EUA devem anunciar em breve decisão sobre novas tarifas contra produtos brasileiros

Representante comercial dos Estados Unidos afirma que negociações continuam, mas admite divergências com o Brasil; definição sobre eventual tarifa adicional deve ocorrer até 15 de julho.

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Última atualização:  09 de jul, 2026 às 13:04
Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático.jpg Lula durante encontro com Donald Trump na 47ª Cúpula da ASEAN (Foto: Agência Brasil/Wikimedia Commons/CC)

Os Estados Unidos devem divulgar nos próximos dias a decisão sobre uma possível ampliação das tarifas aplicadas a produtos brasileiros. A sinalização foi feita nesta quinta-feira (9) pelo representante comercial americano, Jamieson Greer, que afirmou que o governo segue negociando com o Brasil, mas reconheceu que ainda existem diferenças importantes entre os dois países em relação às práticas comerciais analisadas pela investigação.

Segundo Greer, a definição será tomada antes do prazo legal de 15 de julho, data prevista para o encerramento da apuração conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).

“Temos conversado com os brasileiros. Temos tentado negociar. Ainda há uma grande distância entre nós e vocês verão uma decisão final muito em breve”, afirmou o representante comercial em entrevista à emissora Fox Business.

Investigação pode resultar em tarifa adicional

A análise conduzida pelo USTR tem como base a Seção 301 da legislação comercial americana, instrumento utilizado pelo governo dos Estados Unidos para investigar práticas consideradas desleais no comércio internacional.

Entre os temas avaliados estão regras relacionadas aos serviços de pagamentos eletrônicos, acesso ao mercado de etanol, proteção à propriedade intelectual e políticas tarifárias consideradas preferenciais.

Caso as conclusões da investigação sejam mantidas, alguns produtos brasileiros poderão ser alvo de uma tarifa adicional de 25% ao entrarem no mercado americano.

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Brasil contesta investigação

O governo brasileiro apresentou oficialmente sua contestação ao relatório elaborado pelo USTR. O documento, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, pede que os Estados Unidos retirem o Brasil da investigação e reconsiderem as conclusões apresentadas.

Na avaliação do Itamaraty, o relatório não apresenta provas suficientes para justificar sanções comerciais. O governo brasileiro argumenta que não existem evidências de que produtos produzidos com trabalho forçado tenham sido exportados aos Estados Unidos ou causado prejuízos à indústria americana.

Além disso, a diplomacia brasileira afirma que as autoridades americanas deixaram de considerar medidas adotadas pelo Brasil para combater irregularidades trabalhistas e utilizam exemplos que não refletem a realidade do país.

Audiências continuam em Washington

Enquanto o prazo da investigação se aproxima do fim, representantes do setor privado brasileiro e americano participam de audiências públicas organizadas pelo governo dos Estados Unidos. As sessões têm como objetivo reunir manifestações favoráveis e contrárias à adoção das novas tarifas antes da decisão final.

Entre os participantes esteve o senador e pré-candidato a presidência Flávio Bolsonaro, que apresentou argumentos contra a aplicação das medidas durante uma audiência realizada nesta semana. A participação ocorreu em meio às discussões sobre a política comercial americana e às críticas envolvendo a atuação de integrantes da família Bolsonaro nas relações entre os dois países.

Em meio as narrativas que responsabilizam o clã Bolsonaro pelas retaliações econômicas de Donald Trump ao Brasil, o senador iniciou uma contraofensiva política. A crise começou após o fracasso das investidas do ex-parlamentar Eduardo Bolsonaro junto a Washington para constranger o STF e blindar o ex-presidente de uma condenação por tentativa de golpe.

Em pronunciamento oficial enviado por sua assessoria, Flávio pediu aos membros do comitê americano que “não imponham as tarifas ao Brasil, preservem o sucesso do Pix”, sugerindo uma via de negociação bilateral.

Produtos podem ficar fora das tarifas

Embora a decisão ainda não tenha sido anunciada, parte das exportações brasileiras pode permanecer isenta de eventual sobretaxa. Entre os produtos citados nas discussões estão carne bovina, café, terras raras e componentes destinados à indústria aeronáutica.

A lista definitiva de itens atingidos ou preservados dependerá da conclusão da investigação conduzida pelo USTR, cuja divulgação é esperada até o próximo dia 15 de julho.

Até lá, Brasil e Estados Unidos seguem tentando reduzir as divergências apontadas pelas autoridades americanas, enquanto o setor exportador acompanha com atenção uma decisão que poderá afetar o fluxo comercial entre os dois países.

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.