Presidente Lula sanciona lei descongela e autoriza pagamento de benefícios suspensos

Estados e municípios ficam autorizados a pagar valores retroativos a servidores

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Última atualização:  13 de jan, 2026 às 09:56
Presidente Lula discursa em evento oficial; presidente Lula sanciona lei descongela salários e carreiras. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, na segunda-feira (12), a lei que autoriza estados, municípios e o Distrito Federal a quitarem valores retroativos de benefícios de servidores públicos que ficaram congelados durante a pandemia da Covid-19.

A medida, conhecida como Projeto Descongela, foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2025 e publicada no Diário Oficial da União (DOU).

A norma permite a recomposição de direitos suspensos entre 28 de maio de 2020 e 31 de dezembro de 2021, período marcado por restrições fiscais impostas aos entes federativos como contrapartida ao auxílio federal emergencial.

A sanção ocorre em Brasília e encerra o prazo legal para a promulgação do texto, que foi aprovado sem vetos. A lei estabelece que o pagamento não é automático e depende da situação fiscal e da previsão orçamentária de cada governo local, o que preserva a autonomia financeira dos entes e evita impacto obrigatório nas contas da União.

O que muda com a nova lei

Com a nova legislação, estados e municípios ficam autorizados a pagar benefícios como anuênios, triênios, quinquênios, sexta-parte e licença-prêmio, desde que o ente federativo tenha decretado estado de calamidade pública durante a pandemia e disponha de recursos para arcar com os custos.

Esses adicionais estavam suspensos pela Lei Complementar nº 173/2020, editada no governo anterior, que congelou a contagem de tempo de serviço e proibiu reajustes e criação de cargos no funcionalismo.

A regra vale para servidores civis das administrações diretas e indiretas e alcança categorias que mantiveram atividades essenciais durante o período mais crítico da crise sanitária, muitas vezes em regime presencial.

A lei não fixa prazo para o pagamento dos valores retroativos, deixando a decisão a cargo dos governos locais, conforme suas condições financeiras.

Por que os benefícios foram congelados

O congelamento ocorreu como parte do Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus, que destinou cerca de R$ 60 bilhões a estados e municípios para compensar a queda de arrecadação e financiar ações de saúde.

Em troca, a legislação impôs limites a despesas com pessoal, incluindo a suspensão temporária de progressões e adicionais baseados em tempo de serviço.

À época, o objetivo era conter o crescimento dos gastos obrigatórios em um cenário de forte incerteza econômica.

Com o arrefecimento da pandemia e a normalização gradual das contas públicas, o Congresso retomou o debate sobre a recomposição desses direitos, culminando na aprovação do Projeto Descongela.

Como será o pagamento dos retroativos

Apesar da autorização legal, a quitação dos valores depende de decisão administrativa de cada estado ou município. A lei condiciona o pagamento à existência de dotação orçamentária e à avaliação da capacidade fiscal local.

Na prática, isso significa que governos poderão parcelar os valores, priorizar grupos específicos ou postergar a execução, respeitando regras de responsabilidade fiscal.

O relator da proposta no Senado, senador Flávio Arns (PSB-PR), destacou durante a tramitação que a medida não cria obrigação fiscal imediata, justamente por vincular a execução à disponibilidade financeira dos entes.

Dessa forma, a União não assume novos gastos nem transfere recursos adicionais para cobrir os pagamentos.

Repercussão entre servidores e gestores

Entidades representativas do funcionalismo avaliam a sanção como um passo importante para reparar perdas acumuladas durante a pandemia, especialmente entre profissionais que permaneceram em atividade.

Para gestores públicos, a lei oferece um marco jurídico claro para tratar do tema, reduzindo a judicialização e permitindo planejamento financeiro.

Por outro lado, secretarias de Fazenda e Planejamento alertam que o impacto pode variar significativamente entre os entes, a depender do tamanho da folha, do número de servidores elegíveis e do espaço fiscal disponível.

Em alguns casos, o pagamento pode representar pressão adicional sobre orçamentos já comprometidos.

Contexto econômico e fiscal

A sanção da lei ocorre em um momento de reorganização das contas públicas subnacionais, com recuperação gradual da arrecadação e maior previsibilidade fiscal após os anos mais agudos da crise.

Ainda assim, estados e municípios enfrentam desafios como aumento de despesas obrigatórias, investimentos represados e demandas por serviços públicos.

Ao permitir, mas não impor, o pagamento dos retroativos, a legislação busca equilibrar justiça funcional e prudência fiscal. A expectativa é que governos avaliem o tema de forma escalonada, integrando os pagamentos aos seus planejamentos plurianuais e às leis orçamentárias anuais.

Com a lei em vigor, caberá aos governos locais regulamentar procedimentos internos, identificar servidores elegíveis e definir cronogramas. Servidores interessados devem acompanhar comunicados oficiais de seus estados ou municípios para saber como e quando os valores poderão ser pagos.

A sanção do Projeto Descongela encerra um capítulo sensível do período pandêmico e abre espaço para a recomposição de direitos suspensos, mantendo a responsabilidade fiscal como eixo central da execução.

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Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.