Lula envia projeto para acabar com escala 6x1 e reduzir jornada para 40 horas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso um projeto de lei que propõe o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal para 40 horas, sem redução salarial.

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Última atualização:  15 de abr, 2026 às 15:25
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falando em um microfone durante uma transmissão ou entrevista. Imagem: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional, na noite da última terça-feira (14), um projeto de lei que propõe mudanças profundas nas regras trabalhistas brasileiras. A iniciativa busca acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada para 40 horas semanais, mantendo os salários e ampliando o período de descanso dos trabalhadores. A proposta foi publicada em edição extra do Diário Oficial e já tramita em regime de urgência constitucional.

A medida atinge diretamente milhões de brasileiros ao alterar a lógica tradicional da jornada de trabalho prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Caso seja aprovada, a nova regra estabelecerá um padrão mais próximo do modelo internacional, com cinco dias de trabalho e dois de descanso.

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O projeto enviado pelo governo federal responde diretamente ao debate sobre qualidade de vida e produtividade no país. Na prática, o texto prevê:

  • Redução da jornada semanal de 44 para 40 horas
  • Substituição da escala 6×1 pelo modelo 5×2
  • Garantia de dois dias de descanso remunerado por semana
  • Proibição de redução salarial

A proposta de acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada para 40 horas representa uma mudança estrutural no mercado de trabalho. Hoje, muitos trabalhadores atuam seis dias seguidos para ter apenas um dia de folga, especialmente em setores como comércio e serviços.

Com a nova regra, o descanso semanal passa a ser ampliado, o que, segundo o governo, pode impactar positivamente a saúde mental, o convívio familiar e até a produtividade.

Abrangência ampla e aplicação geral

Outro ponto relevante do projeto é o seu alcance. A proposta não se limita a uma categoria específica, abrangendo diferentes profissões e regimes de trabalho.

Entre os grupos incluídos estão:

  • Trabalhadores domésticos
  • Comerciários
  • Atletas profissionais
  • Aeronautas
  • Radialistas
  • Outras categorias regidas pela CLT e legislações específicas

Além disso, o texto estabelece que o limite de 40 horas semanais será aplicado também a regimes diferenciados e escalas especiais. Isso significa que a mudança terá efeito amplo e uniforme em diferentes setores da economia.

Flexibilidade para escalas diferenciadas

Apesar da padronização proposta, o governo manteve espaço para flexibilizações. Modelos como a jornada 12×36 — comum em áreas como saúde e segurança — continuarão permitidos, desde que respeitem a média semanal de 40 horas.

Essas exceções dependerão de acordos coletivos entre empregadores e trabalhadores, preservando a negociação sindical como instrumento de adaptação às necessidades específicas de cada setor.

Tramitação acelerada no Congresso

O projeto que prevê acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada para 40 horas foi enviado com urgência constitucional. Isso obriga o Congresso Nacional a analisar a proposta em até 45 dias.

Na prática, esse mecanismo acelera a tramitação e aumenta a pressão política para votação, já que a pauta pode trancar outras deliberações caso o prazo não seja cumprido.

O tema deve gerar debate intenso entre parlamentares, empresários e representantes dos trabalhadores, principalmente pelos possíveis impactos econômicos e operacionais.

Justificativa do governo

De acordo com Luiz Inácio Lula da Silva, a proposta de acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada para 40 horas tem como principal objetivo melhorar a qualidade de vida da população.

Em publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que a medida busca “devolver tempo” aos trabalhadores, permitindo maior convivência familiar, descanso e acesso ao lazer.

O governo também argumenta que a mudança está ligada à dignidade do trabalho e à construção de um ambiente mais equilibrado entre vida profissional e pessoal. Outro ponto destacado é que não haverá perda salarial, o que tenta reduzir resistências à proposta.