Renda das famílias brasileiras atinge maior nível da história em 2025, aponta IBGE
Renda das famílias brasileiras bate recorde em 2025 e chega a R$ 2.264 por pessoa, segundo dados divulgados pelo IBGE.
Imagem: Envato Elements.
O rendimento médio mensal das famílias brasileiras alcançou em 2025 o maior patamar já registrado desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), iniciada em 2012.
Segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a renda domiciliar per capita chegou a R$ 2.264 no ano passado, consolidando um ciclo de recuperação observado após os impactos econômicos da pandemia.
O avanço representa crescimento real de 6,9% em relação a 2024, já descontada a inflação. Além do recorde histórico, o resultado marcou o quarto ano consecutivo de aumento no rendimento das famílias brasileiras, em um cenário sustentado principalmente pela melhora do mercado de trabalho, pelo reajuste do salário mínimo e pela expansão da massa salarial no país.
Recuperação da renda ganha força após pandemia
Os números divulgados pelo IBGE mostram que a renda das famílias brasileiras voltou a acelerar nos últimos anos após o forte impacto causado pela crise sanitária. Em 2021, período ainda marcado pelos efeitos econômicos da pandemia, o rendimento domiciliar per capita havia recuado para R$ 1.692, um dos menores níveis da série histórica. Desde então, os indicadores passaram a apresentar recuperação gradual.
O levantamento aponta que a evolução da renda foi contínua nos anos seguintes, passando para R$ 1.809 em 2022, R$ 2.018 em 2023 e R$ 2.118 em 2024, até alcançar o novo recorde de R$ 2.264 em 2025.
Para calcular o rendimento domiciliar per capita, o IBGE soma todos os rendimentos recebidos pelos integrantes de uma residência e divide o total pelo número de moradores do domicílio. Entram nessa conta salários, aposentadorias, benefícios sociais, pensões, aplicações financeiras, aluguéis, bolsas de estudo e outras fontes de renda.
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Mercado de trabalho foi decisivo para alta da renda
Segundo o IBGE, o principal motor do crescimento da renda foi o desempenho do mercado de trabalho ao longo de 2025. O país registrou taxas historicamente baixas de desemprego, ao mesmo tempo em que o salário mínimo continuou apresentando reajustes reais acima da inflação.
O analista da pesquisa Gustavo Geaquinto Fontes afirmou que o rendimento do trabalho teve peso relevante no avanço da renda das famílias brasileiras. Na avaliação dele, a combinação entre maior ocupação e valorização salarial ajudou a impulsionar os ganhos médios da população.
Os dados da Pnad mostram que o rendimento médio mensal proveniente do trabalho também atingiu nível recorde em 2025, chegando a R$ 3.560. Já considerando todas as fontes de renda, o rendimento médio individual dos brasileiros alcançou R$ 3.367 mensais.
Sul, Sudeste e Distrito Federal lideram renda no país
O levantamento também revela diferenças significativas entre as regiões brasileiras. O Distrito Federal apresentou a maior renda domiciliar per capita do país, com média de R$ 4.401 por morador.
Entre os estados, São Paulo aparece entre os maiores rendimentos médios, com R$ 2.862, seguido por Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro.
Por outro lado, os menores níveis de renda continuam concentrados principalmente no Norte e Nordeste do país. O Maranhão registrou o menor rendimento domiciliar per capita do Brasil, com média de R$ 1.231.
Regionalmente, o Sul liderou o ranking nacional de renda média, seguido pelo Centro-Oeste e Sudeste. Já o Nordeste permaneceu com o menor rendimento médio entre as regiões brasileiras.
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Aposentadorias e programas sociais seguem relevantes
Embora o trabalho continue sendo a principal fonte de renda das famílias brasileiras, outras receitas seguem desempenhando papel importante no orçamento doméstico. Segundo o IBGE, 75,1% do rendimento médio mensal das famílias vieram do trabalho em 2025, enquanto 24,9% tiveram origem em outras fontes.
Dentro desse grupo, aposentadorias e pensões representaram a maior fatia, respondendo por 16,4% da renda total. Benefícios sociais, tal qual o Bolsa Família e outros programas de transferência de renda, corresponderam a 3,5% dos ganhos médios das famílias brasileiras.
O levantamento mostra ainda que a dependência de programas sociais é maior no Nordeste, onde os benefícios governamentais representam parcela mais relevante da renda familiar em comparação com a média nacional.
Número de brasileiros com renda também bate recorde
Outro dado destacado pela pesquisa foi o crescimento do número de brasileiros com algum tipo de rendimento. Em 2025, cerca de 143 milhões de pessoas receberam renda proveniente de trabalho, aposentadoria, programas sociais ou outras fontes, o equivalente a 67,2% da população do país.
Segundo o IBGE, trata-se do maior percentual já registrado pela série histórica da Pnad. O avanço foi acompanhado tanto pelo aumento da população ocupada quanto pelo crescimento do número de aposentados e pensionistas, movimento associado ao envelhecimento da população brasileira.
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Desigualdade continua elevada
Apesar da melhora da renda média, os dados do IBGE indicam que a desigualdade social segue elevada no país. Em 2025, os 10% mais ricos da população tiveram rendimento 13,8 vezes superior ao recebido pelos 40% mais pobres.
A pesquisa também revelou que aproximadamente 18 milhões de famílias brasileiras receberam algum benefício social de programas federais, estaduais ou municipais ao longo do ano passado, o equivalente a 22,7% dos domicílios do país.
Os números reforçam que, embora o mercado de trabalho e a renda tenham apresentado melhora significativa nos últimos anos, os desafios ligados à distribuição de renda continuam sendo um dos principais temas econômicos e sociais do Brasil.
Com informações de Agência Brasil.