Motta critica atuação de Boulos e vê impacto em negociações sobre o fim da escala 6×1

O presidente da Câmara, Hugo Motta, reclamou ao presidente Lula da atuação do ministro Guilherme Boulos nas discussões sobre o fim da escala 6×1.

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Última atualização:  25 de maio, 2026 às 08:39
Fotografia em plano médio do político Hugo Motta. Ele é um homem jovem, de pele clara, com cabelos escuros levemente grisalhos nas têmporas, penteados para trás. Ele está falando, com a boca entreaberta, posicionado atrás de um microfone de haste fina. Veste um paletó azul-marinho, camisa branca e uma gravata de tom azul-claro com textura discreta. O fundo está desfocado, mostrando folhagens verdes e uma parede com painéis artísticos em tons de branco e azul. Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

A discussão sobre o fim da escala 6×1 voltou a gerar tensão entre o governo federal e a cúpula da Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), reclamou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva da atuação do ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, durante as negociações envolvendo a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da jornada de trabalho.

Segundo interlocutores do Congresso, Motta avalia que Boulos tem ampliado o desgaste político dos parlamentares nas redes sociais e no debate público, o que estaria dificultando o avanço das conversas sobre o fim da escala 6×1 e outras pautas trabalhistas. O episódio ocorreu na última semana, em Brasília, em meio às articulações entre governo e líderes partidários.

A avaliação de integrantes do centrão e da direção da Câmara é que o ministro tem adotado um tom considerado mais agressivo contra deputados, especialmente em temas ligados aos direitos trabalhistas. Para esses parlamentares, isso cria um ambiente de maior tensão política justamente em um momento em que o Planalto tenta construir apoio para propostas consideradas prioritárias.

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Motta reclama de Boulos ao Planalto

De acordo com relatos de aliados do presidente da Câmara, Hugo Motta levou diretamente a Lula sua insatisfação com a postura de Guilherme Boulos. Durante a conversa, o deputado teria afirmado que o comportamento do ministro acaba dificultando o diálogo entre o Executivo e o Legislativo.

Ainda segundo interlocutores, Motta pediu que Lula conversasse com Boulos para reduzir o nível de enfrentamento público contra os parlamentares. O presidente da República teria ouvido as reclamações sem responder diretamente ao pedido.

Além da conversa com Lula, Motta também reforçou as críticas em reuniões com integrantes do governo envolvidos nas negociações da pauta trabalhista. Entre os nomes citados estão o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães.

Nos bastidores, deputados afirmam que a preocupação não envolve apenas o debate sobre a PEC do fim da escala 6×1, mas também o impacto político da mobilização nas redes sociais em torno do tema.

Fim da escala 6×1 aumenta tensão no Congresso

A PEC que propõe o fim da escala 6×1 tem provocado forte mobilização de sindicatos, movimentos sociais e parlamentares ligados à esquerda. A proposta prevê mudanças na jornada de trabalho e vem sendo tratada como uma das pautas trabalhistas de maior repercussão no Congresso.

O clima de tensão aumentou após uma publicação feita por Guilherme Boulos nas redes sociais criticando deputados que apoiaram uma emenda propondo um período de transição de dez anos para a aplicação das novas regras.

Na publicação, o ministro classificou a proposta como “desumana” e afirmou que o governo federal defende a implementação imediata do fim da escala 6×1. A manifestação repercutiu negativamente entre líderes da Câmara, que interpretaram a fala como uma tentativa de pressionar o Congresso perante a opinião pública.

Parlamentares do centrão afirmam que o discurso pode dificultar acordos políticos necessários para o avanço da PEC. Alguns líderes reconhecem que Boulos possui respaldo de Lula para atuar no embate político, especialmente em um período de pré-campanha eleitoral, mas consideram que o tom adotado gera desgaste desnecessário.

Líderes apontam risco para negociações do governo

Integrantes da Câmara avaliam que o ambiente entre Congresso e Planalto já vinha apresentando sinais de desgaste antes mesmo da polêmica envolvendo o ministro. Nos bastidores, parlamentares reclamam de declarações de integrantes do governo e de setores do PT que criticam o Congresso Nacional em debates públicos.

Para líderes partidários, o cenário pode comprometer negociações importantes nos próximos meses. Além do fim da escala 6×1, o governo também tenta avançar em discussões sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos e outras medidas na área trabalhista.

Um dos receios da cúpula da Câmara é que o aumento da pressão pública fortaleça resistências entre deputados de centro e de oposição. Isso porque parte dos parlamentares entende que críticas abertas feitas por ministros acabam criando dificuldades para a construção de consenso.

Mesmo assim, aliados de Guilherme Boulos minimizam as reclamações. Pessoas próximas ao ministro afirmam que ele apenas cumpre a função de defender as pautas do governo e ampliar o diálogo com movimentos sociais e trabalhadores.

Aliados de Boulos defendem atuação política

Parlamentares ligados ao PT e integrantes da base governista afirmam que o debate político faz parte da relação entre Executivo e Legislativo. Segundo eles, o governo também é alvo frequente de críticas feitas por deputados e senadores, o que seria natural dentro do ambiente democrático.

Aliados do ministro argumentam ainda que Boulos assumiu a Secretaria-Geral da Presidência justamente com a missão de fortalecer a comunicação política do governo Lula e defender propostas consideradas prioritárias pela gestão petista.

Enquanto isso, as negociações sobre o fim da escala 6×1 seguem em discussão no Congresso Nacional. A expectativa é que o tema continue gerando debates intensos entre governo, parlamentares e representantes de trabalhadores nas próximas semanas.