Richarlison volta a citar Flávio Bolsonaro em disputa por mansão de R$ 10 mi
Declaração do atacante faz caso judicial envolvendo imóvel de luxo voltar ao debate público.
Foto: Reprodução/Instagram @richarlison; Luis Nova/Metrópoles @LuisGustavoNova
O comentário publicado pelo atacante Richarlison nas redes sociais fez voltar à discussão uma disputa judicial envolvendo uma mansão avaliada em cerca de R$ 10 milhões, localizada em Angra dos Reis (RJ). O caso, que começou em 2020, envolve direitos de propriedade e posse do imóvel, além de citar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como testemunha em uma das ações judiciais.
A repercussão ganhou força após um vídeo publicado por uma advogada imobiliária explicar o processo utilizando o imóvel como exemplo.
Na publicação, Richarlison afirmou ter investido aproximadamente R$ 10 milhões na compra da casa e declarou que perdeu o imóvel sem recuperar o valor pago. A manifestação rapidamente viralizou, levando a autora do vídeo a remover o conteúdo e divulgar uma retratação, afirmando que parte das informações apresentadas inicialmente não refletia com precisão a situação jurídica atual do processo.
Embora o nome de Flávio Bolsonaro tenha voltado a circular nas redes sociais, o senador afirma que nunca integrou a ação como parte interessada e participou apenas como testemunha.
Como o caso voltou à repercussão
A nova onda de comentários começou após a advogada imobiliária Ana Paula Zantut publicar um vídeo explicando a diferença entre propriedade e posse de um imóvel.
Para ilustrar o tema, ela utilizou a disputa envolvendo a mansão adquirida pela empresa ligada a Richarlison. Nos comentários da publicação, o jogador escreveu que investiu cerca de R$ 10 milhões na compra e afirmou que “simplesmente me tomaram” o imóvel, acrescentando que ainda não recebeu o dinheiro investido.
A declaração repercutiu rapidamente nas redes sociais e levou milhares de usuários a retomarem discussões sobre um processo que já havia sido analisado pela Justiça.
Posteriormente, a advogada retirou o vídeo do ar e publicou uma nota de retratação, explicando que, após analisar novos documentos, verificou que algumas informações apresentadas inicialmente não correspondiam exatamente ao estágio atual da disputa judicial.
Entenda a origem da disputa
O conflito começou em 2020, quando a empresa Sport 70 Intermediação de Negócios Ltda., ligada a Richarlison e ao então empresário Renato Velasco, negociou a compra da mansão localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis.
O imóvel reúne características de alto padrão, incluindo:
- 11 suítes;
- praia privativa;
- piscina;
- quadra de tênis;
- heliponto;
- cachoeira.
Durante a negociação, Flávio Bolsonaro visitou a propriedade acompanhado do advogado Willer Tomaz, amigo pessoal do senador.
Segundo relatos presentes no processo, ambos demonstraram interesse pelo imóvel, mas foram informados de que a venda já havia sido concluída com a empresa ligada ao jogador.
Posteriormente, uma empresa chamada M Locadora de Veículos e Transportes Turísticos Ltda. apresentou uma reivindicação baseada em antigos direitos possessórios relacionados ao terreno.
Esses direitos acabaram sendo posteriormente transferidos para uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, dando início à disputa judicial.
Propriedade e posse passaram a ser discutidas separadamente
Um dos principais pontos do caso é a diferença entre propriedade e posse.
Enquanto a empresa ligada a Richarlison sustentava ter adquirido regularmente a propriedade da mansão, a empresa vinculada a Willer Tomaz afirmava possuir direitos possessórios anteriores sobre o imóvel.
Ao longo da tramitação, a discussão deixou de envolver apenas quem poderia utilizar a residência e passou também a analisar a validade jurídica dos contratos que transferiram esses direitos.
Essa distinção foi justamente o ponto utilizado pela advogada no vídeo que voltou a circular nas redes sociais.
Flávio Bolsonaro aparece como testemunha
Apesar da repercussão nas redes sociais, Flávio Bolsonaro não figura como autor nem como réu da disputa.
Segundo a assessoria do senador, ele apenas conheceu a propriedade antes da conclusão da venda e foi posteriormente indicado como testemunha pela empresa ligada a Richarlison.
Em nota divulgada anteriormente, a equipe do parlamentar afirmou que ele:
- nunca comprou o imóvel;
- não participou da negociação;
- não possui qualquer vínculo patrimonial com a mansão;
- apenas mantém amizade com o advogado Willer Tomaz.
STJ manteve decisão sobre a posse
A disputa percorreu diversas instâncias da Justiça.
Em maio de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve o entendimento já adotado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro favorável à empresa ligada a Willer Tomaz.
Na decisão, o relator concluiu que o recurso apresentado pela empresa ligada a Richarlison exigiria reexame de provas e análise de cláusulas contratuais, providências que não podem ser realizadas em recurso especial.
Com isso, permaneceu válida a decisão favorável aos direitos possessórios reconhecidos anteriormente.
Retratação após repercussão
Após o aumento da repercussão, Ana Paula Zantut publicou uma nota pública explicando a retirada do vídeo.
Segundo a advogada, a decisão ocorreu após uma nova análise dos autos e de documentos que não haviam sido considerados inicialmente.
Ela afirmou que a retratação decorre do compromisso com a precisão das informações e informou que pretende divulgar um novo conteúdo explicando o histórico completo da disputa, bem como os motivos que levaram à correção.
Enquanto isso, o comentário de Richarlison fez um processo encerrado na esfera judicial voltar ao centro das discussões nas redes sociais, reacendendo o debate sobre segurança jurídica em negociações imobiliárias de alto valor e sobre a diferença entre propriedade e posse prevista na legislação brasileira.
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