Petróleo recua após cessar-fogo entre Israel e Irã
Mercado reduz prêmio de risco geopolítico e volta a monitorar desaceleração do consumo global da commodity.
Imagem: Envato Elements.
Os preços internacionais do petróleo operaram em queda nesta terça-feira (10), devolvendo parte dos ganhos registrados na sessão anterior. O movimento ocorre em meio à redução das tensões no Oriente Médio, após declarações de autoridades de Israel e do Irã indicando uma interrupção temporária das hostilidades.
Além do alívio geopolítico, investidores também reavaliam as perspectivas para a demanda global pela commodity, diante de indicadores que apontam consumo abaixo do esperado em importantes economias.
Brent e WTI registram perdas
Por volta do início da manhã, os principais contratos futuros do petróleo apresentavam desvalorização nos mercados internacionais.
O Brent, referência global para os preços da commodity, era negociado abaixo dos níveis observados no pregão anterior. Já o WTI, principal referência dos Estados Unidos, também registrava perdas, refletindo o aumento da percepção de que os riscos imediatos para a oferta diminuíram.
A queda ocorre após uma sequência de fortes oscilações provocadas pelas incertezas envolvendo o conflito entre Israel e Irã e seus possíveis impactos sobre o fornecimento global de energia.
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Trégua reduz preocupação com oferta
O mercado repercutiu positivamente as sinalizações de uma pausa nos confrontos. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país interromperia temporariamente as operações militares contra o Irã.
Do outro lado, autoridades iranianas também indicaram a suspensão de ações ofensivas, embora tenham ressaltado que novas respostas poderão ocorrer caso haja retomada dos ataques.
A diminuição das tensões reduz o temor de interrupções mais severas na produção e no transporte de petróleo no Oriente Médio, região responsável por parcela significativa da oferta global da commodity.
Demanda global volta ao centro das atenções
Com o risco geopolítico perdendo força, os investidores voltam a focar nos fundamentos do mercado. Relatórios recentes apontam desaceleração do consumo de combustíveis em importantes economias, especialmente na China e em países da Europa Ocidental.
Segundo análises do Goldman Sachs, indicadores de vendas de combustíveis no varejo mostraram desempenho mais fraco do que o esperado nos últimos meses, sugerindo uma demanda global menos aquecida. A instituição estima que os efeitos econômicos decorrentes das turbulências envolvendo o Estreito de Ormuz contribuíram para uma redução significativa no consumo mundial de petróleo durante o período.
Goldman Sachs mantém projeções para o petróleo
Apesar das preocupações com a demanda, o Goldman Sachs continua trabalhando com preços relativamente elevados para a commodity nos próximos trimestres. A instituição projeta o petróleo Brent em torno de US$ 90 por barril no quarto trimestre de 2026, enquanto o WTI é estimado em aproximadamente US$ 83 por barril no mesmo período.
Os analistas destacam que os riscos permanecem equilibrados. De um lado, uma recuperação mais lenta da atividade econômica global pode limitar o consumo de energia. De outro, eventuais interrupções na oferta do Oriente Médio continuam representando um fator de sustentação para os preços.
Com Valor Econômico.