Lei Seca: proposta prevê multa de até R$ 29 mil e suspensão de 10 anos da CNH

Um projeto em análise na Câmara dos Deputados propõe endurecer a Lei Seca, com multas que podem chegar a R$ 29 mil e suspensão da CNH por até 10 anos em acidentes com morte.

imagem do autor
24 de abr, 2026 às 09:00
Fotografia noturna de uma fiscalização de trânsito (Lei Seca) em uma via urbana. Em primeiro plano, à direita, um policial militar fardado e usando um colete refletivo amarelo examina documentos de um motorista. O motorista, um homem de camiseta cinza, está sentado dentro de um carro prata, segurando o volante com uma expressão séria. Ao fundo, luzes de sirenes policiais vermelhas e azuis iluminam a cena, onde outros policiais e cones de sinalização organizam o fluxo de veículos. A iluminação pública e os prédios ao longe completam o cenário da operação. Foto: Gerada por IA

A proposta de endurecimento da Lei Seca voltou ao centro do debate no Congresso Nacional com medidas que ampliam significativamente as punições para motoristas envolvidos em acidentes graves. O Projeto de Lei 3.574/2024 estabelece multas que podem chegar a R$ 29 mil, além da suspensão do direito de dirigir por até 10 anos, dependendo da gravidade do caso. A iniciativa busca aumentar a responsabilização de condutores em situações com vítimas fatais ou invalidez permanente.

Leia também:

Punições mais severas na Lei Seca para casos graves

O texto em tramitação na Câmara dos Deputados propõe mudanças importantes na aplicação da Lei Seca, mas com foco específico em acidentes de maior gravidade.

De acordo com a proposta, quando o acidente resultar em morte, o motorista poderá ser penalizado com uma multa equivalente a até 100 vezes o valor de uma infração gravíssima — atualmente fixada em R$ 293,47. Na prática, isso representa uma penalidade de aproximadamente R$ 29.347, além da suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) por um período de até 10 anos.

Já nos casos em que houver invalidez permanente da vítima, a multa pode chegar a 50 vezes o valor base, o que equivale a cerca de R$ 14.673. Nessa situação, o tempo de suspensão da CNH pode alcançar até cinco anos.

Essas mudanças reforçam o caráter mais rígido da Lei Seca, direcionando punições mais duras para situações com consequências irreversíveis.

Motorista poderá pagar despesas médicas e indenizações

Outro ponto relevante da proposta é a ampliação da responsabilidade financeira do condutor. Além das multas administrativas, o projeto determina que o motorista envolvido em acidentes graves deverá arcar com todos os custos médicos das vítimas.

Isso inclui internações, cirurgias, tratamentos e reabilitação. Além disso, o texto prevê o pagamento de uma indenização adicional, que pode chegar a até dez vezes o valor da multa aplicada.

Com isso, a proposta amplia o impacto financeiro das penalidades da Lei Seca, indo além das sanções tradicionais e reforçando a responsabilização civil do motorista.

Foco da Lei Seca em acidentes com morte ou invalidez

Apesar do endurecimento das punições, a proposta não altera a regra geral da Lei Seca, que continua adotando tolerância zero para o consumo de álcool ao volante.

O foco do projeto está concentrado em situações mais graves, como:

  • Acidentes com vítimas fatais
  • Casos de invalidez permanente

A intenção é diferenciar penalidades conforme a gravidade das consequências, tornando a legislação mais rigorosa em casos extremos.

Regras atuais da Lei Seca permanecem

Enquanto o projeto ainda está em tramitação, as regras atuais da Lei Seca continuam valendo em todo o país. Isso significa que dirigir sob efeito de álcool segue sendo considerado infração gravíssima, com multa, pontos na carteira e suspensão do direito de dirigir.

Tramitação do projeto ainda está em andamento

O Projeto de Lei 3.574/2024 ainda precisa avançar pelas comissões da Câmara antes de seguir para votação no plenário. Após essa etapa, o texto também deverá passar pelo Senado antes de uma eventual sanção presidencial.

Durante esse processo, o conteúdo pode sofrer alterações. Portanto, as novas regras da Lei Seca ainda não estão em vigor.

Justificativa: reduzir mortes no trânsito

A proposta foi apresentada com base no alto número de mortes no trânsito no Brasil. Segundo o autor do projeto, o país ainda enfrenta índices elevados de acidentes fatais, o que exige medidas mais rigorosas para aumentar a conscientização e a responsabilidade dos motoristas.

A comparação com cenários de grandes crises e conflitos reforça o argumento de que o trânsito brasileiro demanda ações mais duras. Nesse contexto, o endurecimento da Lei Seca surge como uma tentativa de reduzir esses números e aumentar a segurança nas vias.