Lula dispara contra filhos de Bolsonaro e os chama de "traidores da pátria"
Presidente afirma que articulações de aliados do ex-presidente nos Estados Unidos contribuíram para medidas comerciais anunciadas por Washington contra produtos brasileiros
Imagem: Reuters/Adriano Machado/Reprodução
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a elevar o tom contra a família Bolsonaro nesta terça-feira (2). Durante evento realizado em Catalão (GO), o petista associou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros.
Em discurso, Lula afirmou que integrantes da família Bolsonaro teriam buscado apoio de autoridades americanas para pressionar o governo brasileiro e classificou a postura como uma afronta aos interesses nacionais.
“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele”, declarou o presidente. Segundo Lula, os parlamentares da família agiram contra os interesses econômicos do país ao manter interlocução com setores da administração americana favoráveis à adoção de medidas contra o Brasil.
Lula relaciona tarifa dos EUA a contatos de bolsonaristas
As declarações ocorreram um dia após o Escritório de Comércio dos Estados Unidos apresentar um relatório propondo a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de práticas consideradas restritivas ao comércio norte-americano.
Lula afirmou que a medida estaria ligada à atuação política de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nos Estados Unidos.
Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro esteve em Washington, onde participou de reuniões com o presidente americano Donald Trump e integrantes de sua equipe. Nesta terça-feira, o parlamentar afirmou que pediu ao governo americano para não impor tarifas ao Brasil.
O presidente, porém, contestou essa versão durante o evento em Goiás e voltou a criticar a atuação dos filhos do ex-presidente.
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Presidente cita publicações feitas após anúncio de sanções
Durante o discurso, Lula relembrou manifestações públicas feitas por integrantes da família Bolsonaro após o anúncio das primeiras medidas comerciais americanas contra o Brasil, ocorrido em julho do ano passado. Segundo o presidente, publicações feitas à época demonstrariam apoio às decisões adotadas por Washington.
Lula também mencionou pedidos relacionados à aplicação da Lei Magnitsky, legislação dos Estados Unidos utilizada para impor sanções a indivíduos acusados de violações de direitos humanos ou corrupção.
Petista endurece críticas à família Bolsonaro
Ao comentar o episódio, Lula fez uma das críticas mais duras já direcionadas à família do ex-presidente. Segundo ele, a atuação dos bolsonaristas representa uma postura incompatível com os interesses nacionais e prejudica setores importantes da economia brasileira, como o agronegócio e a indústria exportadora.
O presidente afirmou ainda que eventuais medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos teriam impacto sobre trabalhadores e empresários brasileiros, e não apenas sobre seu governo.
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China amplia mercado para carne brasileira
Na mesma fala, Lula destacou uma decisão recente das autoridades chinesas relacionada ao setor agropecuário brasileiro. Segundo o presidente, a China reconheceu o Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação, o que abre espaço para ampliação das exportações de carne ao mercado chinês.
O petista afirmou que a medida ajuda a compensar possíveis dificuldades comerciais com outros parceiros e reforça a estratégia do governo de diversificar mercados para os produtos brasileiros.
Tarifa proposta pelos EUA ainda depende de tramitação
A proposta de sobretaxa apresentada pelo governo americano ainda não entrou em vigor e deverá passar por etapas adicionais de análise antes de uma eventual implementação. O tema continua sendo acompanhado pelo governo brasileiro, por representantes do setor produtivo e por exportadores que podem ser afetados caso as tarifas avancem.
Nos próximos dias, autoridades dos dois países devem manter contatos diplomáticos para discutir os impactos da medida e buscar alternativas para reduzir as tensões comerciais.