China define meta de crescimento entre 4,5% e 5% para 2026, a menor desde 1990

Governo reconhece desafios no consumo interno, setor imobiliário e cenário externo

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Última atualização:  05 de mar, 2026 às 09:14
Bandeira da China tremulando; país projeta crescimento econômico entre 4,5% e 5% para 2026, a menor meta em décadas. Foto: Envato Elements

O governo da China anunciou nesta quinta-feira (5) que a meta de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 ficará entre 4,5% e 5%. A projeção, apresentada durante o lançamento do novo plano econômico do país, representa o objetivo mais baixo desde a década de 1990 e reflete os desafios enfrentados pela segunda maior economia do mundo.

A definição da meta faz parte do 15º Plano Quinquenal (2026-2030), estratégia que orienta as políticas econômicas do país pelos próximos anos. O governo reconhece que fatores como consumo interno moderado, investimentos mais fracos e dificuldades no setor imobiliário têm limitado o ritmo de expansão da economia.

Se o crescimento ficar abaixo de 5% em 2026, será o desempenho anual mais fraco da China em mais de três décadas, desconsiderando o período afetado pela pandemia de Covid-19.

Economia cresceu 5% em 2025

Em 2025, a economia chinesa registrou expansão de 5%, sustentada principalmente por um superávit comercial recorde de cerca de US$ 1,2 trilhão. Mesmo com tensões comerciais com os Estados Unidos, as exportações ajudaram a manter a atividade econômica.

No entanto, o cenário atual é considerado mais desafiador. Além das disputas comerciais com os norte-americanos, a China também enfrenta um ambiente global mais incerto, marcado por conflitos geopolíticos e desaceleração em algumas economias.

A meta mais moderada para 2026 também indica que o governo pretende adotar uma abordagem mais cautelosa, equilibrando estímulos à economia com a necessidade de manter estabilidade financeira.

Estímulos para impulsionar o consumo

Para tentar reaquecer a economia doméstica, Pequim anunciou um pacote de financiamento de 800 bilhões de yuans. O objetivo é estimular o consumo e incentivar a atividade produtiva.

Entre as medidas estão 250 bilhões de yuans em bônus especiais destinados a programas de troca de eletrodomésticos e veículos, além de 100 bilhões de yuans em linhas de crédito voltadas para famílias e empresas.

Essas iniciativas buscam fortalecer o mercado interno, que tem sido impactado por fatores como deflação, excesso de oferta em alguns setores, crescimento salarial limitado e desemprego elevado entre jovens.

Foco em tecnologia e indústria

Apesar das dificuldades no curto prazo, o novo plano econômico mantém o foco em áreas estratégicas como manufatura avançada, veículos elétricos, inteligência artificial e robótica.

O objetivo do governo é reduzir a dependência tecnológica externa e consolidar a liderança do país em setores industriais de alta tecnologia.

Ao estabelecer uma meta de crescimento entre 4,5% e 5%, a China também se aproxima do ritmo mínimo necessário para alcançar um dos principais objetivos políticos do país: atingir o nível de renda per capita de uma economia desenvolvida até 2035.

Analistas avaliam que o desempenho da economia chinesa nos próximos anos será decisivo não apenas para o país, mas também para o comércio global e para mercados emergentes que dependem da demanda chinesa por commodities e produtos industriais.

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Carolina Gandra

Jornalista do portal Melhor Investimento, especializada em criptomoedas, ações, tecnologia, mercado internacional e tendências financeiras. Transforma temas complexos como blockchain, inteligência artificial e estratégias de mercado em conteúdos acessíveis e envolventes. Com análises atuais e visão estratégica, ajuda leitores a decifrar o futuro dos investimentos e identificar oportunidades no mercado financeiro.