Lucro da Shell mais que dobra no 1º trimestre, mas empresa prevê queda na produção

A Shell registrou lucro ajustado de US$ 6,915 bilhões no primeiro trimestre de 2026, mais que o dobro do trimestre anterior e acima das expectativas do mercado.

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07 de maio, 2026 às 17:00
Close centralizado do logotipo da Shell, uma concha estilizada nas cores amarelo e vermelho, fixada em uma parede amarela iluminada. Imagem: Reuters

O lucro da Shell voltou ao centro das atenções do mercado nesta quinta-feira (7), após a petrolífera anglo-holandesa divulgar um forte crescimento nos ganhos do primeiro trimestre de 2026. A companhia reportou lucro ajustado de US$ 6,915 bilhões, resultado que mais que dobrou em relação ao trimestre anterior e ainda superou as estimativas de analistas consultados pela Vara Research. Apesar do desempenho financeiro robusto, a empresa alertou investidores sobre uma possível queda na produção nos próximos meses, diante dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre suas operações globais.

O balanço da Shell reforça o momento de volatilidade vivido pelo setor de energia, que continua sendo influenciado por tensões geopolíticas, oscilações no preço do petróleo e mudanças na demanda global. Além disso, o anúncio de uma recompra de ações menor do que a registrada nos últimos trimestres também chamou a atenção do mercado.

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O lucro da Shell no primeiro trimestre ficou acima da expectativa média de US$ 6,36 bilhões apontada por analistas da Vara Research. Na comparação com o trimestre anterior, quando a companhia registrou US$ 3,26 bilhões, o avanço foi expressivo.

Segundo a empresa, o resultado foi impulsionado principalmente pelo desempenho das operações integradas de gás natural e pela melhora das margens em áreas estratégicas da companhia. O cenário de preços ainda elevados para algumas commodities energéticas também contribuiu para o crescimento dos ganhos.

O desempenho financeiro reforça a capacidade da Shell de manter forte geração de caixa mesmo em um ambiente global marcado por incertezas econômicas e geopolíticas. A companhia segue entre as maiores empresas do setor de petróleo e gás do mundo, competindo diretamente com gigantes do segmento energético.

Além disso, os números positivos ajudam a sustentar a estratégia da empresa de retorno aos acionistas, ainda que em um ritmo mais moderado neste trimestre.

Shell prevê queda na produção no segundo trimestre

Apesar do lucro acima do esperado, a Shell indicou que sua produção deve sofrer redução no segundo trimestre de 2026. A empresa destacou que o atual conflito no Oriente Médio pode afetar diretamente parte de suas operações e da cadeia global de fornecimento energético.

Na divisão integrada de gás, a expectativa é de produção entre 580 mil e 640 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d). O número representa uma queda relevante frente aos 909 mil boe/d registrados entre janeiro e março.

Já no segmento de exploração e produção, conhecido como upstream, a projeção da companhia aponta para uma produção entre 1,62 milhão e 1,82 milhão de boe/d. No trimestre anterior, esse volume havia sido de 1,84 milhão de boe/d.

A redução nas projeções ocorre em um momento delicado para o mercado internacional de petróleo. O conflito no Oriente Médio continua elevando preocupações sobre possíveis interrupções na oferta global de energia, especialmente em rotas consideradas estratégicas para exportação de petróleo e gás natural.

Analistas avaliam que a cautela da Shell pode indicar uma postura mais conservadora da companhia diante do cenário geopolítico atual.

Recompra de ações da Shell fica abaixo dos trimestres anteriores

Outro ponto que chamou atenção no balanço foi o novo programa de recompra de ações anunciado pela Shell. A empresa informou que fará recompras no valor de US$ 3 bilhões.

Embora o número ainda seja considerado elevado, ele ficou abaixo dos US$ 3,5 bilhões anunciados pela companhia nos trimestres anteriores. A redução pode sinalizar uma estratégia mais prudente da petrolífera em meio às incertezas envolvendo produção, preços do petróleo e riscos geopolíticos.

Nos últimos anos, grandes empresas do setor energético intensificaram programas de recompra de ações como forma de aumentar o retorno aos investidores e fortalecer o valor dos papéis no mercado financeiro.

Mesmo com a redução no volume de recompra, analistas observam que a Shell mantém uma posição financeira sólida e continua priorizando a remuneração de acionistas.

Mercado acompanha impactos do Oriente Médio no setor de energia

O alerta feito pela Shell sobre a produção reforça a preocupação crescente do mercado com os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre a indústria global de energia.

A região concentra alguns dos principais produtores e exportadores de petróleo do mundo, além de rotas fundamentais para o transporte marítimo de combustíveis fósseis. Qualquer escalada nas tensões pode provocar impactos relevantes nos preços internacionais do petróleo e na oferta global.

Empresas do setor vêm adotando posturas mais cautelosas diante desse cenário, revisando projeções operacionais e monitorando riscos logísticos e geopolíticos.

Mesmo assim, o lucro da Shell mostra que as grandes petrolíferas continuam conseguindo registrar resultados bilionários em meio à volatilidade do mercado energético global.