Ouro cai 3,6% e atinge menor nível desde novembro com tensão no Oriente Médio

Fortalecimento do dólar, alta do petróleo e expectativas sobre juros nos EUA pressionaram o mercado de metais preciosos.

imagem do autor
Última atualização:  10 de jun, 2026 às 17:01
Barras de ouro sobre fundo escuro com gráfico vermelho apontando para baixo, representando a queda do preço do ouro. Imagem gerada por Inteligência Artificial

O mercado de ouro registrou uma forte queda nesta quarta-feira (10), após a intensificação das tensões entre Estados Unidos e Irã e a divulgação de novos dados de inflação norte-americanos. O metal precioso encerrou o dia negociado a US$ 4.133,3 por onça-troy na Comex, divisão de metais da Bolsa de Nova York, acumulando perda de 3,6% e atingindo o menor patamar desde novembro de 2025.

A desvalorização ocorreu em meio ao aumento das incertezas geopolíticas no Oriente Médio. Apesar do cenário de conflito, que normalmente impulsiona a procura por ativos considerados seguros, o ouro não conseguiu sustentar esse movimento.

Investidores passaram a concentrar atenções no fortalecimento do dólar e na alta dos preços do petróleo, fatores que reduziram a atratividade do metal.

Mercado reage a novos desdobramentos no conflito

A pressão sobre o ouro aumentou ao longo do pregão após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando a possibilidade de novas ações militares contra o Irã.

O mercado avaliou que a escalada do conflito pode gerar impactos inflacionários globais, especialmente por meio do encarecimento da energia.

Ao mesmo tempo, o dólar ganhou força frente a outras moedas, tornando o ouro mais caro para investidores que operam em outras divisas. Esse movimento costuma reduzir a demanda pelo metal e pressionar suas cotações.

Fatores que contribuíram para a queda

Entre os principais elementos observados pelos investidores estão:

  • Fortalecimento do dólar no mercado internacional;
  • Avanço dos preços do petróleo;
  • Escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã;
  • Expectativa de manutenção de juros elevados nos EUA;
  • Rompimento de importantes níveis de suporte técnico.

Analistas também destacaram que a perda da média móvel de 200 dias foi interpretada por parte do mercado como um sinal de enfraquecimento da tendência de alta do metal.

Inflação e juros seguem no radar

Além das questões geopolíticas, os investidores acompanharam os dados de inflação dos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor apresentou avanço anual de 4,2% em maio, resultado alinhado às expectativas do mercado.

Com isso, as projeções para a política monetária norte-americana permaneceram praticamente inalteradas. A expectativa predominante continua sendo de que o Federal Reserve mantenha uma postura cautelosa e preserve juros elevados por mais tempo antes de iniciar um ciclo mais amplo de flexibilização monetária.

O cenário reforça a pressão sobre ativos que não oferecem rendimento, como o ouro. Enquanto os juros permanecem elevados, títulos públicos e outros investimentos de renda fixa tendem a se tornar mais atrativos para parte dos investidores.

A combinação entre tensão geopolítica, dólar forte, petróleo em alta e expectativa de juros elevados segue sendo monitorada pelo mercado, que busca sinais sobre os próximos movimentos da economia global e seus impactos nos ativos de proteção.

Acompanhe a editoria de Mercado e Bolsa de Valores para receber análises, notícias e atualizações sobre investimentos, commodities e cenário econômico.

Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.