Petróleo recua após cessar-fogo entre Israel e Irã

Mercado reduz prêmio de risco geopolítico e volta a monitorar desaceleração do consumo global da commodity.

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Última atualização:  09 de jun, 2026 às 12:46
Máquina de extração de petróleo bruto Jack Fracking com bomba de óleo Texas Sunset. Imagem: Envato Elements.

Os preços internacionais do petróleo operaram em queda nesta terça-feira (10), devolvendo parte dos ganhos registrados na sessão anterior. O movimento ocorre em meio à redução das tensões no Oriente Médio, após declarações de autoridades de Israel e do Irã indicando uma interrupção temporária das hostilidades.

Além do alívio geopolítico, investidores também reavaliam as perspectivas para a demanda global pela commodity, diante de indicadores que apontam consumo abaixo do esperado em importantes economias.

Brent e WTI registram perdas

Por volta do início da manhã, os principais contratos futuros do petróleo apresentavam desvalorização nos mercados internacionais.

O Brent, referência global para os preços da commodity, era negociado abaixo dos níveis observados no pregão anterior. Já o WTI, principal referência dos Estados Unidos, também registrava perdas, refletindo o aumento da percepção de que os riscos imediatos para a oferta diminuíram.

A queda ocorre após uma sequência de fortes oscilações provocadas pelas incertezas envolvendo o conflito entre Israel e Irã e seus possíveis impactos sobre o fornecimento global de energia.

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Trégua reduz preocupação com oferta

O mercado repercutiu positivamente as sinalizações de uma pausa nos confrontos. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país interromperia temporariamente as operações militares contra o Irã.

Do outro lado, autoridades iranianas também indicaram a suspensão de ações ofensivas, embora tenham ressaltado que novas respostas poderão ocorrer caso haja retomada dos ataques.

A diminuição das tensões reduz o temor de interrupções mais severas na produção e no transporte de petróleo no Oriente Médio, região responsável por parcela significativa da oferta global da commodity.

Demanda global volta ao centro das atenções

Com o risco geopolítico perdendo força, os investidores voltam a focar nos fundamentos do mercado. Relatórios recentes apontam desaceleração do consumo de combustíveis em importantes economias, especialmente na China e em países da Europa Ocidental.

Segundo análises do Goldman Sachs, indicadores de vendas de combustíveis no varejo mostraram desempenho mais fraco do que o esperado nos últimos meses, sugerindo uma demanda global menos aquecida. A instituição estima que os efeitos econômicos decorrentes das turbulências envolvendo o Estreito de Ormuz contribuíram para uma redução significativa no consumo mundial de petróleo durante o período.

Goldman Sachs mantém projeções para o petróleo

Apesar das preocupações com a demanda, o Goldman Sachs continua trabalhando com preços relativamente elevados para a commodity nos próximos trimestres. A instituição projeta o petróleo Brent em torno de US$ 90 por barril no quarto trimestre de 2026, enquanto o WTI é estimado em aproximadamente US$ 83 por barril no mesmo período.

Os analistas destacam que os riscos permanecem equilibrados. De um lado, uma recuperação mais lenta da atividade econômica global pode limitar o consumo de energia. De outro, eventuais interrupções na oferta do Oriente Médio continuam representando um fator de sustentação para os preços.

Com Valor Econômico.

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.