Vice-presidente da Venezuela exige libertação de Nicolás Maduro após ação militar dos EUA
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, exigiu a libertação imediata de Nicolás Maduro, afirmando que o presidente foi capturado por militares dos Estados Unidos após uma ofensiva contra o país.
Foto: Leonardo Fernandez Viloria/Reuters
A libertação de Nicolás Maduro foi exigida publicamente neste sábado (3) pela vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, após o governo venezuelano afirmar que o presidente foi capturado por militares dos Estados Unidos durante uma ofensiva militar contra o país. Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, Delcy declarou que Maduro é o único presidente legítimo da Venezuela e classificou a ação norte-americana como uma violação direta da soberania nacional.
O discurso ocorreu poucas horas depois de bombardeios relatados em território venezuelano e em meio a uma escalada inédita de tensão entre Caracas e Washington. Segundo a vice-presidente, o episódio representa uma tentativa explícita de ingerência externa e de controle dos recursos naturais do país, especialmente o petróleo.
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Libertação de Nicolás Maduro é tratada como prioridade nacional
Delcy Rodríguez afirmou que a libertação de Nicolás Maduro é uma prioridade absoluta do Estado venezuelano. De acordo com ela, o presidente foi detido por forças dos Estados Unidos por volta de 1h58 da madrugada de sábado, no horário local, em uma ação classificada pelo governo como um “sequestro”.
Durante o pronunciamento, Delcy reforçou que a Venezuela não reconhece qualquer autoridade estrangeira sobre seu território ou seu sistema político. “Exigimos a libertação imediata do presidente Nicolás Maduro, o único presidente da Venezuela”, afirmou, acrescentando que o país não aceitará retrocessos que o transformem novamente em colônia.
A vice-presidente também incluiu no pedido de libertação a primeira-dama Cilia Flores, mencionando que ambos são símbolos da soberania institucional do país. O discurso buscou reforçar a narrativa de resistência e mobilização nacional diante do que o governo considera uma agressão externa sem precedentes.
Reação do governo venezuelano e ativação do Estado
Como resposta imediata ao episódio, Delcy anunciou que todos os órgãos do Estado venezuelano foram ativados por meio de um decreto assinado previamente por Maduro. Segundo ela, a medida tem como objetivo proteger o território nacional e garantir a integridade das instituições diante da ofensiva militar.
A vice-presidente declarou que o país entrou em estado de defesa total, envolvendo forças armadas, órgãos de segurança e estruturas civis. “Todo o poder nacional foi acionado para salvaguardar nossa independência, soberania e integridade territorial”, disse.
A decisão foi tomada durante uma reunião do Conselho de Defesa da Nação, instância máxima de coordenação em situações de crise, o que reforça a gravidade atribuída pelo governo ao episódio. A mobilização inclui ações estratégicas e administrativas para enfrentar o que Caracas define como uma invasão estrangeira.
Declarações dos Estados Unidos ampliam tensão diplomática
O pronunciamento de Delcy Rodríguez ocorreu minutos após uma coletiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual ele afirmou que Washington assumiria o controle administrativo da Venezuela até que ocorresse uma “transição segura”. Trump também reconheceu que empresas norte-americanas poderiam explorar o petróleo venezuelano durante esse período.
Essas declarações foram citadas pelo governo venezuelano como evidência de que a ação militar teria motivação econômica. Para Delcy, a captura de Maduro está diretamente relacionada à tentativa de controlar os recursos naturais do país sob justificativas políticas e de segurança.
Conselho de Defesa da Nação reúne cúpula do governo
A reunião do Conselho de Defesa contou com a presença de figuras centrais do governo, como o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e a presidente do Tribunal Superior de Justiça, Caryslia Rodríguez. O encontro teve como foco a coordenação institucional diante da crise.
Segundo Delcy, a união entre os poderes Executivo, Judiciário e as forças de segurança é essencial para garantir a estabilidade interna. A vice-presidente destacou que o governo atua de forma coesa para responder ao que considera uma ameaça externa direta.
Apelo à união nacional e mensagem ao mundo
No encerramento do discurso, Delcy Rodríguez fez um apelo à população para que mantenha a calma e participe de forma organizada da defesa do país. Ela defendeu uma atuação conjunta entre forças militares, policiais e civis, reforçando o discurso de unidade nacional.
A vice-presidente também agradeceu manifestações de solidariedade internacional e alertou que o ocorrido na Venezuela pode servir de precedente para outras nações. “O que fizeram conosco hoje pode ser feito com qualquer país”, afirmou.
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