Ano eleitoral pode facilitar redução da jornada de trabalho, diz Luiz Marinho
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que o ano eleitoral de 2026 pode favorecer a aprovação da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6x1.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
A redução da jornada de trabalho e o possível fim da escala 6×1 podem avançar no Congresso Nacional justamente em um ano eleitoral. A avaliação é do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que afirmou que o calendário político de 2026 não representa um obstáculo para a aprovação das mudanças e pode, inclusive, ajudar a impulsionar o debate.
A declaração foi feita na última terça-feira (30), durante uma coletiva de imprensa em Brasília, convocada para a divulgação dos dados de geração de empregos formais no país. Segundo o ministro, a mobilização da classe trabalhadora será decisiva para que a proposta avance no Legislativo.
Mobilização social pode acelerar redução da jornada de trabalho
De acordo com Luiz Marinho, a redução da jornada de trabalho depende menos do calendário eleitoral e mais do engajamento de sindicatos, trabalhadores e movimentos sociais. Para ele, em anos de eleição, parlamentares tendem a ouvir com mais atenção pautas que ganham força nas ruas.
O ministro avaliou que, se houver pressão social organizada, o Congresso pode avançar na discussão sem grandes entraves políticos. Na visão do titular da pasta, o tema dialoga diretamente com qualidade de vida, produtividade e saúde do trabalhador, o que amplia seu apelo junto à sociedade.
Ministro cita precedente do Imposto de Renda para defender avanço da pauta
Durante a coletiva, Luiz Marinho comparou o debate sobre a jornada semanal ao processo de aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês. Segundo ele, a proposta enfrentava resistência inicial no Congresso, mas acabou aprovada após forte pressão popular.
Para o ministro, esse episódio demonstra que pautas consideradas sensíveis podem avançar quando há mobilização social consistente. Ele afirmou que a unanimidade registrada nas votações foi resultado direto do “calor das ruas”, e não de um consenso espontâneo entre os parlamentares.
Economia brasileira está preparada para reduzir jornada, avalia Marinho
Na avaliação do ministro do Trabalho, a economia brasileira já reúne condições suficientes para sustentar uma redução da jornada de trabalho sem prejuízos às empresas. Ele defende que o país está “maduro” para adotar um modelo de até 40 horas semanais, com a possibilidade de eliminar a escala 6×1.
Segundo Marinho, a pauta ganhou força especialmente entre os trabalhadores mais jovens, que veem na mudança uma forma de equilibrar melhor vida pessoal e profissional. O ministro argumenta que a reorganização do tempo de trabalho pode trazer ganhos de produtividade e melhorar o ambiente nas empresas.
Negociações coletivas podem viabilizar fim da escala 6×1
Um dos principais pontos levantados pelo ministro é que o fim da escala 6×1 não significaria paralisação de setores que funcionam todos os dias da semana. Ele destacou que atividades como saúde, indústria e serviços essenciais podem se adaptar por meio de negociações coletivas.
De acordo com Marinho, a legislação não impõe modelos rígidos de escala. Assim, trabalhadores e empregadores podem negociar formatos que garantam o funcionamento contínuo das atividades, respeitando o descanso semanal ampliado.
Ministro pede debate técnico e sem polarização eleitoral
Apesar de considerar o ano eleitoral um fator potencialmente favorável, Luiz Marinho afirmou que é fundamental evitar a polarização política em torno do tema. Para ele, a discussão sobre a redução da jornada de trabalho deve ser conduzida de forma técnica e responsável.
O ministro defende que o debate considere os impactos positivos para trabalhadores, empresas e para a economia como um todo. Segundo ele, transformar a pauta em um embate político pode atrasar avanços que beneficiariam o mercado de trabalho brasileiro.
Propostas sobre jornada de trabalho avançam no Congresso
Atualmente, diferentes projetos de lei e propostas de emenda à Constituição tramitam no Congresso Nacional tratando da redução da jornada e do fim da escala 6×1. Na Câmara dos Deputados, uma subcomissão especial aprovou a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, mas rejeitou a extinção da escala 6×1.
Já no Senado, o debate avançou mais. A Comissão de Constituição e Justiça aprovou o fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso e a redução da jornada semanal para 36 horas, sem redução salarial. O texto ainda precisa ser analisado pelo plenário da Casa em 2026.
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