Vale (VALE3) inaugura usina inteligente e eleva produtividade em 25%
A Vale inaugurou a Usina Modelo da Vale em Itabira (MG), marcando o início de um novo modelo operacional baseado em inteligência artificial, automação e análise de dados.
Imagem: Reuters / Washington Alves
A Usina Modelo da Vale (VALE3) entrou oficialmente em operação nesta quarta-feira (10) em Itabira, Minas Gerais, marcando um novo capítulo na estratégia de transformação digital da mineradora. O projeto, desenvolvido ao longo de um ano e meio, modernizou a unidade Conceição 2 e incorporou inteligência artificial, automação avançada e análise de dados em larga escala para elevar a produtividade, aumentar a segurança dos trabalhadores e tornar o processamento mineral mais sustentável.
A iniciativa foi implementada na cidade onde a Vale foi fundada há 84 anos e servirá como referência para futuras modernizações em outras operações da companhia. Com capacidade produtiva de 11,2 milhões de toneladas por ano, a unidade passa a operar sob um modelo que utiliza sistemas inteligentes para monitorar e otimizar processos em tempo real.
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Usina Modelo da Vale aumenta produtividade e eficiência operacional
A modernização da planta industrial trouxe resultados expressivos para a operação. Segundo a empresa, a unidade registrou aumento de 25% na produtividade durante a fase piloto do projeto.
Em 2024, a produção alcançou cerca de 9 milhões de toneladas. Agora, a usina está preparada para operar em sua capacidade total de 11,2 milhões de toneladas anuais.
O avanço foi possível graças à integração de inteligência artificial com sistemas automatizados capazes de monitorar centenas de variáveis do processo produtivo. A tecnologia permite ajustes instantâneos conforme as características do minério processado, reduzindo gargalos e aumentando a eficiência das operações.
Ao todo, foram implementadas 51 soluções voltadas para otimização operacional, abrangendo desde melhorias em equipamentos até novos métodos de gestão e monitoramento.
Inteligência artificial assume papel estratégico na operação
Um dos principais diferenciais da Usina Modelo da Vale é o uso intensivo de inteligência artificial para apoiar decisões operacionais críticas.
A estrutura recebeu mais de 100 câmeras de monitoramento distribuídas pelo complexo industrial, além da automação de aproximadamente 7.300 instrumentos e sensores. Os sistemas coletam dados continuamente e identificam padrões capazes de antecipar falhas e evitar interrupções não programadas.
A tecnologia também auxilia na supervisão de mais de 400 variáveis ligadas ao beneficiamento mineral. Com isso, a operação se torna mais integrada, previsível e eficiente, permitindo respostas rápidas a mudanças nas condições de produção.
Segundo a companhia, todas as decisões operacionais consideradas críticas já contam com suporte de sistemas especialistas, consolidando um novo nível de maturidade digital dentro da operação.
Segurança dos trabalhadores ganha reforço com automação
Outro objetivo central da modernização foi reduzir a exposição dos profissionais a atividades de risco.
A implantação de equipamentos automatizados, sistemas remotos e dispositivos mecânicos inteligentes diminuiu a necessidade de intervenções manuais em áreas operacionais. Motores, válvulas e diversos equipamentos podem agora ser controlados à distância por equipes instaladas em salas de comando.
Quando o acesso físico às instalações é necessário, imagens e informações em tempo real auxiliam no planejamento das atividades, aumentando a segurança e reduzindo potenciais riscos operacionais.
A estratégia está alinhada ao compromisso da empresa de combinar tecnologia e proteção aos trabalhadores em suas operações.
Produção de minério premium e aproveitamento mineral avançam
Além dos ganhos de produtividade, a Usina Modelo da Vale registrou melhorias importantes na qualidade dos produtos gerados.
A participação do pellet feed de redução direta, considerado um minério premium utilizado na produção de aço com menores emissões de carbono, cresceu 40% após a implantação do novo modelo operacional.
Paralelamente, a recuperação mineral foi aprimorada. Sistemas de análise online do teor de ferro permitem ajustes imediatos durante o beneficiamento, garantindo melhor aproveitamento do recurso extraído.
Como consequência, a quantidade de ferro descartada nos rejeitos apresentou redução significativa, contribuindo para aumentar a eficiência da produção e reduzir desperdícios.
Sustentabilidade também é destaque na Usina Modelo da Vale
A transformação da unidade não se limita aos ganhos produtivos. A sustentabilidade ocupa posição estratégica dentro do projeto.
Atualmente, cerca de 92% da água utilizada na operação é reaproveitada. Após as etapas finais de filtragem do minério e dos rejeitos, a água retorna ao processo produtivo, reduzindo a necessidade de captação de novos recursos hídricos.
A combinação entre reaproveitamento de água, redução de rejeitos e maior eficiência energética reforça a proposta da companhia de desenvolver uma mineração mais sustentável e alinhada aos desafios ambientais das próximas décadas.
Parceria com ABB acelera transformação tecnológica
Para viabilizar a implantação da Usina Modelo da Vale e expandir o conceito para outras unidades, a mineradora contou com o apoio da ABB, multinacional especializada em automação e eletrificação.
A parceria foi estruturada para integrar tecnologias já existentes nas operações da empresa, permitindo maior interoperabilidade entre sistemas e acelerando a obtenção de resultados.
Segundo a estratégia adotada, a integração tecnológica reduz a necessidade de novos investimentos em infraestrutura, ao mesmo tempo em que potencializa os recursos já disponíveis.
Com a inauguração da Usina Modelo em Itabira, a Vale dá mais um passo em sua estratégia de mineração do futuro, baseada em inteligência artificial, automação e sustentabilidade. A expectativa da companhia é utilizar a experiência adquirida na unidade como base para ampliar esse modelo operacional em outras operações nos próximos anos.