Quaest mede impacto das crises do governo e avanço de Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026

A nova pesquisa da Quaest começou a medir os efeitos das recentes crises políticas do governo Lula e o crescimento de Flávio Bolsonaro nas simulações para a eleição presidencial de 2026.

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Última atualização:  11 de maio, 2026 às 10:39
Montagem lado a lado mostrando, à esquerda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com expressão séria e a mão no queixo; à direita, o senador Flávio Bolsonaro olhando para o lado durante uma entrevista. Imagem: Reuters / Adriano Machado

A nova pesquisa da Genial/Quaest sobre a eleição presidencial de 2026 começou a ser realizada na última sexta-feira e deve trazer um retrato importante sobre o cenário político brasileiro após semanas de desgaste para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento nacional busca medir principalmente o impacto das recentes crises políticas e o crescimento do senador Flávio Bolsonaro nas simulações eleitorais.

A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), será divulgada na próxima quarta-feira e é acompanhada com atenção por integrantes do governo, partidos políticos e agentes do mercado financeiro. O levantamento ocorre em um momento em que diferentes institutos passaram a mostrar maior equilíbrio entre Lula e nomes ligados ao PL, especialmente Flávio Bolsonaro, em possíveis cenários de segundo turno.

Além de testar a força eleitoral do governo, a nova rodada da Quaest deve indicar se a disputa presidencial caminha para uma polarização ainda mais intensa entre PT e PL ou se haverá espaço para candidaturas alternativas no campo do centro e da direita.

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Nas últimas semanas, pesquisas divulgadas por institutos como AtlasIntel, Datafolha e Real Time Big Data apontaram crescimento de Flávio Bolsonaro em cenários de disputa direta contra Lula.

Em algumas simulações, o senador apareceu numericamente à frente do atual presidente dentro da margem de erro, movimento que ampliou a atenção sobre a sucessão presidencial de 2026. O desempenho do parlamentar passou a ser interpretado por aliados bolsonaristas como um possível sinal de transferência do capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro para o filho mais velho.

O levantamento da Quaest será um dos primeiros a medir de forma mais ampla se esse crescimento representa uma tendência consolidada ou apenas um efeito momentâneo provocado pelo cenário político recente.

Para acompanhar outras movimentações da corrida eleitoral, o leitor também pode conferir conteúdos sobre pesquisas eleitorais e bastidores políticos no portal.

Crises do governo entram no radar do levantamento

Outro ponto central da pesquisa envolve o impacto das recentes crises enfrentadas pelo governo federal. Nas últimas semanas, o Palácio do Planalto acumulou desgastes em diferentes frentes políticas e institucionais.

Entre os temas que devem influenciar a percepção dos eleitores estão a dificuldade de articulação do governo no Congresso Nacional, a resistência ao nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, além das investigações envolvendo o caso Banco Master.

Também entram no radar dos pesquisadores o lançamento do Desenrola 2.0 e a repercussão da viagem de Lula aos Estados Unidos para um encontro com Donald Trump.

A avaliação dentro do governo é de que a sequência de episódios políticos negativos pode afetar a popularidade presidencial principalmente em regiões onde a aprovação já vinha apresentando sinais de desgaste.

Nordeste ainda sustenta vantagem de Lula

Apesar do cenário mais apertado nas pesquisas nacionais, Lula continua mantendo desempenho mais favorável no Nordeste, região considerada estratégica para o PT desde as eleições anteriores.

Por outro lado, levantamentos recentes mostram crescimento das dificuldades do governo no Sudeste, especialmente entre eleitores mais afetados pelo aumento do custo de vida e pelo endividamento das famílias.

A percepção sobre a economia segue sendo considerada um dos fatores mais relevantes para a eleição de 2026. Integrantes do mercado acompanham os dados da Quaest justamente para entender se o ambiente econômico e político começa a produzir mudanças mais profundas no comportamento do eleitorado.

Analistas avaliam que, caso o avanço de Flávio Bolsonaro seja confirmado em diferentes pesquisas nacionais, o cenário eleitoral pode entrar em uma fase de consolidação da polarização entre lulismo e bolsonarismo ainda antes do início oficial da campanha.

Candidaturas alternativas tentam ganhar espaço

Além de Lula e Flávio Bolsonaro, a pesquisa também deve medir o espaço para nomes alternativos no campo da direita e do centro político.

Governadores como Romeu Zema e Ronaldo Caiado seguem aparecendo nas simulações eleitorais, assim como o ex-ministro Aldo Rebelo.

No entanto, esses nomes ainda enfrentam dificuldades para romper a forte polarização entre PT e PL. A expectativa dos partidos é que os próximos levantamentos indiquem se existe espaço para uma terceira via competitiva ou se o cenário continuará concentrado nos dois principais grupos políticos do país.

Como será feita a pesquisa Quaest

Segundo informações registradas no TSE, a Quaest realizará 2.004 entrevistas presenciais em todas as regiões do Brasil com eleitores a partir de 16 anos.

A coleta será feita por meio de visitas domiciliares e utilizará um modelo de amostragem dividido em etapas, incluindo seleção de municípios, setores censitários e definição de perfis por renda, sexo, idade e escolaridade.

Os números serão divulgados oficialmente na próxima quarta-feira e devem servir como novo termômetro do ambiente político brasileiro em meio ao avanço das articulações para a eleição presidencial de 2026