Petróleo caminha para maior alta mensal da história
O Brent se aproxima de US$ 120 o barril após disparar mais de 60% em março, em meio ao conflito entre EUA, Israel e Irã
Imagem: Envato Elements
O preço do petróleo oscila nesta terça-feira enquanto o mercado se aproxima do fechamento de março, mês que pode registrar a maior alta da história do petróleo em Londres. O movimento ocorre em meio à intensificação dos ataques no Golfo Pérsico e a sinais de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia alternativas para encerrar o conflito com o Irã.
Os contratos futuros do Brent crude para entrega em maio eram negociados próximos de US$ 118 por barril. O petróleo caminha para uma valorização superior a 60% em março, aproximando-se do nível de US$ 120 por barril após a campanha militar conduzida por EUA e Israel contra o Irã provocar um forte choque de oferta no mercado de energia.
Com o vencimento do contrato de maio nesta terça-feira, o contrato de junho — atualmente o mais negociado — apresentou pouca variação e permaneceu abaixo de US$ 108 por barril.
Ataques no Golfo Pérsico aumentam tensão
A escalada do conflito voltou a impactar os preços do petróleo após um petroleiro kuwaitiano ser atingido por um drone iraniano. O navio Al-Salmi, totalmente carregado, foi atacado na área de ancoragem do porto de Dubai, sofrendo danos no casco.
Desde o início da guerra, o Irã tem realizado ataques frequentes a embarcações na região do Golfo. Em episódios anteriores, dois navios também foram atingidos nas proximidades do Iraque.
Segundo analistas do mercado de energia, esses ataques indicam um controle cada vez mais rígido de Teerã sobre o Estreito de Ormuz, rota por onde passa uma parcela significativa do petróleo exportado mundialmente.
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Fechamento do Estreito de Ormuz pressiona oferta global
O conflito, que já entrou na quinta semana, resultou no fechamento quase total do Estreito de Ormuz, interrompendo o fluxo de petróleo bruto, gás natural e derivados como diesel para diversos mercados.
A restrição na oferta global elevou os preços da energia e reacendeu preocupações sobre inflação em diversas economias.
Para Ben Emons, diretor de investimentos da FedWatch Advisors, o ataque ao petroleiro sinaliza riscos renovados de interrupções no fornecimento de energia.
Trump e a possibilidade de encerrar ofensiva militar
Enquanto o mercado acompanha os desdobramentos da guerra, declarações recentes de Donald Trump indicam que Washington pode buscar uma saída para o conflito.
De acordo com reportagem do The Wall Street Journal, o presidente teria informado a assessores que estaria disposto a encerrar a campanha militar mesmo que o Estreito de Ormuz permaneça fechado.
A estratégia dos EUA passaria então a priorizar o enfraquecimento da marinha iraniana e do arsenal de mísseis do país antes de encerrar as hostilidades.
Apesar disso, Trump continua alternando declarações entre a possibilidade de um acordo e ameaças de intensificação das operações militares. Na segunda-feira, ele afirmou que os EUA poderão destruir instalações energéticas e petrolíferas iranianas caso o Irã não reabra a passagem marítima.
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