Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos do Brasil pode valer a partir de 15 de julho

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Última atualização:  08 de jul, 2026 às 09:20
Donald Trump durante pronunciamento sobre política comercial dos Estados Unidos em imagem de arquivo. Foto: REUTERS/Evan Vucci

O tarifaço de Trump ao Brasil em 2026 voltou ao centro do debate econômico nacional nesta semana. Em 1º de junho, o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) concluiu uma investigação iniciada em julho de 2025 e propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla lista de exportações brasileiras para os Estados Unidos. A decisão final cabe ao presidente Donald Trump e o prazo legal para essa definição é 15 de julho de 2026, em menos de dez dias.

A proposta americana justifica as tarifas alegando que políticas e práticas do Brasil são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio norte-americano.

Entre os pontos apontados pelo USTR estão o tratamento dado ao comércio digital, os serviços de pagamento eletrônico como o Pix, o acesso ao mercado brasileiro de etanol, questões de propriedade intelectual e o combate ao desmatamento.

Portanto, a medida vai além de uma simples disputa tarifária, reflete tensões estruturais entre as duas economias.

A audiência pública sobre o tema ocorreu em 6 de julho, com participação de empresários, economistas e representantes do governo brasileiro. Dessa forma, o cenário está posto: Trump tem até o dia 15 para decidir se aplica, reduz ou adia as tarifas.

Quais produtos brasileiros serão afetados pelas tarifas

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o impacto potencial do tarifaço de Trump ao Brasil em 2026 pode atingir US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras para os EUA.

Os setores mais vulneráveis são aqueles com maior dependência do mercado americano e menor capacidade de redirecionar vendas para outros destinos.

Os segmentos com maior exposição à medida incluem: aço e alumínio, máquinas e equipamentos industriais, produtos químicos, calçados e têxteis.

No caso da indústria siderúrgica, os EUA já aplicam tarifas específicas desde a primeira gestão Trump, mas a nova proposta amplia o escopo para praticamente toda a pauta manufaturada.

Além disso, empresas brasileiras que exportam produtos intermediários para o mercado americano podem ver sua competitividade cair sensivelmente.

Em consequência, o risco é que parte das exportações migre para concorrentes asiáticos que já negociam acordos preferenciais com Washington. Assim, o impacto vai além do valor direto exportado: afeta a cadeia produtiva inteira.

Exceções na tarifa: o que fica de fora do tarifaço

Nem tudo está na lista de alvos do tarifaço de Trump ao Brasil. O USTR preservou setores vitais da pauta exportadora brasileira, e essa é uma das razões pelas quais alguns analistas avaliam o impacto como “limitado” em comparação ao pior cenário possível.

As exceções confirmadas até agora incluem: carne bovina, café, petróleo, aeronaves e peças aeronáuticas (setor da Embraer), frutas e suco de laranja, minerais e terras raras, além de boa parte dos produtos agropecuários. Portanto, o agronegócio, principal pilar das exportações brasileiras para os EUA, segue amplamente protegido por ora.

No entanto, economistas alertam que exceções podem ser retiradas a qualquer momento por decisão executiva de Trump.

Por outro lado, a manutenção dessas isenções indica que Washington reconhece a dependência americana de insumos específicos produzidos no Brasil, como proteínas animais e minerais estratégicos. Em resumo, a negociação ainda está em aberto.

O prazo de 15 de julho e o que pode acontecer

O tarifaço entra na fase decisiva nos próximos dias. Até 15 de julho, Trump precisa assinar um decreto aplicando, modificando ou suspendendo as tarifas propostas pelo USTR. Existem três cenários possíveis para o mercado brasileiro monitorar:

O primeiro cenário é a aplicação integral das tarifas de 25%. Neste caso, o impacto imediato seria uma queda nas exportações dos setores afetados, pressão sobre o câmbio e possível desvalorização do real. Além disso, a Bolsa de Valores brasileira tenderia a reagir negativamente, especialmente nos papéis de empresas exportadoras de manufaturados.

O segundo cenário é uma tarifa reduzida ou negociada, resultado de acordo bilateral entre Brasília e Washington. De fato, o governo Lula iniciou rodadas de negociação com o enviado de Trump, Jamieson Greer, em 2 de julho. Nesta hipótese, o impacto seria menor e os mercados tenderiam a se recuperar rapidamente.

O terceiro cenário é um adiamento da decisão, algo que Trump já fez com outros países ao longo de 2026. Dessa forma, o prazo seria postergado e as negociações continuariam, mantendo a incerteza no ar mas evitando o choque imediato.

O que o tarifaço significa para o trabalhador e investidor brasileiro

Para o trabalhador brasileiro, o impacto mais imediato viria da indústria de transformação. Empresas de aço, alumínio, calçados e máquinas podem reduzir produção e, em casos extremos, cortar postos de trabalho se perderem competitividade no mercado americano.

Em especial, estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina concentram fábricas mais expostas ao risco.

Para o investidor brasileiro, o momento pede atenção redobrada ao câmbio. Uma tarifa de 25% aplicada de forma ampla tende a pressionar o real para baixo, encarecer importações e alimentar a inflação.

Por isso, especialistas recomendam diversificação de carteira com ativos dolarizados como proteção até que a decisão de Trump seja conhecida.

Além disso, o mercado de ações monitora de perto as negociações. Ações de empresas exportadoras. especialmente do setor industrial. são as mais sensíveis. Em contrapartida, companhias que atuam majoritariamente no mercado interno tendem a ser menos afetadas pela medida.

Leticia Carvalho

Formada em Sistemas de Informação, com pós-graduação em Gestão de Marketing pela Anhembi Morumbi, é autora do portal com atuação focada em economia, negócios e tecnologia. Possui mais de 15 anos de experiência em administração e empreendedorismo, aliando análise de dados à produção de conteúdo jornalístico. Já teve passagem profissional por grandes portais de conteúdo do Brasil, onde desenvolveu trabalhos voltados à informação financeira, tendências de mercado e transformação digital.