Ibovespa despenca quase 5% com aversão ao risco e guerra entre Irã, EUA e Israel
Escalada do conflito eleva aversão ao risco, pressiona bolsas, juros e reacende temores inflacionários. Saiba mais sobre a quedado Ibovepsa
Foto: Amanda Perobelli / Reuters
O Ibovespa despencava cerca de 4,3% por volta das 12h30 desta terça-feira (3), aos 181 mil pontos, em meio a uma forte onda global de aversão ao risco provocada pela escalada do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel. No mesmo horário, o dólar subia mais de 3%, perto de R$ 5,30, o que sinaliza uma busca geral do mercado por proteção em ativos considerados “mais seguros”.
O movimento negativo não se limita ao Brasil. Nos Estados Unidos, bolsas como Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones caíam cerca de 2%, enquanto na Europa o tombo chegava a quase 4% no DAX e a mais de 3% no CAC 40.
Ao mesmo tempo, o Brent avançava mais de 8%, superando US$ 84 o barril, impulsionado pelo risco de interrupção no fluxo de energia no Estreito de Ormuz.
O mercado passou a precificar um conflito mais longo e com potencial de impacto direto na oferta global de petróleo, o que elevou a volatilidade e reduziu o apetite por ativos de risco. Declarações do presidente Donald Trump reforçaram a percepção de escalada, enquanto ameaças iranianas sobre o tráfego na principal rota energética do mundo aumentaram o temor de um choque de oferta.
Impactos da guerra entre Irã, Israel e EUA no mercado brasileiro
Segundo analistas, o avanço do petróleo e do gás natural pode reacender pressões inflacionárias globais, dificultando o trabalho de bancos centrais. No Brasil, o cenário já começa a alterar as expectativas para a política monetária conduzida pelo Banco Central do Brasil, especialmente diante do risco de repasse de combustíveis para os preços.
O movimento indica um clássico “flight to quality”, com saída de capital de bolsas e migração para dólar e commodities. Para o investidor brasileiro, o cenário exige cautela no curto prazo, com maior volatilidade nos ativos de risco, possível revisão nas apostas de queda da Selic e impacto direto em setores sensíveis a juros e inflação. Por outro lado, empresas ligadas a petróleo e exportadoras tendem a se beneficiar desse ambiente, funcionando como proteção parcial em momentos de estresse global.
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