Brent dispara e atinge maior valor desde 2022 com tensão no Oriente Médio

Fechamento do Estreito de Ormuz e risco de escalada militar elevam temores de interrupção no fornecimento global

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Última atualização:  30 de abr, 2026 às 14:20
Preço internacional do petróleo. Imagem: Envato Elements.

Os preços internacionais do petróleo atingiram, nesta quinta-feira (29), os níveis mais altos em cerca de quatro anos, impulsionados pela escalada das tensões no Oriente Médio. O barril do tipo Brent chegou a ultrapassar US$ 126, refletindo o temor de uma interrupção prolongada no fornecimento global de energia.

Apesar do pico, as cotações recuaram ao longo do dia, em meio à elevada volatilidade que tem marcado o mercado desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Conflito pressiona oferta global de energia

A principal preocupação dos investidores é o impacto da guerra sobre o fluxo de petróleo, especialmente após o fechamento do Estreito de Ormuz — uma das rotas mais estratégicas do mundo para o transporte de energia.

Por essa passagem circula cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) global, o que torna qualquer restrição um fator crítico para o equilíbrio entre oferta e demanda.

Desde o início das hostilidades, no fim de fevereiro, os preços acumulam forte alta. O Brent já dobrou de valor no período, enquanto o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, registra avanço próximo de 90%.

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Mercado reage a risco de escalada militar

O movimento de alta ganhou força após relatos de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avaliaria novos ataques militares contra o Irã. A possibilidade de ampliação do conflito elevou ainda mais a percepção de risco no mercado.

Analistas alertam que, caso a situação se agrave, o barril pode atingir patamares ainda mais elevados. Há projeções de que o Brent possa chegar a US$ 150 em um cenário de interrupção mais severa da oferta.

Volatilidade marca o mercado

Mesmo com a forte alta inicial, os preços recuaram ao longo do pregão, sem um fator específico claro. O Brent chegou a cair para a casa dos US$ 113, enquanto o WTI recuou para cerca de US$ 104.

Especialistas apontam que o movimento reflete ajustes técnicos, realização de lucros e negociações próximas ao vencimento de contratos futuros, além da incerteza generalizada no cenário geopolítico.

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Tráfego no Estreito de Ormuz despenca

Dados recentes mostram uma queda drástica no fluxo de embarcações pela região. Enquanto antes da guerra cerca de 125 a 140 navios cruzavam diariamente o estreito, nas últimas 24 horas apenas sete embarcações foram registradas.

A redução evidencia o impacto direto do conflito sobre a logística global de energia e reforça o risco de escassez.

Impacto global: inflação e crescimento sob pressão

A disparada do petróleo traz implicações diretas para a economia global. Como insumo essencial, o aumento do preço tende a pressionar a inflação, elevar custos de transporte e produção e reduzir o ritmo de crescimento econômico.

Além disso, a alta nos combustíveis pode afetar diretamente consumidores e empresas, especialmente em países dependentes de importação de energia.

Perspectivas seguem incertas

As negociações diplomáticas seguem travadas. Enquanto os Estados Unidos pressionam por avanços em questões nucleares, o Irã exige concessões relacionadas ao controle do Estreito de Ormuz e compensações pelos danos causados pelo conflito.

Sem sinais concretos de resolução no curto prazo, o mercado deve continuar operando sob forte volatilidade, com os preços do petróleo reagindo a cada novo desdobramento geopolítico.

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.