Cosan (CSAN3) cai após rebaixamento da S&P; veja os impactos

A S&P rebaixou a nota de crédito da Cosan e manteve perspectiva negativa, aumentando a pressão sobre a CSAN3 em meio à crise da Raízen e ao elevado endividamento da holding.

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09 de jul, 2026 às 14:00
Cosan, usina de processamento de etanol. Imagem: Victor Moriyama/Bloomberg/Reprodução via Infomoney

A S&P Global Ratings rebaixou a nota de crédito da Cosan de BB- para B+ e manteve perspectiva negativa . A ação CSAN3 chegou a ser negociada abaixo de R$ 5 no pregão desta semana, liderando as quedas do Ibovespa.

O rebaixamento se soma a uma série de eventos negativos que envolvem a crise da Raízen e o enfraquecimento do perfil de crédito de toda a holding. Entenda o que aconteceu e o que fazer com a ação.

Rebaixamento S&P

A S&P Global Ratings cortou o rating da Cosan (CSAN3) de BB- para B+, com perspectiva negativa. A agência citou enfraquecimento do perfil de diversificação e estrutura de capital pressionada. Especificamente, a agência apontou que a reestruturação da dívida da Raízen reduziu a fatia econômica da holding na empresa.

Adicionalmente, a conversão de parte da dívida da Raízen em participação acionária diluiu a posição da Cosan e enfraqueceu o seu principal ativo.

A perspectiva negativa sinaliza risco de novos rebaixamentos. Assim, se a Cosan não apresentar melhora concreta no perfil de crédito nos próximos 12 a 24 meses, novos cortes são possíveis. Portanto, o mercado interpretou o movimento como uma confirmação de que os riscos da holding vão além do episódio pontual da Raízen. Consequentemente, a pressão sobre CSAN3 se intensificou nas últimas sessões.

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A crise da Raízen e o impacto direto sobre a Cosan

A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, acumulou dívidas bilionárias durante um ciclo de investimentos em energia renovável e expansão da capacidade de etanol de segunda geração. Com a alta dos juros e a queda nos preços do petróleo, a empresa entrou em crise e precisou reestruturar sua dívida. Concretamente, parte dos credores converteu dívida em participação acionária na Raízen, o que diluiu a fatia da Cosan e reduziu seu poder de influência sobre os dividendos e o caixa da subsidiária.

Esse movimento foi crucial para a decisão da S&P. Afinal, a Raízen historicamente era uma das principais fontes de geração de caixa para a Cosan servir sua dívida corporativa. Com a diluição, a Cosan perde acesso proporcional a esse fluxo de caixa. Adicionalmente, a holding ainda precisa vender ativos para cumprir compromissos financeiros nos próximos trimestres.

Saiba+

O que os números dizem sobre o valuation

Com CSAN3 sendo negociada abaixo de R$ 5, o mercado está precificando um cenário de estresse severo para a Cosan. Todavia, para avaliar se há oportunidade de compra, é preciso ir além do preço e olhar para o valuation da holding. Concretamente, a Cosan tem ativos relevantes além da Raízen: a Rumo (RAIL3), maior operadora de ferrovias do Brasil, e participações em empresas como Radar Propriedades Agrícolas e Moove.

O problema é que, com o custo de capital elevado e a estrutura de dívida pressionada, os ativos da holding sofrem desconto adicional no mercado. Portanto, o price-to-book atual de CSAN3 está abaixo de 1x, o que pode parecer barato, mas reflete o risco real de diluição futura caso novos aportes de capital sejam necessários. Paralelamente, a venda de ativos para desalavancar o balanço pode pressionar ainda mais os preços das subsidiárias listadas.

Rumo RAIL3 e outras subsidiárias

A Rumo (RAIL3) é o ativo mais relevante da Cosan fora da Raízen. A operadora ferroviária tem fundamentos sólidos, crescimento de volume, contratos de longo prazo e margens robustas, e seu rating individual não foi afetado pelo rebaixamento da S&P sobre a Cosan. Entretanto, a percepção negativa sobre a holding pode gerar pressão vendedora sobre RAIL3 no curto prazo, mesmo sem justificativa pelos fundamentos da ferroviária.

Para quem está posicionado em RAIL3, a leitura correta é separar o ruído macroeconômico da tese individual da empresa. Afinal, Rumo é uma companhia lucrativa com vantagens competitivas claras no escoamento de grãos do Centro-Oeste. Adicionalmente, mesmo que a Cosan precise vender parte de sua posição em Rumo para reduzir dívida, o impacto seria passageiro e poderia criar uma janela de entrada para novos investidores.

Comprar na queda ou aguardar melhora?

A questão central sobre o Cosan CSAN3 rebaixamento S&P 2026 é se o preço atual já desconta os riscos ou se há mais pressão pela frente. Concretamente, o mercado costuma penalizar excessivamente ações de holding em momentos de crise, criando oportunidades para investidores de prazo mais longo. Todavia, com a perspectiva negativa da S&P ainda vigente, o risco de novos rebaixamentos permanece real.

Para investidores conservadores, o mais prudente é aguardar sinais concretos de melhora. Isso inclui a conclusão de vendas de ativos, a estabilização da dívida ou uma revisão da S&P para perspectiva estável. Já para perfis mais arrojados, uma posição pequena em CSAN3 pode fazer sentido como aposta na recuperação da holding.

Em suma, casos como o da Oncoclínicas (ONCO3) em recuperação extrajudicial mostram que o mercado costuma exagerar na precificação de risco em crises estruturais. Afinal, a Cosan já atravessou ciclos difíceis antes e conseguiu se reestruturar. A diferença desta vez é o nível de dívida e a perda de influência sobre a Raízen. De fato, esses fatores tornam a recuperação mais lenta e incerta do que em episódios anteriores.

Vale reforçar que qualquer decisão de  investimento deve ser tomada com cautela e embasada em uma análise aprofundada. Sempre que possível, conte com o apoio de um assessor de investimentos.

Leticia Carvalho

Formada em Sistemas de Informação, com pós-graduação em Gestão de Marketing pela Anhembi Morumbi, é autora do portal com atuação focada em economia, negócios e tecnologia. Possui mais de 15 anos de experiência em administração e empreendedorismo, aliando análise de dados à produção de conteúdo jornalístico. Já teve passagem profissional por grandes portais de conteúdo do Brasil, onde desenvolveu trabalhos voltados à informação financeira, tendências de mercado e transformação digital.