Fundo de CVC da BAT amplia atuação no Brasil e mira novos investimentos em inovação

O fundo de CVC da BAT, o BTomorrow Ventures, acelera sua estratégia de expansão no Brasil com cerca de R$ 2,5 bilhões disponíveis para novos investimentos.

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15 de maio, 2026 às 09:00
Retrato da executiva Claudia Woods, ex-CEO da Uber Brasil. Ela está posicionada no centro, vestindo uma jaqueta de couro preta. Imagem: Divulgação/ BAT Brasil

O fundo de CVC da BAT vem ganhando protagonismo no ecossistema global de inovação ao direcionar bilhões de reais para startups e acelerar sua estratégia de diversificação além do tabaco. No centro desse movimento está o Brasil, que se tornou um dos principais mercados-alvo da companhia para novos aportes.

Conhecido como BTomorrow Ventures, o fundo já investiu cerca de R$ 1,1 bilhão em 31 startups ao redor do mundo e ainda possui aproximadamente R$ 2,5 bilhões disponíveis para novos aportes. A expectativa é realizar pelo menos dois investimentos em startups brasileiras ainda em 2026.

O movimento ocorre em um momento estratégico para a British American Tobacco, que busca acelerar sua transformação para além da indústria tradicional de cigarros e ampliar sua presença em setores de consumo, tecnologia e varejo.

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O Brasil passou a ocupar posição central na expansão do fundo, principalmente pela combinação entre escala de mercado e maturidade do ecossistema de inovação.

Segundo a estratégia da companhia, o país reúne dois fatores decisivos:

  • Grande potencial de consumo e escalabilidade
  • Ecossistema de startups mais maduro, mas ainda carente de capital de crescimento

A executiva Claudia Woods, responsável pela operação na América Latina, destaca que o ambiente brasileiro já permite a criação de negócios com potencial global, especialmente quando apoiados por grandes corporações.

Esse cenário reforça o papel do Brasil não apenas como destino de investimento, mas também como plataforma de expansão internacional.

Como funciona o BTomorrow Ventures e sua nova estratégia

Ele opera com uma proposta que vai além do aporte financeiro. A estratégia inclui um hub de inovação criado para aproximar startups da estrutura global da companhia.

Entre os principais ativos oferecidos estão:

  • Rede com cerca de 250 mil pontos de venda
  • Estrutura logística e de manufatura global
  • Expertise em distribuição e marketing de massa

Além disso, o fundo criou uma metodologia própria chamada TFactor, desenvolvida para ajudar startups a escalar mais rapidamente ao reduzir barreiras operacionais entre inovação e mercado.

Na prática, o objetivo é acelerar o crescimento das investidas utilizando a infraestrutura global da empresa como diferencial competitivo.

Transformação da BAT e aposta em novos negócios

O avanço faz parte de uma transformação estrutural mais ampla dentro da companhia.

A British American Tobacco estabeleceu a meta de que até 2035 mais da metade de sua receita global venha de negócios fora do segmento de tabaco.

Esse reposicionamento estratégico inclui investimentos em:

  • Alimentos e bebidas funcionais
  • Tecnologia para varejo
  • Produtos de consumo inovadores

O portfólio do fundo já reflete essa mudança, com startups como a norte-americana More Labs e a canadense Awake Chocolate, além da marca de bebidas Moment.

Impacto no Brasil e exemplos de startups investidas

No mercado brasileiro, o BTomorrow Ventures já demonstrou impacto relevante em empresas locais.

Um dos principais exemplos é a Mais Mu, que após receber investimento do fundo expandiu sua presença de 6 mil para mais de 40 mil pontos de venda em apenas 18 meses, utilizando a rede de distribuição da BAT.

Outro caso importante é a Uello, que foi posteriormente adquirida pelas Lojas Renner, reforçando o potencial de escala e saída estratégica das startups apoiadas pelo fundo.

Por que o Brasil é estratégico para o fundo de CVC da BAT

A decisão de ampliar investimentos no Brasil está diretamente ligada a três fatores principais:

  1. Escala de mercado consumidor
  2. Ecossistema de inovação em amadurecimento
  3. Potencial de internacionalização via rede global da BAT

Além disso, o país pode funcionar como porta de entrada para a América Latina, ampliando o alcance das startups investidas.