Irã planeja cobrar pedágio em criptomoedas no Estreito de Ormuz

A proposta prevê taxa de até US$ 1 por barril de petróleo para embarcações que cruzarem a rota estratégica durante cessar-fogo com os EUA

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Última atualização:  08 de abr, 2026 às 21:16
Foto do Estreito de Omuz Imagem: Reprodução via National Geographic.

O governo do Irã avalia implementar um sistema de pedágio em criptomoedas para navios que atravessarem o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo.

Segundo informações divulgadas pelo jornal Financial Times nesta quarta-feira (8), a proposta permitiria que Teerã mantenha controle sobre a via marítima durante o cessar-fogo de duas semanas firmado com os Estados Unidos.

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Irã quer monitorar embarcações durante cessar-fogo

De acordo com Hamid Hosseini, porta-voz da União dos Exportadores de Petróleo, Gás e Produtos Petroquímicos do Irã, o objetivo da medida é acompanhar o fluxo de navios na região durante o período de trégua.

Em entrevista ao Financial Times, Hosseini afirmou que as autoridades iranianas pretendem avaliar todas as embarcações que atravessarem o estreito. Segundo ele, a medida busca impedir que o período de cessar-fogo seja utilizado para o transporte de armamentos.

“É preciso monitorar o que entra e sai do estreito para garantir que essas duas semanas não serão usadas para a transferência de armas”, afirmou.

Como funcionaria a cobrança em criptomoedas

O sistema proposto prevê que cada embarcação interessada em cruzar o estreito envie previamente informações sobre sua carga às autoridades iranianas.

Após a análise dos dados, o governo definiria o valor da taxa a ser paga em moedas digitais.

Entre os principais pontos do modelo estão:

  • envio prévio de informações da carga por e-mail às autoridades iranianas
  • avaliação da travessia antes da autorização
  • pagamento do pedágio em criptomoedas, como Bitcoin
  • tarifa base estimada em US$ 1 por barril de petróleo transportado

Segundo Hosseini, navios-tanque vazios poderiam atravessar o estreito sem cobrança. Ele afirmou ainda que o pagamento em criptomoedas permitiria evitar bloqueios ou rastreamento decorrentes das sanções internacionais impostas ao Irã.

O Estreito de Ormuz é considerado um dos pontos mais sensíveis da infraestrutura energética global. Cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo passa pela rota marítima, o equivalente a aproximadamente 14 milhões de barris por dia.

Por isso, qualquer interrupção no tráfego na região tende a provocar impactos imediatos nos mercados internacionais de energia.

Ameaças a embarcações sem autorização

Relatos indicam que embarcações que transitam pelo Golfo Pérsico já começaram a receber alertas relacionados às novas regras de travessia.

De acordo com transmissões de rádio captadas por navios na região e compartilhadas com o Financial Times, autoridades iranianas teriam advertido que embarcações que tentarem atravessar o estreito sem autorização poderão ser destruídas.

Pressão internacional para reabertura do estreito

O bloqueio da rota marítima elevou os preços globais de energia e aumentou a pressão internacional para a normalização do tráfego na região.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o cessar-fogo firmado nesta semana estaria condicionado à reabertura completa e segura do Estreito de Ormuz.

A evolução das negociações entre Washington e Teerã deve determinar como a travessia será regulada nas próximas semanas e quais impactos a medida poderá gerar para o comércio global de petróleo.

Com Veja.

Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.