CPI quer ouvir Ibaneis Rocha após governador faltar a sessão no Senado
A CPI do Crime Organizado pretende convocar o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, após ele não comparecer a uma sessão da comissão no Senado.
Imagem: José Cruz / Agência Brasil
A CPI quer ouvir Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal, após ele não comparecer à sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado realizada nesta terça-feira (3), em Brasília. A ausência levou ao cancelamento da reunião e motivou o presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), a anunciar que irá apresentar um requerimento de convocação formal do chefe do Executivo local. Se o pedido for aprovado, Ibaneis será obrigado a prestar depoimento.
A comissão investiga a atuação de organizações criminosas no país, com foco especial em lavagem de dinheiro, infiltração em setores do Estado e conexões com o sistema financeiro. A oitiva do governador do DF é considerada estratégica pelos parlamentares devido à posição política e econômica da capital federal.
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A sessão da CPI do Crime Organizado prevista para esta terça-feira foi cancelada depois que Ibaneis Rocha, convidado a comparecer, informou por meio de ofício que não estaria presente. No documento, o governador afirmou que enviaria o secretário de Segurança Pública do DF, Sandro Avelar, como representante do governo local.
No entanto, quem compareceu à comissão foi o secretário-executivo da pasta, Alexandre Patury, o número dois da secretaria. A substituição foi considerada inadequada pelos senadores, o que levou ao encerramento dos trabalhos. Segundo a assessoria do senador Fabiano Contarato, a ausência do governador motivou a decisão de avançar para a convocação obrigatória.
A medida muda o status da participação de Ibaneis na CPI: enquanto o convite permite recusa, a convocação obriga o comparecimento e prevê consequências legais em caso de ausência.
Por que a CPI quer ouvir o governador do DF
O relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), justificou o pedido para ouvir Ibaneis Rocha destacando a relevância institucional do Distrito Federal. Apesar de o DF apresentar indicadores de homicídio considerados controlados, Vieira argumenta que Brasília ocupa uma posição singular no país.
Segundo o parlamentar, a capital federal é sede dos Três Poderes e concentra decisões políticas, econômicas e administrativas estratégicas. Por esse motivo, a CPI quer ouvir diretamente o governador sobre as políticas de segurança pública e as estratégias adotadas para impedir o avanço do crime organizado.
Vieira afirmou ainda que gestores do DF podem contribuir com informações relevantes sobre mecanismos de combate à lavagem de dinheiro, descapitalização de facções criminosas e prevenção da infiltração de grupos ilegais em órgãos públicos e setores da economia.
Investigação sobre lavagem de dinheiro e crime organizado
A CPI do Crime Organizado tem como foco principal o funcionamento financeiro das organizações criminosas, especialmente a forma como esses grupos movimentam recursos, utilizam empresas de fachada e tentam se inserir no sistema bancário formal.
Nesse contexto, a CPI quer ouvir Ibaneis Rocha para entender como o governo do DF atua na fiscalização dessas práticas e quais medidas estão sendo adotadas para evitar que o Distrito Federal seja utilizado como base operacional ou financeira por facções e milícias.
A comissão também analisa a cooperação entre governos estaduais, forças de segurança e órgãos reguladores no enfrentamento a esse tipo de crime.
Caso Banco Master amplia pressão política sobre Ibaneis
A pressão sobre o governador do DF ocorre em meio às investigações envolvendo o Banco Master, caso que ganhou repercussão nacional e chegou à Câmara Legislativa do Distrito Federal. Ibaneis Rocha é citado no contexto político do escândalo, que resultou em pedidos de abertura de CPI local e até de impeachment.
O caso envolve o Banco de Brasília (BRB), instituição pública do DF, que passou a ser investigada por tentar adquirir o Banco Master. Segundo as apurações, o Banco Master teria emitido créditos considerados falsos para captar recursos no mercado financeiro.
As suspeitas indicam que as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões. Diante dos indícios, o Banco Central decidiu pela liquidação da instituição, aprofundando o impacto político e econômico do caso.
Governador nega irregularidades
Ibaneis Rocha nega qualquer envolvimento em irregularidades relacionadas ao BRB ou ao Banco Master. Em declarações anteriores, o governador afirmou estar tranquilo em relação às investigações e sustenta que não houve ilegalidade por parte do governo do Distrito Federal.
A Agência Brasil informou que procurou a assessoria do Governo do DF para comentar o pedido de convocação feito pela CPI, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.
CPI também enfrenta ausência de outros governadores
Além do caso do DF, a CPI do Crime Organizado planejava ouvir outros governadores nesta semana. O depoimento do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, previsto para quarta-feira (4), também foi cancelado.
Castro comunicou à comissão que estaria em agenda oficial na Europa e não poderia comparecer na data marcada. A CPI ainda não informou se pretende convocá-lo formalmente em outro momento.
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