Petroleiros sancionados deixam a Venezuela após captura de Maduro
Na esteira da prisão de Nicolás Maduro, navios venezuelanos alteram dados de navegação para escapar do bloqueio estadunidense.
Foto: Reuters/Reprodução
Após a ofensiva dos Estados Unidos que levou à captura de Nicolás Maduro, um grupo de navios petroleiros deixou águas venezuelanas em movimento coordenado para driblar o bloqueio naval imposto ao país. A informação foi divulgada pelo The New York Times,
Segundo apuração do jornal, imagens de satélite e documentos internos da PDVSA indicam que pelo menos 16 embarcações saíram do território marítimo da Venezuela nos últimos dias.
Parte desses navios teria recorrido a táticas como uso de nomes falsos e manipulação de coordenadas — prática conhecida como spoofing — para dificultar o rastreamento internacional.
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Exportações continuam alvo de sanções
Mesmo após a captura de Maduro, o governo americano manteve as restrições ao petróleo venezuelano. O secretário de Estado, Marco Rubio, reiterou que a “quarentena do petróleo” seguirá em vigor, com exceção das operações da Chevron.
De acordo com a plataforma de monitoramento marítimo TankerTrackers.com, outros 12 navios deixaram o país carregados com petróleo bruto e derivados. Outros petroleiros teriam partido vazios após completar entregas internas.
Essas saídas representam vem sendo analisadas como um alívio momentâneo para a estatal venezuelana, que acumulava grande volume de petróleo estocado em navios desde o início do bloqueio.
Com as exportações de petróleo representando a principal fonte de receita do país, o governo interino — agora liderado pela ministra do petróleo e vice-presidente Delcy Rodríguez — depende dessa renda para manter gastos públicos e tentar preservar a estabilidade política e social.
Fontes do setor afirmam que as recentes movimentações ocorreram sem autorização formal do novo comando político instalado após a captura de Maduro.
Navios operam à margem das regras internacionais

Especialistas consultados pelo jornal apontam que o episódio reforça o uso crescente da chamada “frota fantasma”, grupo informal de navios que opera fora dos protocolos internacionais.
Entre as estratégias comuns estão alteração de identidade, desligamento de transmissores e simulação de rotas em outras regiões do planeta.
Forças americanas já teriam interceptado ao menos três embarcações desde o início da operação naval. Um navio destinado à China foi apreendido; outro acabou liberado após inspeção.
Declarações contraditórias em Washington
As posições do governo americano divergiram ao longo do fim de semana. Donald Trump declarou que os Estados Unidos estariam “no comando” da Venezuela e sugeriu interferência direta na administração temporária do país.
Já Marco Rubio, em tom mais cauteloso, afirmou que Washington não pretende atuar na gestão cotidiana venezuelana, limitando-se à manutenção das sanções como instrumento de pressão política.
“Nós mantemos essa quarentena e esperamos ver mudanças, não apenas na forma como a indústria do petróleo é administrada em benefício da população, mas também para que se interrompa o tráfico de drogas”, declarou o secretário.
Maduro permanece detido nos EUA
Nicolás Maduro foi transferido para um centro de detenção em Nova York após ser capturado em Caracas, no último sábado (3), por autoridades americanas. Sua prisão representa o ponto mais recente de escalada na crise venezuelana e desencadeou a corrida clandestina de petroleiros para deixar o país.
Embora os detalhes da captura ainda não tenham sido divulgados oficialmente, o episódio já repercute no cenário diplomático e político da América Latina e além. Nesta segunda-feira (5), Maduro deverá comparecer pela primeira vez a um tribunal nos Estados Unidos, em um desdobramento inédito de um processo criminal que se estende há mais de uma década.
A audiência simboliza um marco nas relações entre Washington e Caracas e reacende o debate jurídico internacional sobre a possibilidade de responsabilização criminal de um chefe de Estado estrangeiro em cortes norte-americanas.
A sessão está marcada para as 14h (horário de Brasília), em Nova York, e será o primeiro contato direto de Maduro com a Justiça dos EUA desde que passou a responder formalmente a acusações relacionadas ao narcotráfico internacional.
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