Governo anuncia descongelamento de R$ 5,7 bilhões em verbas dos ministérios
O governo federal reduzirá de R$ 23,7 bilhões para R$ 17,9 bilhões o bloqueio de recursos dos ministérios, liberando R$ 5,7 bilhões após revisar para baixo as projeções de despesas. A nova avaliação fiscal também indica que não será necessário realizar um novo contingenciamento no orçamento de 2026.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O descongelamento de verbas dos ministérios permitirá que o governo federal libere R$ 5,7 bilhões do orçamento de 2026 após uma revisão nas projeções de despesas públicas. A medida foi anunciada nesta sexta-feira pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento, que também descartaram a necessidade de um novo contingenciamento para cumprir a meta fiscal do ano. A previsão de um resultado primário mais favorável foi o principal fator que abriu espaço para a redução dos bloqueios orçamentários.
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Descongelamento de verbas dos ministérios reduz bloqueio para R$ 17,9 bilhões
O governo federal decidiu reduzir de R$ 23,7 bilhões para R$ 17,9 bilhões o volume de recursos bloqueados nas dotações dos ministérios. Com isso, R$ 5,7 bilhões poderão ser liberados para a execução de despesas previstas no orçamento.
A decisão consta do relatório bimestral de avaliação fiscal divulgado nesta sexta-feira. O documento revisa as estimativas de receitas e despesas para 2026 e apresenta um cenário considerado mais confortável para o cumprimento das regras fiscais.
O descongelamento de verbas dos ministérios ocorre após a revisão para baixo de algumas despesas obrigatórias, principalmente os gastos com pessoal, benefícios previdenciários e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A redução das projeções nesses grupos compensou o aumento esperado em outras áreas do orçamento.
O detalhamento sobre quanto cada ministério poderá utilizar deverá ser divulgado até o fim do mês, por meio de um decreto do governo federal.
Governo não prevê novo contingenciamento no orçamento de 2026
Além do desbloqueio parcial dos recursos, o relatório aponta que não será necessário realizar um novo contingenciamento.
O contingenciamento é adotado quando as projeções indicam risco de descumprimento da meta fiscal. Nesse mecanismo, o governo limita temporariamente a execução de determinadas despesas para tentar preservar o resultado previsto para o ano.
Segundo as novas estimativas, a melhora nas projeções fiscais reduziu a necessidade de adotar uma medida adicional desse tipo. A avaliação considera tanto a evolução das despesas quanto as mudanças nas estimativas para o resultado primário de 2026.
O tema se soma a outras discussões sobre a execução do orçamento federal e a trajetória das contas públicas.
Previsão de déficit primário diminui de R$ 60,3 bilhões para R$ 52 bilhões
O relatório também revisou a previsão para o resultado primário do governo em 2026. A estimativa de déficit caiu de R$ 60,3 bilhões, prevista em maio, para R$ 52 bilhões na nova avaliação.
O resultado primário considera as receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida pública. A redução projetada no déficit representa uma melhora de R$ 8,3 bilhões em relação à estimativa anterior.
Quando são consideradas as exceções previstas para o cálculo da meta fiscal, o cenário é ainda mais positivo. Nesse caso, a projeção passou de um saldo positivo de R$ 4,1 bilhões para um superávit de R$ 10,8 bilhões.
A melhora nas projeções foi um dos fatores que permitiram o descongelamento de verbas dos ministérios sem a necessidade de um novo bloqueio para preservar o cumprimento da meta fiscal.
Meta fiscal de 2026 prevê superávit de R$ 34,3 bilhões
A meta fiscal estabelecida para 2026 prevê um superávit primário equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), estimado em R$ 34,3 bilhões.
A legislação também estabelece uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB para mais ou para menos. O governo tem trabalhado com o limite inferior dessa margem na condução das contas públicas.
Por isso, a avaliação periódica das receitas e despesas é importante para definir a necessidade de bloqueios, liberações ou contingenciamentos ao longo do ano. O relatório bimestral funciona como uma atualização das projeções e pode modificar o espaço disponível para os ministérios executarem seus orçamentos.
Redução nas despesas obrigatórias abriu espaço no orçamento
A maior parte do alívio fiscal veio da revisão de algumas despesas obrigatórias. Em comparação com a avaliação divulgada em maio, a previsão de gastos com pessoal caiu R$ 4,2 bilhões.
As estimativas para as despesas com benefícios previdenciários também foram reduzidas em R$ 3,2 bilhões. O mesmo ocorreu com os gastos projetados para o BPC, que tiveram uma revisão negativa de R$ 3,2 bilhões.
Essas reduções contribuíram para melhorar o cenário fiscal e compensaram o aumento das projeções em outras áreas.
A previsão de gastos com saúde, por exemplo, aumentou R$ 3,4 bilhões. Já as despesas com abono salarial e seguro-desemprego foram revisadas para cima em R$ 1,6 bilhão.
Mesmo com o crescimento dessas despesas, a economia projetada em outras rubricas foi suficiente para permitir o descongelamento de verbas dos ministérios.
Liberação de recursos ocorre antes das eleições
A liberação de parte dos recursos acontece cerca de dois meses antes das eleições, em um período de maior atenção sobre a execução do orçamento federal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve buscar a reeleição.
Apesar do contexto político, o governo fundamentou a medida nas novas projeções de receitas e despesas apresentadas no relatório fiscal. O documento aponta que a revisão dos gastos obrigatórios permitiu reduzir o bloqueio sem comprometer, segundo as estimativas oficiais, o cumprimento das regras fiscais.
A distribuição dos recursos entre as diferentes pastas ainda será conhecida. O decreto previsto para o fim do mês deverá indicar como os R$ 5,7 bilhões liberados serão repartidos entre os ministérios.
Com a medida, o governo reduz o volume de recursos temporariamente bloqueados e amplia o espaço para a execução orçamentária no segundo semestre de 2026. O descongelamento de verbas dos ministérios representa, portanto, uma mudança na programação financeira do governo após a atualização das projeções de despesas e do resultado fiscal.