Pix agora é rastreado: nova ferramenta do Banco Central entra em vigor e segue o caminho do dinheiro

O Banco Central passou a exigir o uso do MED 2.0, nova versão do Mecanismo Especial de Devolução, que permite rastrear transferências via Pix em cadeia.

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02 de fev, 2026 às 19:00
Dois smartphones posicionados lado a lado exibindo interfaces relacionadas ao Pix. Imagem: Agência Brasil

Pix agora é rastreado com a entrada em vigor de uma nova ferramenta criada pelo Banco Central para combater fraudes e golpes financeiros. A partir desta segunda-feira (2), passou a valer o MED 2.0, versão atualizada do Mecanismo Especial de Devolução, que permite acompanhar o trajeto do dinheiro transferido via Pix, mesmo quando os valores são enviados para várias contas diferentes.

A medida é considerada um avanço importante no combate a crimes financeiros, sobretudo diante do aumento expressivo de golpes envolvendo o sistema de pagamentos instantâneos. Desenvolvido como parte do ecossistema do Pix, o MED 2.0 se torna obrigatório para todas as instituições financeiras e de pagamento, com expectativa de ampliar as chances de recuperação de valores por parte das vítimas.

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O MED 2.0 é uma evolução do mecanismo criado em 2021 para permitir a devolução de recursos em casos de fraude. A principal mudança é que, agora, o sistema consegue rastrear o Pix em cadeia, acompanhando o caminho do dinheiro mesmo após múltiplas transferências entre contas.

Na versão anterior, o bloqueio era limitado à primeira conta que recebia o valor. Caso o golpista transferisse rapidamente o dinheiro para outros destinatários, os recursos escapavam do congelamento. Com o novo modelo, essa brecha deixa de existir.

Assim que a vítima aciona o mecanismo, as instituições financeiras passam a monitorar todas as movimentações relacionadas àquela transação, podendo bloquear valores em qualquer ponto da cadeia, desde que ainda estejam disponíveis.

Por que o Banco Central decidiu mudar o sistema

A decisão de aprimorar o mecanismo ocorre em meio ao crescimento dos golpes digitais. Segundo dados da Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP), mais de 28 milhões de pessoas foram lesadas em 2025 em fraudes que envolvem o Pix.

O Banco Central avalia que a rapidez do sistema, embora seja um de seus principais benefícios, também passou a ser explorada por criminosos. Por isso, o MED 2.0 foi desenvolvido para equilibrar agilidade e segurança, sem comprometer o funcionamento do Pix como meio de pagamento instantâneo.

Medidas semelhantes já vinham sendo discutidas desde 2023, mas agora entram efetivamente em operação em todo o sistema financeiro nacional.

Uso obrigatório, mas com período de adaptação até maio

Embora o Pix agora seja rastreado com a nova ferramenta, o Banco Central estabeleceu um período de adequação até maio, destinado a ajustes técnicos, testes operacionais e estabilização dos sistemas.

Durante esse intervalo, todas as instituições devem concluir a implementação das funcionalidades exigidas pelo MED 2.0. Após esse prazo, o uso pleno do mecanismo passa a ser exigido de forma definitiva.

O descumprimento das regras pode gerar sanções às instituições, conforme previsto na regulamentação do BC.

Novas funcionalidades ampliam contestação e bloqueio preventivo

Além do rastreamento em cadeia, o MED 2.0 traz mudanças operacionais relevantes para os usuários. Entre os principais pontos estão:

  • Botão de contestação obrigatório nos aplicativos bancários, permitindo denunciar suspeitas de fraude diretamente pelo extrato do Pix;
  • Processo totalmente digital, sem necessidade de contato com atendimento humano;
  • Bloqueio automático e preventivo de valores ao longo da cadeia de transferências;
  • Prazo de até sete dias para conclusão da análise e eventual devolução do dinheiro.

Essas funcionalidades buscam reduzir o tempo de resposta e aumentar a eficiência na recuperação de recursos.

Como contestar um Pix suspeito na prática

Para acionar o MED 2.0, o cliente deve acessar o aplicativo do banco, localizar a transação no extrato do Pix e selecionar a opção “contestar” ou “reportar fraude”. O pedido é registrado automaticamente no sistema e analisado pelas instituições envolvidas.

O usuário não precisa apresentar conhecimento técnico nem documentos adicionais no momento inicial. A análise ocorre de forma integrada entre os bancos participantes da transação.

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