Mansão de luxo confiscada da família real saudita em Londres é vendida por R$ 1,025 bi

A mansão The Holme, localizada em Regent’s Park, Londres, foi vendida por £ 139 milhões (R$ 1,025 bilhão) com 44% de desconto após quase dois anos no mercado.

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27 de jan, 2025 às 07:00
Mansão de luxo confiscada da família real saudita em Londres é vendida por R$ 1,025 bi Mansão de luxo confiscada da família real saudita em Londres é vendida por R$ 1,025 bi

A mansão The Holme, localizada no prestigiado Regent’s Park, em Londres, foi finalmente vendida após quase dois anos no mercado, com um impressionante desconto de 44% em relação ao preço original. O valor de venda foi de aproximadamente R$ 1,025 bilhão (£ 139 milhões), um dos mais altos já pagos por uma propriedade no Reino Unido. O imóvel foi apreendido por credores associados à família real saudita e teve sua transação concluída em 13 de dezembro de 2023.

A imponente mansão, conhecida como The Holme, conta com 40 cômodos e está situada em uma das áreas mais exclusivas de Londres. Vizinha de residências de diplomatas e personalidades internacionais, como o embaixador dos Estados Unidos, a propriedade oferece uma vista privilegiada e um design arquitetônico refinado, típico das construções de luxo britânicas. Localizada em Regent’s Park, uma das regiões mais valorizadas da capital britânica, a mansão teve grande atratividade no mercado imobiliário de luxo, mas enfrentou dificuldades para ser vendida nos últimos anos devido às oscilações do mercado.

A venda da propriedade foi realizada pela Zedra Trust Company (UK) Limited, uma renomada empresa global de gestão de patrimônio. De acordo com os registros imobiliários do Reino Unido, o imóvel foi adquirido por £ 139 milhões, o que equivale a R$ 1,025 bilhão. Este valor representa uma redução de 44% sobre o preço inicial de £ 250 milhões (R$ 1,843 bilhão), estipulado no início de 2023, quando a mansão foi colocada à venda pelos credores da empresa Quendon Ltd.

A Quendon Ltd., uma empresa registrada em Guernsey, uma jurisdição considerada um paraíso fiscal, era a proprietária anterior do imóvel. A empresa tinha como beneficiários os filhos do príncipe Khaled bin Sultan al-Saud, membro da família real saudita. A venda foi motivada pela necessidade de liquidar dívidas, e o desconto expressivo reflete a atual pressão sobre o mercado imobiliário de luxo de Londres, que está enfrentando desafios devido a uma queda na demanda e a aumento de impostos.

O mercado imobiliário de luxo em Londres tem sido impactado por uma série de fatores econômicos e fiscais. Em 2022, o governo britânico introduziu um registro de beneficiários finais para tornar mais transparente a posse de imóveis por empresas offshore. Isso visa combater a lavagem de dinheiro e o uso de paraísos fiscais, mas ainda existem brechas que permitem a ocultação da verdadeira propriedade através de instrumentos financeiros como trusts.

O uso de trusts, um mecanismo jurídico que permite a transferência e administração de bens sem que os beneficiários sejam claramente identificados, tem sido uma forma de muitos esconderem a verdadeira posse dos imóveis. Mesmo com os avanços na transparência, esse instrumento continua sendo utilizado para proteger os proprietários reais, o que pode ter contribuído para o longo tempo que a mansão ficou à venda.

Além disso, o aumento de impostos sobre imóveis de luxo e a introdução de novas regulamentações aumentaram as dificuldades para a venda de propriedades de alto valor. A crise econômica global também afetou a confiança dos compradores em um mercado imobiliário que, embora tradicionalmente resistente, está experimentando sinais de desaceleração.