Estreito de Ormuz é reaberto; Trump diz que acordo com Irã está próximo
Passagem de navios comerciais é liberada após semanas de bloqueio, enquanto negociações avançam entre EUA e Irã
Foto: Anna Moneymaker/Getty Images/Reprodução
O Estreito de Ormuz foi reaberto ao tráfego comercial após semanas de tensão no Oriente Médio. A liberação foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, que afirmou que a passagem para navios está “completamente aberta” durante o período de cessar-fogo.
“Em conformidade com o cessar-fogo no Líbano, a passagem para todos os navios comerciais pelo Estreito de Hormuz é declarada completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Marítima da República Islâmica do Irã”, disse.
A medida ocorre em meio a uma trégua envolvendo Israel e o Líbano, e representa um alívio relevante para o comércio global de petróleo, já que cerca de 20% do fluxo mundial da commodity passa pela região.
Trump diz que acordo com Irã está próximo
Pouco depois, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a maioria dos pontos de um acordo com o Irã já foi negociada. Segundo ele, o processo para encerrar o conflito “deve avançar muito rapidamente”.
“O Estreito de Ormuz está completamente aberto e pronto para negócios e passagem plena”, escreveu Trump na rede Truth Social.
Apesar disso, o presidente destacou que o bloqueio naval americano continuará ativo — mas restrito ao Irã — até que as negociações sejam totalmente concluídas.
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Trégua após semanas de escalada
O tom mais conciliador contrasta com as semanas anteriores, marcadas por escalada militar e fracasso nas negociações realizadas em Islamabad, no Paquistão.
Desde o início do conflito, no fim de fevereiro, o Estreito de Ormuz vinha sendo utilizado como instrumento de pressão geopolítica. O bloqueio chegou a interromper o fluxo marítimo e deixou centenas de navios retidos, além de cerca de 20 mil marinheiros presos na região, segundo relatos internacionais.
Inicialmente, o Irã restringia a passagem principalmente para embarcações ligadas aos Estados Unidos e seus aliados. No entanto, a insegurança acabou afetando o tráfego global como um todo.
Impacto nos mercados globais
A reabertura da principal rota marítima de petróleo teve efeito direto nos mercados. O barril do petróleo registrou forte queda:
- WTI: -9,88%, a US$ 85,33
- Brent: -8,75%, a US$ 90,69
O movimento reflete a redução do risco de interrupção no fornecimento global de energia. Com a reabertura do Estreito de Ormuz e sinais de progresso diplomático, o mercado global passou a precificar um cenário mais positivo para os próximos dias.
Ainda assim, investidores seguem atentos à evolução das negociações, já que pontos sensíveis — como o programa nuclear iraniano — continuam no centro das discussões.
No câmbio, o real também reagiu positivamente, com o dólar caindo 0,74%, para R$ 4,956, à medida que investidores reduziram posições defensivas diante do avanço das negociações.
EUA indicam atuação no Líbano
Trump também afirmou que Israel está proibido de realizar ataques ao Líbano durante o período de cessar-fogo. Segundo o presidente, os Estados Unidos devem atuar em conjunto com o governo libanês para conter o Hezbollah.
Em um anúncio feito ontem por meio da rede Truth Social, o chefe de estado confirmou que Israel e o Líbano, incluindo o grupo Hezbollah, selaram um acordo de cessar-fogo. O acordo surge como uma tentativa de interrupção da escalada de violência que se arrasta desde 2 de março.
De acordo com dados do governo libanês, os confrontos no período já resultaram em mais de 2.000 mortes. A trégua, segundo Trump, deve durar cerca de dez dias, enquanto as negociações seguem em andamento.
“Ambos querem a paz; acredite que isso acontecerá em breve”, declarou o mandatário na publicação.