Meta inicia corte global de 8 mil funcionários durante reestruturação focada em IA
Empresa de Mark Zuckerberg reorganiza equipes, amplia investimentos em tecnologia e busca reduzir custos operacionais em diversos países.
Foto: Jason Alden/Bloomberg
A Meta começou nesta quarta-feira (20) uma nova rodada global de demissões que pode atingir cerca de 8 mil funcionários. A medida ocorre enquanto a companhia acelera os investimentos em inteligência artificial (IA) e tenta reorganizar sua estrutura interna para reduzir custos e aumentar a eficiência operacional.
Os cortes começaram pela Ásia e devem alcançar funcionários nos Estados Unidos, Europa e outras regiões ao longo do dia.
Segundo informações divulgadas pela Bloomberg, a empresa orientou parte dos empregados afetados a trabalhar remotamente durante o processo de desligamento.
A nova reestruturação deve atingir principalmente áreas ligadas à engenharia e desenvolvimento de produtos, setores considerados estratégicos para os novos projetos de IA da companhia.
A Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, vem ampliando os investimentos em inteligência artificial para competir com empresas como Google e OpenAI.
O movimento acontece em meio à corrida global pelo desenvolvimento de ferramentas de automação, agentes inteligentes e novos produtos baseados em IA generativa.
Reestruturação acompanha aumento de gastos com IA
Nos últimos meses, a Meta aumentou significativamente os aportes em infraestrutura tecnológica e centros de dados voltados à inteligência artificial.
A companhia projeta investimentos que podem ultrapassar US$ 100 bilhões em 2026 apenas em despesas de capital relacionadas ao setor.
Além das demissões, a empresa também remanejou aproximadamente 7 mil funcionários para equipes focadas exclusivamente em projetos de IA.
A estratégia faz parte do plano liderado pelo CEO Mark Zuckerberg para transformar a tecnologia na principal prioridade da companhia nos próximos anos.
De acordo com um comunicado interno divulgado pela imprensa internacional, a Meta afirma que estruturas mais enxutas e equipes menores podem acelerar a tomada de decisões e aumentar a produtividade.
Principais mudanças anunciadas pela Meta
- Corte estimado de 8 mil vagas em diferentes países
- Reorganização das equipes de engenharia e produto
- Ampliação dos investimentos em inteligência artificial
- Remanejamento de funcionários para novos times de IA
- Busca por redução de custos operacionais
Irlanda foi um dos países mais afetados
Na Irlanda, um dos principais polos operacionais da Meta na Europa, cerca de 350 funcionários foram desligados, segundo fontes ligadas ao caso. O número representa aproximadamente um quinto da força de trabalho local da empresa.
A Meta informou que comunicou oficialmente os funcionários afetados e também as autoridades locais, seguindo as exigências trabalhistas do país. A companhia, no entanto, não detalhou quantos postos serão eliminados em cada região.
No fim de março, antes da nova rodada de cortes, a Meta tinha pouco menos de 80 mil funcionários em todo o mundo. A empresa já havia realizado outras ondas de demissões nos últimos anos, principalmente após a desaceleração do mercado de tecnologia e o aumento das despesas com projetos de longo prazo.
Funcionários demonstram preocupação com mudanças
As mudanças internas têm aumentado a tensão entre funcionários da empresa. Parte dos empregados demonstra preocupação com a automação crescente de funções e com o uso de ferramentas de IA dentro das atividades diárias.
Recentemente, mais de mil funcionários assinaram uma petição questionando políticas internas ligadas ao monitoramento de dispositivos corporativos para treinamento de sistemas de inteligência artificial.
Alguns colaboradores também relataram insegurança em relação ao ambiente de trabalho diante das frequentes reestruturações.
Especialistas avaliam que o avanço acelerado da automação pode gerar impactos na retenção de talentos no setor de tecnologia. Ao mesmo tempo, investidores acompanham de perto o ritmo elevado de gastos da Meta com infraestrutura de IA e buscam sinais de retorno financeiro desses investimentos.
Analistas do mercado estimam que os cortes anunciados pela companhia possam gerar economia próxima de US$ 3 bilhões. Ainda assim, o valor é considerado pequeno diante dos investimentos bilionários previstos pela empresa para os próximos anos.
Corrida pela IA pressiona gigantes de tecnologia
A disputa pelo desenvolvimento de soluções avançadas de inteligência artificial tem levado grandes empresas de tecnologia a ampliar investimentos e revisar estruturas internas.
Além da Meta, companhias como Google, Microsoft e Amazon também aumentaram gastos com data centers, chips e contratação de especialistas no setor.
O movimento reforça a transformação do mercado global de tecnologia, que passa por uma fase de adaptação acelerada diante do avanço das ferramentas de IA generativa e da automação de processos corporativos.
Para a Meta, a aposta em inteligência artificial é vista como estratégica para ampliar receitas futuras, fortalecer plataformas digitais e criar novos produtos voltados a consumidores e empresas.
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