta das 10h35 (horário de Brasília) desta terça-feira, as ações subiam cerca de 9,85%, negociadas a R$ 10,15. A reação positiva reflete a leitura dos investidores de que as mudanças podem marcar o início de uma nova fase estratégica para a companhia, com melhorias em governança e execução operacional.

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Natura (NATU3) dispara com acordo de acionistas e entrada da Advent

O principal anúncio envolve a assinatura de um novo acordo entre os acionistas controladores da Natura, que passa a valer imediatamente e terá duração inicial de dez anos, podendo ser prorrogado por igual período. O acordo abrange 38,8% do capital da empresa e redefine as bases de governança em um momento considerado crucial para sua reestruturação.

Além disso, a possível entrada da Advent International é vista como um dos principais gatilhos para a valorização das ações. O fundo firmou um compromisso vinculativo para adquirir entre 8% e 10% de participação na Natura, a um preço médio de R$ 9,75 por ação.

Esse movimento é interpretado por analistas como um sinal de confiança no potencial da companhia, além de servir como referência de valor para os papéis no curto prazo. Na prática, o preço proposto pode funcionar como um “piso” para as ações nos próximos meses.

Condições do investimento levantam dúvidas

Apesar do otimismo, o acordo com a Advent inclui condições específicas que podem limitar sua concretização. O compromisso será cancelado caso:

  • A participação ultrapasse 10%
  • Não atinja ao menos 8% em até seis meses
  • Ou o preço médio das ações supere R$ 9,75 em um período de três meses

Essas condições chamaram a atenção de analistas, que apontam possíveis dificuldades na execução do plano, já que a aquisição dependerá de compras no mercado secundário dentro de parâmetros rígidos.

Ainda assim, a eventual entrada do fundo pode garantir maior disciplina financeira e reforçar a governança da companhia, fatores considerados essenciais neste momento.

Reformulação do conselho marca nova fase

Outro ponto central do anúncio foi a proposta de reformulação do Conselho de Administração. A nova composição será liderada por Alessandro Carlucci, ex-CEO da Natura em um período de forte crescimento da empresa.

A expectativa é que o novo conselho traga maior experiência e alinhamento com os desafios atuais da companhia, especialmente em relação à retomada do crescimento e ganho de eficiência operacional.

Ao mesmo tempo, os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos, além de Fabio Barbosa, passarão a integrar um conselho consultivo. Esse novo órgão não terá poder executivo, mas atuará na preservação da cultura e da visão estratégica de longo prazo da empresa.

Avaliações do mercado são positivas, com ressalvas

De forma geral, o mercado avaliou os anúncios como positivos para a Natura (NATU3). Instituições financeiras destacaram que o conjunto de medidas pode fortalecer a empresa em sua fase de transição.

Analistas apontam que a entrada de um investidor relevante como a Advent tende a aumentar a credibilidade da tese de investimento e pode funcionar como catalisador para uma reprecificação das ações.

Por outro lado, permanecem algumas incertezas, especialmente relacionadas à execução do investimento e aos desafios operacionais ainda enfrentados pela companhia.