Tarifa de 25% dos EUA entra em vigor amanhã (22); Brasil ainda pode ter sobretaxa
A sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros passa a valer nesta quarta-feira (22), enquanto os Estados Unidos estudam impor uma nova tarifa de 12,5%.
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As novas tarifas de 25% impostas pelo governo de Donald Trump sobre uma série de produtos brasileiros entram em vigor nesta quarta-feira (22). A medida foi adotada pelo Estados Unidos sob a alegação de que o Brasil mantém práticas que dificultam o comércio bilateral, enquanto o governo brasileiro rejeita as acusações e afirma que os argumentos apresentados por Washington não têm fundamento.
Apesar da sobretaxa, os Estados Unidos decidiram excluir 2.126 produtos brasileiros da nova cobrança, preservando setores considerados estratégicos para a economia americana.
O que diz o Governo Trump
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) afirma que o Brasil adota políticas que restringem ou oneram empresas norte-americanas. Entre os pontos citados estão o sistema de pagamentos Pix, questões relacionadas ao mercado de etanol, o combate ao desmatamento ilegal e a proteção à propriedade intelectual.
Segundo o órgão, houve tentativas de negociação ao longo do último ano para solucionar essas questões, mas sem avanços considerados suficientes pelo governo americano.
Em resposta, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviou uma carta ao representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, contestando as conclusões da investigação. O governo brasileiro argumenta que apresentou informações que contradizem as acusações, mas afirma que elas foram desconsideradas durante o processo.
Mais de 2 mil produtos ficam de fora da sobretaxa
Embora a tarifa de 25% passe a valer para diversos produtos brasileiros, uma extensa lista de exceções foi divulgada pelas autoridades americanas. Entre os itens isentos estão alimentos, combustíveis, minérios, medicamentos, aeronaves, componentes eletrônicos e diversas matérias-primas utilizadas pela indústria dos Estados Unidos.
Segundo o USTR, esses produtos foram excluídos porque são considerados essenciais para cadeias produtivas americanas ou possuem baixa disponibilidade de fornecedores alternativos, o que poderia provocar aumento de custos e dificuldades de abastecimento.
Brasil pode enfrentar nova tarifa
Além da tarifa de 25%, o governo dos Estados Unidos avalia aplicar uma nova sobretaxa de 12,5% sobre importações brasileiras após a conclusão de investigações conduzidas pelo USTR. A proposta está relacionada à alegação de que o Brasil importaria produtos originados de países associados ao uso de trabalho forçado.
O governo brasileiro já apresentou sua defesa, destacando a legislação nacional de combate ao trabalho escravo, as operações de fiscalização realizadas pelas autoridades e a participação do país em acordos internacionais voltados ao enfrentamento dessa prática.
Caso seja confirmada, a nova tarifa poderá ampliar ainda mais a carga tributária incidente sobre produtos brasileiros vendidos ao mercado norte-americano.
Brasil terá uma das maiores tarifas médias
Levantamento do Global Trade Alert (GTA) indica que, após a entrada em vigor das novas medidas, a tarifa efetiva média aplicada aos produtos brasileiros chegará a 18,2%.
Com esse percentual, o Brasil passará a ocupar a segunda posição entre os países mais afetados pela política tarifária dos Estados Unidos, atrás apenas da China, cuja tarifa média alcança 27%.
O cenário, no entanto, poderá sofrer novas alterações nos próximos dias. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, informou que Washington pretende anunciar novas medidas tarifárias envolvendo cerca de 60 países, conforme avançam as investigações comerciais conduzidas pelo USTR.
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Canadá também entra na mira das novas tarifas
A política comercial do governo Donald Trump também atingiu o Canadá. Os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 50% sobre uma ampla lista de produtos canadenses, incluindo itens como bebidas alcoólicas, veículos, laticínios, cimento e equipamentos esportivos.
Segundo a Casa Branca, a medida foi adotada em resposta ao que considera práticas discriminatórias do governo canadense contra produtos americanos e passará a valer em agosto.
Com a ampliação das barreiras comerciais para diferentes parceiros, cresce a expectativa do mercado sobre os impactos das novas tarifas nas cadeias globais de produção, no comércio internacional e nos custos para empresas e consumidores.