Dona de Habib's busca proteção após dívida de R$ 312 milhões

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25 de jul, 2026 às 11:30
Fotografia da fachada de uma filial do Habib's ao entardecer. O prédio possui grandes janelas de vidro, estrutura vermelha e o letreiro luminoso da marca em branco no topo. É possível ver pessoas no interior do restaurante e vegetação paisagística na frente. Foto: Divulgação

O Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, conseguiu na Justiça uma medida de proteção contra credores em meio a dívidas de R$ 312,41 milhões. A decisão foi tomada pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e envolve 174 empresas ligadas ao conglomerado e dois de seus administradores. A tutela cautelar, concedida parcialmente, tem validade inicial de 60 dias e pode representar uma etapa anterior a uma eventual recuperação judicial.

A medida foi concedida pelo juiz Jomar Juarez Amorim no último dia 1º. O objetivo é impedir que a continuidade de execuções individuais contra as empresas provoque a venda desordenada de bens e comprometa a continuidade das operações.

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Grupo Gennius enfrenta dívidas de R$ 312 milhões

O principal ponto da decisão é a situação financeira do Grupo Gennius, que acumula um passivo de R$ 312,41 milhões. Diante das dificuldades, a companhia buscou a Justiça para obter tempo e condições para negociar com seus credores.

A tutela cautelar funciona como uma proteção temporária contra determinadas medidas de cobrança e execução. Na prática, o mecanismo pode evitar que diferentes credores tentem individualmente bloquear recursos, penhorar bens ou executar ativos das empresas ao mesmo tempo.

Segundo o entendimento apresentado na decisão judicial, a continuidade dessas ações poderia levar a uma chamada liquidação desordenada dos ativos. Isso poderia reduzir o valor dos bens e dificultar uma eventual reorganização financeira do grupo.

Medida judicial pode anteceder recuperação judicial

A proteção obtida pelo Grupo Gennius não significa que a empresa tenha entrado oficialmente em recuperação judicial. No entanto, a tutela cautelar é frequentemente utilizada por companhias que enfrentam problemas financeiros e precisam de um período para negociar com credores antes de tomar decisões mais amplas.

O prazo concedido pela Justiça é de 60 dias. Durante esse período, o grupo poderá buscar alternativas para reorganizar seus passivos e preservar suas atividades.

A decisão judicial destacou a necessidade de proteger a empresa e maximizar o valor de seus ativos. O entendimento é que a execução isolada de dívidas poderia comprometer a estrutura empresarial e prejudicar uma solução coletiva para os credores.

O resultado das negociações poderá determinar os próximos passos do conglomerado. Entre os cenários possíveis está a reorganização dos passivos sem recuperação judicial ou, caso as tratativas não sejam suficientes, a adoção de medidas mais abrangentes.

Pedido envolve 174 empresas e administradores

A solicitação apresentada à Justiça não se limita às principais marcas conhecidas pelo público. O pedido de proteção envolve 174 sociedades empresariais relacionadas ao Grupo Gennius e duas pessoas ligadas à administração do conglomerado.

Entre as empresas incluídas estão as razões sociais relacionadas às operações do Habib’s e às cozinhas do Ragazzo. A estrutura do grupo também conta com centros de produção e distribuição responsáveis por apoiar o funcionamento de suas redes de alimentação.

De acordo com informações apresentadas no processo, as empresas ligadas ao conglomerado reúnem uma operação próxima de 400 lojas no país. A abrangência da estrutura empresarial aumenta a importância da medida judicial para a continuidade das atividades.

Grupo atribui dificuldades a pandemia e mudanças no consumo

Na documentação analisada pela Justiça, o Grupo Gennius relaciona parte de suas dificuldades financeiras aos efeitos da pandemia de Covid-19 e às mudanças no comportamento dos consumidores.

A companhia também cita a expansão das plataformas de marketplace e um ambiente macroeconômico considerado adverso. As transformações no setor de alimentação aumentaram a competição e modificaram a forma como os consumidores fazem pedidos e escolhem restaurantes.

Para uma empresa com centenas de unidades e uma cadeia que envolve produção, distribuição, restaurantes e franquias, alterações no consumo podem afetar diretamente receitas e custos operacionais.

Habib’s afirma que lojas continuam funcionando normalmente

Apesar do pedido de proteção contra credores, o Habib’s afirmou que as lojas do grupo continuam funcionando normalmente em todo o país.

Em comunicado, a empresa declarou que a iniciativa judicial tem como objetivo permitir a negociação dos passivos financeiros acumulados ao longo dos últimos anos. A rede também afirmou que mantém o padrão de qualidade e atendimento oferecido aos clientes.

Com isso, a tutela cautelar não representa, neste momento, uma interrupção das operações comerciais das marcas. As unidades seguem abertas, enquanto a administração busca alternativas para lidar com a situação financeira.

Habib’s e Ragazzo têm décadas de atuação no Brasil

O Habib’s foi fundado em 1988, em São Paulo, pelo empresário Alberto Saraiva. Ele também aparece entre as pessoas incluídas no pedido de proteção contra a execução de dívidas.

Três anos depois, o Ragazzo foi criado para ampliar a presença do grupo no segmento de alimentação. Em 1992, a empresa passou a utilizar o sistema de franquias, estratégia que contribuiu para a expansão das marcas em diferentes regiões do Brasil.

Ao longo dos anos, o conglomerado passou a reunir restaurantes, estruturas de produção e centros de distribuição. Atualmente, o grupo também inclui a rede de churrascarias Tendall Grill.

A tutela concedida pela Justiça abre uma janela de 60 dias para que o Grupo Gennius negocie com seus credores e tente preservar suas operações. O andamento dessas negociações será determinante para definir se a companhia conseguirá reorganizar suas dívidas sem recorrer a uma recuperação judicial ou se precisará adotar uma estratégia mais ampla para enfrentar o passivo de R$ 312,41 milhões.