Itaipu investe em energia solar e vê potencial de ampliar geração no futuro

Projeto piloto usa painéis flutuantes e avalia expansão no reservatório

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Última atualização:  24 de abr, 2026 às 14:45
Painéis solares instalados em usina geram energia limpa e reforçam projeto de expansão da capacidade elétrica. Foto: Envato Elements

A usina de Itaipu, localizada na fronteira entre Brasil e Paraguai, iniciou testes com geração de energia solar em seu reservatório, com o objetivo de avaliar a possibilidade de ampliar a capacidade total de produção elétrica.

O projeto começou no fim de 2025 e funciona como um laboratório para estudar o uso de painéis fotovoltaicos instalados sobre a água, aproveitando a grande área do lago da hidrelétrica.

Atualmente, a iniciativa ainda está em fase experimental, mas estudos iniciais indicam que a tecnologia pode complementar a geração hidrelétrica no futuro. A ideia é diversificar as fontes de energia dentro da própria usina, reduzindo a dependência de uma única matriz.

Como funciona o projeto solar em Itaipu

A planta piloto foi instalada no lado paraguaio do reservatório, próxima à margem. No total, foram colocados 1.584 painéis solares flutuantes em uma área inferior a 10 mil metros quadrados.

A capacidade de geração atual é de 1 megawatt-pico (MWp), o suficiente para abastecer cerca de 650 residências. Essa energia, no entanto, não é comercializada e serve apenas para consumo interno da própria usina.

O principal objetivo do projeto é analisar o comportamento da tecnologia em condições reais. Os técnicos monitoram fatores como:

  • impacto ambiental sobre peixes e algas;
  • variações na temperatura da água;
  • influência dos ventos na estrutura;
  • eficiência dos painéis ao longo do tempo;
  • estabilidade dos flutuadores e da ancoragem.

Esses dados serão usados para avaliar a viabilidade de expansão no futuro.

Potencial de crescimento da energia solar

O reservatório de Itaipu tem cerca de 1,3 mil km² de área, o que abre espaço para estudos mais amplos de geração solar. Segundo estimativas técnicas, o uso de uma parte dessa área poderia aumentar significativamente a capacidade da usina.

Em um cenário teórico, a cobertura de cerca de 10% do lago com painéis solares poderia gerar energia equivalente a uma nova Itaipu. Apesar disso, essa hipótese não está nos planos atuais e depende de estudos mais aprofundados e ajustes regulatórios.

Projeções iniciais indicam que, em cerca de quatro anos, seria possível instalar sistemas capazes de gerar até 3 mil megawatts, o equivalente a aproximadamente 20% da capacidade atual da hidrelétrica.

Investimento e parceria binacional

O projeto piloto recebeu investimento de aproximadamente US$ 854,5 mil, cerca de R$ 4,3 milhões. A instalação foi realizada por um consórcio formado por empresas do Brasil e do Paraguai, reforçando o caráter binacional da usina.

Qualquer expansão futura também dependerá de revisão no Tratado de Itaipu, firmado entre os dois países em 1973, que define as regras de operação e exploração da usina.

Diversificação energética em andamento

Além da energia solar, Itaipu vem investindo em outras fontes renováveis e tecnologias limpas. A estratégia busca aumentar a eficiência energética e acompanhar a transição para matrizes menos poluentes.

Entre as iniciativas em desenvolvimento, destacam-se:

  • produção de hidrogênio verde por eletrólise da água;
  • pesquisas com armazenamento de energia em baterias;
  • geração de biogás a partir de resíduos orgânicos;
  • desenvolvimento de combustíveis sustentáveis, como o SAF.

Esses projetos são conduzidos em parceria com centros de pesquisa, universidades e empresas, principalmente por meio do Itaipu Parquetec, polo de inovação localizado em Foz do Iguaçu.

Impacto para o setor elétrico

A adoção de sistemas híbridos, que combinam hidrelétricas e energia solar, tem ganhado espaço no mundo como alternativa para aumentar a eficiência do uso de recursos naturais.

No caso de Itaipu, o uso do reservatório para geração solar pode otimizar uma estrutura já existente, sem necessidade de novas áreas.

Além disso, a diversificação pode ajudar a reduzir os impactos de períodos de seca, que afetam diretamente a geração hidrelétrica. Com mais fontes disponíveis, o sistema se torna mais estável e menos dependente das condições climáticas.

Próximos passos do projeto

Nos próximos anos, a expectativa é que os estudos avancem e tragam dados mais concretos sobre custos, eficiência e impactos ambientais. A partir disso, Itaipu poderá decidir se amplia ou não a geração solar em escala maior.

Por enquanto, o projeto segue como um teste estratégico, alinhado às tendências globais de expansão das energias renováveis e à busca por soluções mais sustentáveis no setor elétrico.

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Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.