Guerra com Irã pressiona economia dos Emirados e gera críticas a Trump
Empresários apontam riscos para turismo, transporte e investimentos na região do Golfo
Foto: Andrew Caballero-Reynolds / AFP
Empresários e investidores dos Emirados Árabes Unidos começaram a demonstrar preocupação com os impactos econômicos da guerra envolvendo o Irã e os Estados Unidos.
As críticas surgiram após uma série de ataques de mísseis e drones iranianos contra países do Golfo, que vêm afetando setores importantes da economia regional, como turismo, transporte aéreo e mercados financeiros.
A situação ganhou repercussão pública no início de março, quando empresários passaram a questionar decisões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Os Emirados são considerados um dos aliados mais próximos de Washington na região e mantêm relações econômicas relevantes com os Estados Unidos.
Mesmo assim, parte da comunidade empresarial avalia que o país do Golfo acabou sendo exposto aos riscos do conflito sem ter influência direta sobre as decisões estratégicas tomadas por Washington.
Empresários demonstram preocupação com riscos econômicos
Um dos posicionamentos mais comentados veio do empresário Khalaf Al Habtoor, conhecido por seus investimentos em hotelaria e turismo em Dubai.
Em uma publicação nas redes sociais, ele questionou a decisão dos Estados Unidos de ampliar o confronto com o Irã, afirmando que a medida coloca países do Golfo em uma situação de risco que não foi escolhida por eles.
A declaração chamou atenção porque, até agora, autoridades dos Emirados vinham adotando um discurso mais cauteloso sobre o conflito. Ainda assim, analistas apontam que o posicionamento reflete um sentimento crescente entre empresários que temem impactos prolongados na economia regional.
Segundo especialistas em risco geopolítico, líderes do Golfo sempre souberam que a política externa de Trump poderia seguir caminhos próprios, mas a intensidade das decisões recentes surpreendeu parte dos governos e investidores da região.
Turismo, transporte e logística já sentem impactos
A escalada das tensões já afeta setores importantes da economia dos Emirados. Companhias aéreas tiveram que cancelar ou alterar rotas, e milhares de passageiros ficaram retidos em aeroportos da região.
Com parte do espaço aéreo comprometido, muitas viagens passaram a utilizar trajetos mais longos e caros para chegar a aeroportos ainda operacionais em países vizinhos, como Arábia Saudita e Omã.
Autoridades dos Emirados tentam restabelecer gradualmente o tráfego aéreo por meio da criação de corredores seguros, que podem permitir a operação de até 48 voos por hora. Mesmo assim, empresas de turismo e transporte ainda enfrentam incertezas sobre a continuidade das operações.
Mercados e investimentos também reagem ao conflito
O mercado financeiro regional também vem refletindo o aumento das tensões. O principal índice da bolsa de Dubai caminha para registrar sua pior semana desde 2022, em meio ao aumento da aversão ao risco entre investidores.
Outro ponto de preocupação envolve o impacto do conflito sobre o fluxo de investimentos internacionais.
Os Emirados Árabes Unidos haviam anunciado planos de investir cerca de US$ 1,4 trilhão nos Estados Unidos ao longo dos próximos anos, como parte da ampliação da parceria econômica entre os dois países.
Além disso, países como Catar e Arábia Saudita também haviam apresentado compromissos bilionários de investimento na economia americana.
Com o avanço da guerra e o aumento das incertezas geopolíticas, alguns governos do Golfo passaram a reavaliar esses planos.
Analistas apontam que, caso o conflito se prolongue, os efeitos podem se espalhar por diferentes setores da economia global, especialmente aqueles ligados à energia, logística e comércio internacional.
Este conteúdo foi útil? Siga o Melhor Investimento nas redes sociais: