Alta do petróleo pode reforçar contas públicas em R$ 10,7 bilhões em 2026

Simulação da XP Investimentos indica que aumento de US$ 10 no barril do Brent elevaria arrecadação e resultado primário, mas também traria pressão inflacionária.

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Última atualização:  04 de mar, 2026 às 17:22
Navio-sonda na Baía de Guanabara com o Pão de Açúcar e o Corcovado ao fundo - Rio de Janeiro, Brasil. Imagem: Envato Elements.

A recente valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio, pode trazer efeitos relevantes para as contas públicas brasileiras.

De acordo com projeções da XP Investimentos, um aumento de US$ 10 no preço do barril do petróleo Brent pode gerar R$ 10,7 bilhões adicionais nas estimativas de receita líquida e resultado primário do governo federal em 2026.

O principal fator por trás desse impacto é o aumento da arrecadação ligada à produção e comercialização de petróleo no país.

Royalties e participações impulsionam arrecadação

Segundo a análise da XP, um avanço de US$ 10 no preço do barril poderia acrescentar cerca de R$ 10,5 bilhões em receitas provenientes da atividade petrolífera, incluindo:

  • royalties sobre a produção
  • participações especiais
  • ganhos associados à comercialização da commodity

Entretanto, uma parte significativa desses recursos não permanece integralmente com o governo federal. Isso ocorre porque entre 55% e 60% da arrecadação é repartida com estados e municípios, reduzindo o impacto direto nas contas da União.

Com essa divisão, o ganho líquido estimado para o governo federal ficaria em aproximadamente R$ 4,5 bilhões.

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Dividendos e tributos também ampliam receitas

Além das receitas provenientes da exploração de petróleo, a valorização da commodity também tende a gerar efeitos indiretos nas contas públicas.

A XP estima que dividendos e participações societárias ligados ao setor podem acrescentar cerca de R$ 3,7 bilhões às receitas federais em 2026, caso o aumento do petróleo seja refletido nos preços de combustíveis.

Esse tipo de receita possui uma característica importante: não é compartilhada com estados e municípios, podendo contribuir diretamente para a redução da dívida pública.

Outro impacto relevante ocorre na arrecadação tributária das empresas do setor. A projeção indica que impostos como IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica) CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) poderiam gerar aproximadamente R$ 5 bilhões em arrecadação bruta, o que corresponde a cerca de R$ 2,5 bilhões líquidos para o governo federal.

Petróleo mais caro pode melhorar projeção fiscal

Com esses efeitos combinados, a valorização da commodity poderia contribuir para melhorar o cenário fiscal brasileiro.

Atualmente, as estimativas da XP apontam para um déficit primário de cerca de R$ 48,9 bilhões em 2026. Um preço mais elevado do petróleo funcionaria como um reforço adicional na arrecadação, reduzindo a pressão sobre o resultado das contas públicas.

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Inflação pode subir com choque no petróleo

Apesar do impacto positivo para o lado fiscal, a valorização do petróleo também traz desafios para a economia.

De acordo com a simulação da XP, um aumento de US$ 10 no barril do Brent poderia elevar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em cerca de 0,4 ponto percentual em 2026.

Isso ocorre porque combustíveis e energia possuem peso relevante no índice de inflação. Dessa forma, o aumento da commodity tende a se refletir nos preços ao consumidor.

Assim, o efeito final de um petróleo mais caro envolve um equilíbrio delicado: maior arrecadação para o governo, mas também maior pressão inflacionária, o que pode influenciar decisões de política monetária e a trajetória dos juros no país.

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Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.