Flávio Bolsonaro perde apoio após crise do “Dark Horse” e Lula amplia vantagem
Uma pesquisa Meio/Ideia mostra que a crise envolvendo o caso “Dark Horse” provocou queda no apoio a Flávio Bolsonaro entre grupos estratégicos do eleitorado.
Foto: : Jefferson Rudy/Agência Senado
A crise do “Dark Horse” começou a impactar diretamente a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quinta-feira (28). O levantamento mostra queda no apoio ao senador entre grupos considerados estratégicos para a eleição de 2026, além de crescimento da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cenários de primeiro e segundo turno.
Os dados foram coletados entre os dias 23 e 27 de maio com 1.500 eleitores em todo o Brasil. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-02918/2026-BRASIL e possui margem de erro de 2,5 pontos percentuais.
A deterioração da imagem de Flávio Bolsonaro ocorre após a repercussão de mensagens e áudios relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro ligada ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Crise do “Dark Horse” afeta grupos estratégicos para Flávio Bolsonaro
De acordo com a pesquisa, a crise do “Dark Horse” provocou perdas significativas em segmentos considerados decisivos para uma disputa apertada.
Entre eleitores com renda acima de cinco salários mínimos, Flávio Bolsonaro registrou queda de 18,9 pontos percentuais. Já no grupo de eleitores que se identificam como centro-direita, o recuo chegou a 18 pontos.
Outro dado que chamou atenção foi a perda de apoio entre os jovens. Na faixa etária de 16 a 24 anos, a redução atingiu 15,7 pontos percentuais, indicando desgaste em um público importante para campanhas digitais e mobilização nas redes sociais.
Analistas políticos avaliam que esses segmentos costumam exercer influência relevante em disputas nacionais, especialmente em cenários de polarização e margem apertada.
Lula amplia vantagem em cenários eleitorais
Além do desgaste enfrentado por Flávio Bolsonaro, a pesquisa Meio/Ideia apontou mudança no cenário eleitoral.
No primeiro turno, Lula aparece com 38,5% das intenções de voto, enquanto o senador do PL soma 31,5%.
Na rodada anterior do levantamento, divulgada no início de maio, o presidente tinha 40%, enquanto Flávio Bolsonaro aparecia com 36%. Apesar da leve oscilação de Lula, a queda do senador foi suficiente para ampliar a diferença entre os dois.
O cenário de segundo turno apresentou uma mudança ainda mais significativa. Há cerca de três semanas, Flávio liderava numericamente o confronto direto contra Lula por 45,3% a 44,7%. Agora, o petista aparece à frente com 46,5%, enquanto o parlamentar caiu para 41,4%.
A pesquisa também simulou outros nomes na disputa presidencial. Ronaldo Caiado aparece com 5,5% das intenções de voto, seguido por Romeu Zema, com 2,4%, e Renan Santos, com 2,1%.
Caso Daniel Vorcaro aumenta desgaste político
O levantamento também mediu o impacto do episódio envolvendo Daniel Vorcaro na percepção do eleitorado.
Segundo os dados, 60,4% dos entrevistados afirmaram já ter tido contato com informações relacionadas ao caso. Dentro desse grupo, 37,4% disseram ter acompanhado muitas notícias ou comentários sobre o assunto.
A repercussão negativa aparece de forma clara nos números da pesquisa. Para 44% dos entrevistados, a imagem de Flávio Bolsonaro piorou após as revelações envolvendo o filme Dark Horse e o empresário ligado ao Banco Master.
Outros 30,8% afirmaram que não mudaram de opinião, enquanto 14,5% disseram que passaram a ter visão mais positiva do senador após o episódio.
O levantamento ainda mostra que a maioria dos entrevistados acredita que a crise poderá causar prejuízos eleitorais à campanha de Flávio Bolsonaro. Segundo a pesquisa, 57% avaliam que o caso deve afetar muito ou ao menos um pouco a pré-candidatura do senador.
Além disso, 48% defendem que as relações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro sejam investigadas de forma aprofundada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.