Israel lança novas ameaças ao Irã: ataques devem “se intensificar e se expandir”
Escalada militar ocorre enquanto EUA pressionam pela reabertura do Estreito de Ormuz e alertam para risco de crise energética global.
Imagem: Getty Images/Reprodução via CNN.
O conflito entre Israel e Irã voltou a escalar nesta sexta-feira (26), após autoridades israelenses afirmarem que os ataques contra alvos iranianos devem “se intensificar e se expandir”. A declaração ocorre enquanto os Estados Unidos afirmam que tentam avançar em negociações para encerrar a guerra.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que Teerã pagará um “preço alto e crescente” pelos ataques com mísseis realizados contra o território israelense.
Sirenes de ataque aéreo voltaram a soar em várias cidades de Israel, enquanto o exército informou que continua interceptando mísseis iranianos diariamente.
Ataques atingem instalações militares no Irã
Segundo as forças armadas de Israel, os bombardeios desta sexta-feira tiveram como alvo instalações estratégicas no centro de Teerã, incluindo locais utilizados para produção de mísseis balísticos e armamentos militares.
Também foram atingidos lançadores e depósitos de mísseis no oeste do Irã, em uma tentativa de reduzir a capacidade ofensiva do país.
Ao mesmo tempo, ataques ocorreram em outras áreas da região. No Líbano, fumaça foi vista sobre Beirute após bombardeios antes do amanhecer. Autoridades locais informaram que duas pessoas morreram.
Estreito de Ormuz amplia risco de crise energética
A guerra também tem impacto direto no mercado de energia global, especialmente após o Irã restringir o tráfego no Estreito de Ormuz.
A via marítima é considerada uma das rotas mais estratégicas do mundo, por onde normalmente passa cerca de 20% do petróleo transportado globalmente.
Segundo governos de países do Golfo, o Irã estaria cobrando taxas de navios que desejam atravessar o estreito, medida que eleva os temores de uma crise energética internacional.
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Trump dá prazo para reabertura do estreito
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que concedeu tempo ao Irã para reabrir o tráfego no estreito.
Segundo ele, se o país não restabelecer o acesso até 6 de abril, Washington poderá ordenar ataques contra instalações energéticas iranianas.
Apesar da ameaça, Trump afirmou que as negociações para encerrar o conflito estariam “indo muito bem”. O governo iraniano, no entanto, declarou que não participa de nenhuma negociação direta com os EUA.
Ataques se espalham pelo Golfo
O conflito também atingiu outros países da região. Na Arábia Saudita, autoridades informaram que mísseis e drones foram interceptados antes de atingir a capital, Riad.
Já o Kuwait relatou danos materiais em ataques contra dois portos estratégicos:
- Porto de Shuwaikh
- Porto Mubarak Al Kabeer
O segundo integra projetos ligados à iniciativa chinesa Belt and Road Initiative.
EUA enviam tropas ao Oriente Médio
Enquanto pressionam por uma solução diplomática, os Estados Unidos também reforçaram a presença militar na região.
Navios americanos transportando cerca de 2.500 fuzileiros navais foram enviados ao Oriente Médio, além de 1.000 paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada.
O enviado especial americano para o Oriente Médio, Steve Witkoff, afirmou que Washington apresentou ao Irã uma proposta de cessar-fogo em 15 pontos, mediada pelo Paquistão.
A proposta inclui:
- restrições ao programa nuclear iraniano
- reabertura do Estreito de Ormuz
- medidas para reduzir as tensões militares
Teerã rejeitou o plano e apresentou uma contraproposta com cinco pontos, que inclui reparações e reconhecimento de sua soberania sobre o estreito.
ONU alerta para crise humanitária
O Conselho de Segurança das Nações Unidas realizou nesta sexta-feira uma reunião a portas fechadas para discutir a escalada do conflito.
Segundo o secretário-geral do Norwegian Refugee Council, Jan Egeland, o impacto humanitário da guerra já é significativo. Equipes no Irã relataram que casas, hospitais e escolas foram destruídos em vários bairros de Teerã.
A Organização Internacional para as Migrações informou que 82 mil edifícios civis foram danificados, afetando diretamente cerca de 180 mil pessoas. Segundo Egeland, se a guerra continuar, milhões de pessoas podem ser forçadas a deixar suas casas e cruzar fronteiras.
Com informações de Valor Econômico.