Marco Rubio responde Flávio Bolsonaro em carta e reafirma posição dos EUA sobre tarifas

Secretário de Estado dos EUA reafirma críticas comerciais ao Brasil, cita consulta pública e diz que governo americano seguirá avaliando medidas tarifárias.

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Última atualização:  26 de jun, 2026 às 11:54
Marco Rubio e Flávio Bolsonaro posam juntos durante encontro oficial em Washington, em foto divulgada após reunião. Foto: Reprodução/Redes Sociais

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, respondeu oficialmente à carta enviada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e reafirmou a posição do governo norte-americano favorável à continuidade da análise de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

A resposta foi divulgada nesta sexta-feira (26) e reforça que Washington mantém críticas a práticas comerciais atribuídas ao Brasil, ao mesmo tempo em que informa que o processo seguirá com consulta pública e audiência antes de uma decisão definitiva.

A correspondência foi enviada após Flávio Bolsonaro pedir, no início de junho, que os Estados Unidos evitassem impor novas sobretaxas às exportações brasileiras. Na resposta, Rubio agradeceu o contato, mas deixou claro que o governo americano considera que ainda existem divergências relevantes na relação comercial entre os dois países.

Carta reforça posição oficial dos Estados Unidos

No documento, Marco Rubio afirma que as medidas propostas decorrem de uma investigação comercial iniciada em 2025 e conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

Segundo o secretário de Estado, o governo americano entende que determinadas políticas brasileiras prejudicam empresas e interesses econômicos dos Estados Unidos.

Entre os pontos citados na carta estão:

  • Comércio digital;
  • Serviços de pagamentos eletrônicos, incluindo o Pix;
  • Tarifas preferenciais consideradas injustas;
  • Aplicação das normas anticorrupção;
  • Proteção à propriedade intelectual;
  • Acesso ao mercado de etanol;
  • Combate ao desmatamento ilegal.

Rubio afirma que essas questões continuam sendo objeto de análise e que, até o momento, permanecem diferenças importantes entre os dois governos.

Carta de Marco Rubio a Flávio Bolsonaro.
Carta de Marco Rubio a Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

Consulta pública continua aberta

Embora tenha mantido a posição favorável às tarifas em estudo, Rubio destacou que o processo ainda não foi concluído.

Na carta, ele informa que representantes brasileiros e demais interessados podem participar da consulta pública aberta pelo governo americano para apresentar argumentos sobre as medidas propostas.

Além disso, está prevista uma audiência pública organizada pelo USTR, marcada para o início de julho, etapa que integra o processo antes da decisão final sobre eventual aplicação das tarifas.

A resposta também esclarece que a condução da investigação comercial não é responsabilidade direta do Departamento de Estado, mas do representante comercial dos Estados Unidos.

Agradecimento por apoio em tema de segurança

Além da pauta econômica, Marco Rubio aproveitou a correspondência para agradecer a Flávio Bolsonaro pelo apoio à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas segundo a legislação americana.

Na avaliação do secretário, a medida fortalece o combate às redes internacionais ligadas ao tráfico de drogas, armas e recursos financeiros utilizados pelas organizações criminosas.

Rubio afirmou que a cooperação internacional é importante para enfrentar o crime organizado transnacional e proteger tanto cidadãos americanos quanto brasileiros.

Flávio Bolsonaro havia pedido que tarifas fossem evitadas

A resposta foi enviada após Flávio Bolsonaro encaminhar uma carta ao governo americano defendendo que novas sobretaxas poderiam provocar impactos negativos para a economia brasileira e para a população.

Na ocasião, o senador também manifestou confiança em uma futura aproximação entre os dois países caso seja eleito presidente nas eleições brasileiras.

Em sua resposta, Rubio registrou o conteúdo da mensagem e afirmou que os Estados Unidos estão dispostos a trabalhar com qualquer governo escolhido democraticamente pelos brasileiros para ampliar a cooperação comercial e econômica.

Tarifaço ainda depende de decisão do governo americano

As tarifas mencionadas na investigação ainda não entraram em vigor.

O governo dos Estados Unidos analisa propostas que incluem sobretaxas sobre produtos brasileiros em diferentes percentuais, fundamentadas nas conclusões das investigações comerciais conduzidas pelo USTR.

Enquanto isso, representantes brasileiros seguem buscando diálogo com autoridades americanas para tentar evitar a adoção das medidas.

A expectativa é que a decisão ocorra após a conclusão das etapas de consulta pública e da audiência prevista para julho.

Impacto pode atingir comércio bilateral

Caso as tarifas sejam confirmadas, especialistas avaliam que alguns setores exportadores brasileiros poderão enfrentar aumento dos custos para acessar o mercado norte-americano, reduzindo competitividade em determinados segmentos.

Ao mesmo tempo, o processo mantém espaço para manifestações de empresas, entidades e representantes dos dois países antes da definição oficial da política comercial.

Até que haja uma decisão definitiva, a carta enviada por Marco Rubio sinaliza que a posição do governo dos Estados Unidos permanece inalterada em relação às críticas apresentadas durante a investigação comercial.

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Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.