Tarifa de 25% dos EUA entra em vigor amanhã (22); Brasil ainda pode ter sobretaxa

A sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros passa a valer nesta quarta-feira (22), enquanto os Estados Unidos estudam impor uma nova tarifa de 12,5%.

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Última atualização:  21 de jul, 2026 às 13:28
Donald Trump no Congresso Imagem: Reprodução

As novas tarifas de 25% impostas pelo governo de Donald Trump sobre uma série de produtos brasileiros entram em vigor nesta quarta-feira (22). A medida foi adotada pelo Estados Unidos sob a alegação de que o Brasil mantém práticas que dificultam o comércio bilateral, enquanto o governo brasileiro rejeita as acusações e afirma que os argumentos apresentados por Washington não têm fundamento.

Apesar da sobretaxa, os Estados Unidos decidiram excluir 2.126 produtos brasileiros da nova cobrança, preservando setores considerados estratégicos para a economia americana.

O que diz o Governo Trump

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) afirma que o Brasil adota políticas que restringem ou oneram empresas norte-americanas. Entre os pontos citados estão o sistema de pagamentos Pix, questões relacionadas ao mercado de etanol, o combate ao desmatamento ilegal e a proteção à propriedade intelectual.

Segundo o órgão, houve tentativas de negociação ao longo do último ano para solucionar essas questões, mas sem avanços considerados suficientes pelo governo americano.

Em resposta, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviou uma carta ao representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, contestando as conclusões da investigação. O governo brasileiro argumenta que apresentou informações que contradizem as acusações, mas afirma que elas foram desconsideradas durante o processo.

Mais de 2 mil produtos ficam de fora da sobretaxa

Embora a tarifa de 25% passe a valer para diversos produtos brasileiros, uma extensa lista de exceções foi divulgada pelas autoridades americanas. Entre os itens isentos estão alimentos, combustíveis, minérios, medicamentos, aeronaves, componentes eletrônicos e diversas matérias-primas utilizadas pela indústria dos Estados Unidos.

Segundo o USTR, esses produtos foram excluídos porque são considerados essenciais para cadeias produtivas americanas ou possuem baixa disponibilidade de fornecedores alternativos, o que poderia provocar aumento de custos e dificuldades de abastecimento.

Brasil pode enfrentar nova tarifa

Além da tarifa de 25%, o governo dos Estados Unidos avalia aplicar uma nova sobretaxa de 12,5% sobre importações brasileiras após a conclusão de investigações conduzidas pelo USTR. A proposta está relacionada à alegação de que o Brasil importaria produtos originados de países associados ao uso de trabalho forçado.

O governo brasileiro já apresentou sua defesa, destacando a legislação nacional de combate ao trabalho escravo, as operações de fiscalização realizadas pelas autoridades e a participação do país em acordos internacionais voltados ao enfrentamento dessa prática.

Caso seja confirmada, a nova tarifa poderá ampliar ainda mais a carga tributária incidente sobre produtos brasileiros vendidos ao mercado norte-americano.

Brasil terá uma das maiores tarifas médias

Levantamento do Global Trade Alert (GTA) indica que, após a entrada em vigor das novas medidas, a tarifa efetiva média aplicada aos produtos brasileiros chegará a 18,2%.

Com esse percentual, o Brasil passará a ocupar a segunda posição entre os países mais afetados pela política tarifária dos Estados Unidos, atrás apenas da China, cuja tarifa média alcança 27%.

O cenário, no entanto, poderá sofrer novas alterações nos próximos dias. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, informou que Washington pretende anunciar novas medidas tarifárias envolvendo cerca de 60 países, conforme avançam as investigações comerciais conduzidas pelo USTR.

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Canadá também entra na mira das novas tarifas

A política comercial do governo Donald Trump também atingiu o Canadá. Os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 50% sobre uma ampla lista de produtos canadenses, incluindo itens como bebidas alcoólicas, veículos, laticínios, cimento e equipamentos esportivos.

Segundo a Casa Branca, a medida foi adotada em resposta ao que considera práticas discriminatórias do governo canadense contra produtos americanos e passará a valer em agosto.

Com a ampliação das barreiras comerciais para diferentes parceiros, cresce a expectativa do mercado sobre os impactos das novas tarifas nas cadeias globais de produção, no comércio internacional e nos custos para empresas e consumidores.

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.