Reunião da OEA sobre Venezuela evidencia divisão política na América Latina

A reunião da OEA sobre Venezuela realizada em 6 de janeiro evidenciou a polarização política no continente.

imagem do autor
07 de jan, 2026 às 16:00
Fotografia de uma reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA). Foto: Juan Manuel Herrera/OEA

A reunião da OEA sobre a Venezuela realizada na última terça-feira (6) revelou profundas divergências entre os países-membros da organização em relação à recente ação militar dos Estados Unidos em Caracas, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. O encontro extraordinário do Conselho Permanente expôs a polarização política no continente e levantou debates sobre soberania, diplomacia e geopolítica.

Aproveite para ler:

Durante a reunião, ficou evidente a diferença de posicionamento entre países aliados aos Estados Unidos e aqueles que defendem a soberania venezuelana. Governos como Argentina, Equador, Paraguai e El Salvador manifestaram apoio à intervenção militar em Caracas, considerando-a uma medida necessária contra o narcoterrorismo e a crise política do país.

O embaixador da Argentina, Carlos Bernardo Cherniak, afirmou que “confiamos que esses acontecimentos representam um avanço decisivo contra o narcoterrorismo que afeta a região”. Já a embaixadora do Equador, Mónica Palencia, destacou que “a paz não se constrói por resoluções ou decretos, mas com ações concretas”, reforçando a solidariedade às vítimas da crise venezuelana.

Por outro lado, países como Brasil, Chile, Colômbia, México e Honduras se posicionaram contrários à ação dos Estados Unidos, ressaltando a importância de soluções diplomáticas e multilaterais. O embaixador brasileiro, Benoni Belli, classificou os bombardeios e o sequestro do presidente venezuelano como uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela”, enquanto o embaixador mexicano, Alejandro Encinas, pediu “reflexão hemisférica responsável, apegada ao direito internacional e à preservação da paz e da democracia na região”.

Venezuela sem representação oficial na OEA

Apesar de ser membro oficial da OEA, a Venezuela não teve direito a se manifestar na reunião extraordinária desta terça-feira, diferentemente do que ocorreu na ONU no dia anterior. O país enfrenta um limbo institucional dentro da organização desde 2017, quando Nicolás Maduro anunciou a saída da OEA após acusações de que seu governo havia rompido a democracia.

Após as eleições presidenciais de 2018, contestadas internacionalmente, a OEA passou a reconhecer um representante de Juan Guaidó, então líder da Assembleia Nacional, e deixou de reconhecer Maduro. Com o enfraquecimento da oposição venezuelana, atualmente não há nenhum representante oficial do país no Conselho Permanente.

O secretário-geral da OEA, Albert Ramdin, evitou posicionar-se diretamente sobre a ação militar dos EUA, mas reforçou a importância do multilateralismo, da soberania e do direito internacional, defendendo uma transição democrática que fortaleça instituições e processos eleitorais na Venezuela.

Impactos geopolíticos e disputa entre EUA e China

A reunião também destacou a disputa geopolítica entre Estados Unidos e China por influência na região. O embaixador americano, Leandro Rizzuto, afirmou que Washington não permitirá que a Venezuela se torne um “hub” de operações de países como Irã, Rússia, Hezbollah e China, alegando que isso ameaça os recursos naturais do país e a segurança regional.

Em resposta, a representante da China rebateu as acusações, classificando-as como “desnecessárias, injustificadas e falsas” e reforçando que a cooperação entre Pequim e Caracas ocorre entre Estados soberanos, baseada em leis e regulamentações de ambos os países.

Gostou deste conteúdo? Siga o Melhor Investimento nas redes sociais: 

Instagram | Facebook