Na última quinta-feira (13), a varejista de moda Marisa (AMAR3) divulgou a aprovação de três emissões de debêntures destinadas aos acionistas controladores, resultando em uma captação total de R$ 90 milhões

Segundo a empresa, o montante captado será totalmente destinado ao aumento de capital da MPagamentos, braço financeiro da varejista. O objetivo é reestruturar a divisão financeira da empresa de acordo com os parâmetros operacionais definidos pelo Banco Central do Brasil, conforme estabelecido no Plano de Capitalização e Reestruturação do segmento financeiro da companhia, apresentado ao BC em 27 de março de 2023.

As debêntures que serão emitidas são do tipo simples e não conversíveis em ações, com prazo de vencimento de 7 anos e um período de carência de 5 anos para o pagamento de juros e principal.

No entanto, a empresa declarou que mesmo após o término do período de carência, os pagamentos de amortização e juros só serão efetuados se a Marisa tiver reportado índices de dívida líquida/Ebitda iguais ou inferiores a 2 vezes, e índices de liquidez iguais ou superiores a 1 vez no trimestre anterior à data programada para o pagamento.

Caso os índices estejam desenquadrados, “não haverá pagamento e os valores serão capitalizados junto ao saldo devedor, até que um novo demonstrativo auditado confirme que tais índices estão enquadrados”.

Crise financeira na Marisa (AMAR3)

A turbulência nas operações da Marisa iniciou em fevereiro, após a varejista reportar prejuízo de R$ 188,6 milhões no quarto trimestre de 2022 (4T22), um aumento de 680% ante os R$ 24,5 milhões do mesmo período de 2021. Além disso, a companhia ainda terminou o ano com prejuízo de R$ 391 milhões, contra os R$ 93 milhões do ano anterior.

Há cerca de 2 meses a empresa começou a desenvolver um plano de contenção de crise. O plano inclui baixas e revisões contábeis, além de um plano de reestruturação operacional, ainda em andamento, na tentativa de superar a crise.

Durante a teleconferência sobre os resultados da empresa realizada no início de abril, João Nogueira Batista, presidente da varejista de moda, afastou os rumores e falou sobre o plano de reestruturação financeira da empresa.

Segundo ele, o plano de reestruturação da empresa prevê fechar 92 das 334 unidades nos próximos meses, sendo 20 ainda no mês de abril. A previsão é de que essa operação promova uma geração de quase R$ 70 milhões no lucro antes dos juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) anual e mais R$ 30 milhões em redução de despesas.

Equipe MI

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