Fim da escala 6x1 avança no Congresso e PT defende debate sem pressa

Mudança na jornada de trabalho ganha força em Brasília, mas líderes defendem diálogo com setores econômicos antes de decisões.

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Última atualização:  09 de fev, 2026 às 19:11
Plenária do Congresso Nacional Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado/CC)

A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 ganhou novo fôlego em Brasília e já se consolida como um dos temas trabalhistas mais sensíveis da agenda política. O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, defendeu que a mudança na jornada seja debatida de forma ampla e responsável, evitando decisões precipitadas.

Durante encontro com empresários, Edinho destacou que a transformação tecnológica em curso — marcada pelo avanço da inteligência artificial e da automação — tende a pressionar o mundo a repensar a organização do trabalho. Para ele, a discussão sobre redução da jornada é inevitável, mas precisa ser conduzida com diálogo e análise cuidadosa dos impactos.

Segundo o dirigente, o Congresso Nacional é o espaço adequado para tratar do tema, já que representa diferentes visões da sociedade.

“É um tema que precisa ser debatido com calma, com ponderação. Penso que o Congresso Nacional é o local mais apropriado para que esse tema seja debatido, porque o Congresso reflete o pensamento da sociedade … Temos que conversar, temos que debater, não precisa, de fato, tomar nenhuma medida de afogadilho”, declarou 

Ele ressaltou que setores como o comércio ainda operam amplamente sob o regime 6×1, enquanto outras atividades já adotam jornadas diferentes, o que exige soluções específicas para cada realidade.

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Proposta avança na Câmara

No mesmo contexto, o presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Hugo Motta, anunciou o encaminhamento da proposta que trata do fim da escala 6×1 para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A ideia é avaliar a admissibilidade de propostas de emenda à Constituição que tratam do tema antes que o texto siga para análise de mérito em comissão especial e, posteriormente, para o plenário.

Motta afirmou que a redução da jornada é uma reivindicação histórica de parte da classe trabalhadora, mas reconheceu que a mudança tem impactos diretos sobre a economia. Por isso, defendeu a escuta de diferentes setores para construir uma proposta equilibrada.

“Tenho certeza que o Congresso Nacional, a Câmara dos Deputados terá a sensibilidade necessária para conduzir uma matéria tão importante para o nosso país. É importante lembrar que quando a carteira de trabalho foi criada também fizeram péssimas projeções e hoje temos um país que respeita o direito do trabalhador”, disse.

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Tema é prioridade do governo Lula

O debate também se insere nas prioridades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o próximo ciclo político. A revisão da escala 6×1 foi incluída entre as pautas estratégicas do Executivo no Congresso, com o argumento de que a redução da jornada pode representar um avanço na qualidade de vida e na dignidade dos trabalhadores.

A discussão, no entanto, promete ser complexa. De um lado, estão os defensores da mudança, que apontam ganhos sociais e adaptação às novas formas de produção. De outro, há preocupações com custos, produtividade e possíveis efeitos sobre o emprego.

Com o tema agora oficialmente na rota do Legislativo, a tendência é que o debate se intensifique ao longo dos próximos meses.

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Lucas Machado

Redator e psicólogo com quase 5 anos de experiência na produção de artigos e notícias sobre uma ampla gama de temas. Suas áreas de interesse e expertisse incluem previdência, seguros, direito sucessório e finanças, em geral. Atualmente, faz parte da equipe do Melhor Investimento, abordando uma variedade de tópicos relacionados ao mercado financeiro.