Fundos de FIDCs superam crédito privado e entregam até 118% do CDI
Com menor volatilidade aparente, fundos de recebíveis ganham espaço entre investidores, mas exigem atenção aos riscos
Imagem: Envato Elements.
Os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) têm ganhado destaque entre investidores que buscam alternativas em meio ao momento mais desafiador do crédito privado. Esses fundos compram valores a receber de empresas e instituições financeiras, funcionando como uma forma de antecipação de receitas com potencial de retorno atrativo.
Dados da XP Investimentos mostram que os chamados fundos de cotas de FIDCs (FIC FIDCs) entregaram 118% do CDI em 24 meses, superando outras estratégias tradicionais de crédito.
FIDCs superam fundos tradicionais de crédito
Segundo o levantamento, o desempenho dos FIDCs ficou acima de diferentes categorias de fundos:
- 118% do CDI — FIC FIDCs
- 112% do CDI — fundos high yield
- 104% do CDI — fundos high grade
- 101% do CDI — fundos com maior liquidez
O resultado reforça o interesse crescente por esse tipo de investimento, especialmente em períodos de maior instabilidade.
O bom desempenho recente dos FIDCs também está ligado ao cenário macroeconômico. Em março, um mês marcado por turbulência nos mercados (com impacto da guerra envolvendo o Irã e problemas de crédito de grandes empresas brasileiras), os fundos desse segmento continuaram se destacando.
No período, os FIDCs renderam 113% do CDI, enquanto fundos high yield ficaram em 89% do CDI, fundos high grade em 85% do CDI e fundos com maior liquidez em 92% do CDI. Segundo analistas, o aumento da aversão ao risco elevou os prêmios exigidos pelo mercado para investir em crédito corporativo.
Diferença está na forma de precificação
Um dos principais fatores que explicam o desempenho dos FIDCs é a forma como esses fundos são avaliados.
Enquanto fundos tradicionais de crédito sofrem com a chamada marcação a mercado — que ajusta diariamente o valor dos ativos conforme as condições de juros —, os FIDCs operam majoritariamente com marcação na curva, baseada na taxa acordada no início da operação. Na prática, isso reduz a volatilidade aparente das cotas e aumenta a previsibilidade dos retornos.
Apesar da performance superior, especialistas alertam que os FIDCs não são isentos de riscos. Isso porque o investidor continua exposto à capacidade de pagamento dos devedores dos créditos adquiridos pelos fundos.
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Investimento exige conhecimento
Apesar do potencial de retorno, os FIDCs são considerados estruturas mais complexas do que fundos tradicionais. Segundo especialistas do mercado, é essencial que o investidor compreenda aspectos como:
- a qualidade dos créditos
- a estrutura do fundo
- os riscos envolvidos
Sem essa análise, o investimento pode trazer surpresas negativas, especialmente em cenários de deterioração do crédito. Com o aumento da volatilidade global e a elevação dos spreads de crédito, os FIDCs surgem como uma alternativa interessante para quem busca retorno acima do CDI com menor oscilação aparente.
Ainda assim, a recomendação é clara: rentabilidade passada não garante retorno futuro, e a análise de risco deve sempre acompanhar qualquer decisão de investimento.