Produção industrial fica estável em novembro, aponta IBGE; setor perde fôlego em 2025
Indústria frustra expectativas do mercado, reforça sinais de desaceleração econômica e entra no radar do Copom para possível corte de juros
Arquivo Volkswagen do Brasil
A produção industrial brasileira registrou estabilidade em novembro frente a outubro, segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), divulgada nesta quinta-feira (8) pelo IBGE. Em outubro, o indicador havia avançado 0,1% ante setembro, sem revisão.
O resultado de novembro ficou abaixo da mediana das expectativas do mercado, que projetava alta de 0,1%, conforme levantamento do Valor Data com 28 instituições financeiras. As estimativas variavam de queda de 1,2% a avanço de 1,1%.
Na comparação anual, a produção industrial caiu 1,2% em relação a novembro de 2024, desempenho pior do que a expectativa mediana de recuo de 0,5%. As projeções iam de queda de 3,2% a alta de 2%.
No acumulado de 12 meses até novembro, a indústria cresceu 0,7%. Com isso, o nível de produção permanece 2,4% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas segue 14,8% abaixo do recorde histórico, registrado em maio de 2011.
Indústria perde intensidade ao longo de 2025
Para o coordenador de Produtos da Diretoria de Alocação da InvestSmart XP, o resultado da produção industrial em novembro surpreendeu negativamente o mercado. “A indústria mostrou estabilidade no mês, enquanto a expectativa apontava alta de 0,2%. Na comparação anual, o mercado projetava queda de apenas 0,1%, mas o recuo foi de 1,2%”, avaliou.
Segundo o especialista, a indústria extrativa, que recuou 2,6% em novembro, exerceu a maior influência negativa sobre o índice.
“O dado de hoje confirma a tendência de desaceleração da economia brasileira ao final de 2025”, afirmou.
Na avaliação de Bellas, o desempenho da indústria também ganha relevância para a política monetária.
“Esse resultado se torna um insumo importante para o Copom começar a sinalizar um possível corte de juros já na reunião de março, conforme esperado pelo mercado”, disse o coordenador, destacando que a divulgação do IPCA, prevista para esta sexta-feira, será decisiva para consolidar essas expectativas.
Apesar do indicador abaixo do esperado, o especialista observou que o mercado financeiro reage a outros fatores. “Mesmo com o dado fraco, a curva de juros brasileira opera em alta em praticamente todos os vértices, em linha com o cenário global e com a expectativa em torno do leilão de títulos prefixados do governo”, concluiu.
Categorias industriais: desempenho desigual
Duas das quatro grandes categorias econômicas pesquisadas pelo IBGE registraram alta em novembro:
- Bens de capital: alta de 0,7% frente a outubro, mas queda de 4,9% na comparação anual. O segmento sofreu influência positiva da produção de equipamentos de transporte, especialmente caminhões. Ainda assim, acumula retração de 0,2% em 12 meses, e o IBGE não vê início de tendência positiva.
- Bens semiduráveis e não duráveis: avanço de 0,6% no mês e leve alta de 0,1% ante novembro de 2024.
Em sentido oposto:
- Bens duráveis: queda de 2,5% frente a outubro e recuo de 6,2% na comparação anual.
- Bens intermediários: recuo de 0,6% no mês e queda de 1,2% na base anual. A categoria responde por cerca de 55% da indústria.
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