Pesquisa Atlas expõe desgaste de Flávio após embate com Michelle
Uma pesquisa Atlas/Bloomberg revela que a maioria dos eleitores acredita que o atrito entre Michelle e Flávio Bolsonaro enfraquece a pré-candidatura do senador à Presidência.
Imagem: Isac Nóbrega/PR
O atrito entre Michelle e Flávio Bolsonaro passou a ser visto pela maioria dos eleitores como um fator negativo para a pré-candidatura do senador à Presidência da República, segundo levantamento divulgado pela Atlas/Bloomberg nesta quarta-feira (2). A pesquisa indica que o episódio envolvendo integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro repercutiu amplamente entre os brasileiros e pode influenciar a disputa pela liderança do campo conservador nas eleições de 2026.
Os dados mostram que a crise ganhou dimensão nacional após a divulgação de um vídeo publicado por Michelle Bolsonaro no fim de junho. Além de medir a percepção sobre o conflito, o levantamento também avaliou quem os eleitores consideram o principal herdeiro político de Bolsonaro e simulou um eventual segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
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De acordo com o levantamento, a maior parte dos entrevistados acredita que o episódio prejudica a imagem de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial.
Os números apontam que 37,8% dos participantes afirmam que o desentendimento enfraquece significativamente a pré-candidatura do senador, enquanto outros 26,3% avaliam que o impacto é moderado. Somados, mais de seis em cada dez entrevistados enxergam consequências negativas para o parlamentar.
Por outro lado, 22,4% entendem que o conflito não interfere na disputa eleitoral, enquanto apenas 9,2% consideram que a exposição pública do episódio pode fortalecer Flávio politicamente.
O resultado reforça que a crise familiar ultrapassou o âmbito privado e passou a integrar o debate sobre a sucessão do ex-presidente Jair Bolsonaro dentro da direita brasileira.
Vídeo publicado por Michelle teve ampla repercussão
Outro dado destacado pela pesquisa é o alcance do vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro em 24 de junho. Segundo o levantamento, 78% dos entrevistados afirmaram ter tomado conhecimento da gravação.
Na publicação, Michelle relatou ter sido humilhada por Flávio Bolsonaro durante um episódio familiar e fez críticas ao comportamento do senador, classificando-o como grosseiro e desrespeitoso.
Entre aqueles que assistiram ao vídeo, 38,3% disseram concordar mais com Michelle Bolsonaro. Já 20,6% afirmaram apoiar a posição apresentada por Flávio Bolsonaro. Outros 21,4% declararam concordar parcialmente com ambos, enquanto o restante não manifestou posicionamento definido.
Os números mostram que, embora Michelle tenha obtido maior apoio entre quem acompanhou o caso, o episódio também dividiu opiniões entre os eleitores.
Flávio lidera disputa pela sucessão de Bolsonaro
Apesar do desgaste apontado pela pesquisa, Flávio Bolsonaro continua sendo o nome mais lembrado pelos entrevistados para assumir a liderança política do grupo ligado ao ex-presidente.
Segundo a Atlas/Bloomberg, 43,2% dos participantes indicam o senador como principal sucessor de Jair Bolsonaro.
Na sequência aparecem o deputado federal Nikolas Ferreira, com 18,4%, seguido por Renan Santos, com 14,5%.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, registra 8,6%, enquanto Eduardo Bolsonaro soma 4,5%. Michelle Bolsonaro aparece com 3,9% das preferências.
Quando questionados sobre quem representa maior fidelidade às orientações políticas do ex-presidente, 38,3% apontam Flávio Bolsonaro. Outros 30,9% avaliam que ele e Michelle possuem o mesmo grau de alinhamento, enquanto 15,5% consideram a ex-primeira-dama a figura mais fiel ao legado político de Bolsonaro.
Eleitores avaliam decisão de Michelle de tornar conflito público
A pesquisa também procurou entender como os brasileiros interpretaram a decisão de Michelle Bolsonaro de divulgar o vídeo nas redes sociais.
Para 51% dos entrevistados, a atitude foi correta. Em contrapartida, 35,1% afirmaram discordar da exposição pública do conflito.
Sobre as motivações da ex-primeira-dama, 38,6% acreditam que a divulgação pode estar relacionada ao interesse em disputar a Presidência da República, enquanto 28,5% entendem que Michelle apenas decidiu tornar públicas divergências pessoais e políticas com Flávio Bolsonaro.
O restante dos entrevistados apresentou outras interpretações ou declarou não ter opinião formada sobre o assunto.
Simulação eleitoral mantém Lula à frente
Além da avaliação sobre o conflito, a Atlas/Bloomberg testou um cenário de segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
Nesse cenário, Lula aparece com 48,8% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 42,3%.
Brancos, nulos e indecisos representam 8,9% dos entrevistados.
Segundo o instituto, os resultados permanecem estáveis em relação ao levantamento realizado em maio, considerando a margem de erro da pesquisa.
Como foi realizada a pesquisa Atlas/Bloomberg
O levantamento foi realizado entre os dias 25 e 30 de junho por meio de recrutamento digital aleatório.
Ao todo, foram ouvidos 5 mil eleitores em todo o país.
A pesquisa possui margem de erro de um ponto percentual, nível de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04582/2026.